Ônibus circulam sem distanciamento mínimo na pandemia de Niterói

Sindicato cobra fiscalização do número de ônibus em circulação e da lotação

Foto: Gustavo Stephan


Aquilo que o morador de Niterói vê nas ruas e dentro dos ônibus virou queixa. Motoristas de ônibus de Niterói e São Gonçalo começaram a reclamar que não está havendo respeito à distância segura para o embarque e para a viagem dos passageiros devido ao aumento de fluxo de pessoas nos coletivos. O alerta foi feito pelo Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac), que nesta terça-feira (16/6) envia ofício às prefeituras das duas cidades, à Secretaria Estadual de Transportes e à Polícia Rodoviária Federal (PRF) sobre a necessidade de fiscalização em terminais, pontos finais de ônibus, vias dos municípios e rodovias.


As queixas mais comuns de quem precisa do transporte público para trabalhar na pandemia são de falta do distanciamento mínimo recomendado pelas autoridades de saúde nos pontos e dentro dos coletivos. Somente nesta segunda-feira (15/6), 12 profissionais de Niterói e São Gonçalo entraram em contato com a entidade para reclamar de diversas linhas municipais e intermunicipais que circulam nas duas cidades e não cumprem o distanciamento entre os passageiros. O decreto municipal e estadual prevê que os coletivos realizem a viagem com a capacidade reduzida para diminuir o risco de contaminação do coronavírus.


O problema é que, para usuários, em vez de aumentar o número de coletivos as empresas estão tirando ônibus de circulação, o que aumenta o tempo de espera e favorece a formação de filas e as aglomerações dentro dos veículos.


- Eu venho de São Gonçalo para trabalhar em Icaraí e até que está mais tranquilo de lá até o terminal, no Centro de Niterói. Mas aí no terminal, para pegar o ônibus para Icaraí, tenho de esperar muito tempo. Parece que há bem menos ônibus rodando, e aí tenho de entrar com o carro cheio, o que dá muito medo de contaminação - contra Marina Andrade, que trabalha num supermercado.


Para o presidente do Sintronac, Rubens dos Santos Oliveira, não se pode deixar para os rodoviários a tarefa de impedir o acesso de passageiros nos ônibus.


- Não há como um motorista de ônibus enfrentar sozinho uma multidão querendo embarcar no coletivo. O profissional corre o risco de ser linchado. Somente uma autoridade de Segurança Pública pode intervir nesse sentido - argumenta Rubens.


O documento do Sintronac pede, além da fiscalização, que as empresas aumentem a frota dos ônibus para que os passageiros possam viajar com a distância necessária para a segurança deles e dos motoristas e cobradores. Para eles, a fiscalização e o aumento da frota são fundamentais como consequência do aumento do número de passageiros, ocorrido com o relaxamento do isolamento social. Até esta segunda-feira (15/6), o sindicato registrou a morte de 15 rodoviários por Covid-19.


Em nota, o Sindicato das Empresas de ônibus do Estado do Rio (Setrerj) respondeu que as empresas estão acompanhando, semana a semana, a demanda por transporte coletivo, e alterando a oferta de frota, de acordo com as definições dos gestores públicos.

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