É tudo muito triste, diz funcionária de farmácia que trabalha na pandemia em Niterói

Amanda se reveza com colegas para medir temperatura de clientes


Por Silvia Fonseca


Amanda mede a temperatura de uma cliente da farmácia. Foto: Gustavo Stephan


Amanda da Silva Marins tem 36 anos e trabalha há 12 em farmácia, como dermoconsultora. Na pandemia de Covid-19, teve de deixar de se dedicar exclusivamente à sua especialidade, de recomendar a clientes produtos para a pele, para participar de revezamentos com outros funcionários. Como o de medir a temperatura e borrifar álcool em gel nas mãos de quem quer entrar no estabelecimento, na Rua Lopes Trovão, quase esquina com Moreira César, em Icaraí.

Para chegar ao local de trabalho, Amanda sai de São Gonçalo, onde mora, de ônibus. E conta que é enorme a diferença de movimentação nas ruas entre as de Niterói e as da cidade vizinha.

- O movimento em Alcântara é surreal. Muita gente na rua, parece que nada está acontecendo - diz Amanda, que evita passar pelo bairro de São Gonçalo. Ela usa ônibus ou van para trabalhar e gasta cerca de uma hora no percurso, se não tiver muito trânsito.

- Medo eu tenho. No início da pandemia fiquei bem apavorada porque a gente não sabe, né, o que vai acontecer... Mas ao mesmo tempo a gente precisa trabalhar também. Graças a Deus até hoje não peguei a doença, mas estou me cuidando bastante. Máscara, viseira, álcool em gel, lavo as mãos sempre que posso, estou me cuidando.

Ao medir a temperatura dos clientes que entram na farmácia, ela ainda não encontrou alguém com febre. Mas diz que o movimento caiu bastante. Como em Icaraí há muitos idosos, conta, e estes evitam sair de casa, o que cresceu foi o volume de entregas.

Como muita gente, Amanda quer logo a vida normal de volta, mas defende que isso aconteça com muito cuidado.

- Reabrir shoppings? Depende muito do povo. Reabrir devagar, sem desespero, com todo mundo tendo muita noção dos cuidados e riscos. Se não tiver noção, aí vem outro pico da doença pela frente - prevê.

Amanda fala com preocupação mas também com tristeza:

- Porque sei que tem o vírus aí, e ele mata. Mas, ao mesmo tempo, é tudo muito triste. Além das pessoas doentes, das vítimas, há muita gente desempregada, muito comércio fechado, muitas lojas em volta aqui fechadas...

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