40% dos pacientes de Covid internados em Niterói são de outros municípios

Estudo do Observatório Covid-19 mostra que São Gonçalo 'exporta' pacientes para municípios próximos, principalmente Niterói


O Secretário de Saúde de Niterói, Rodrigo Oliveira



Uma análise do Observatório Covid-19, da Fiocruz, mostrou como a falta de estrutura hospitalar e de isolamento social, entre outros fatores, acabam levando municípios a "exportarem" pacientes de Covid para cidades vizinhas. É o caso de São Gonçalo, segundo o estudo, que "exporta" pacientes de Covid principalmente para os hospitais niteroienses. Outros municípios também fazem esse movimento. A estimativa da Prefeitura de Niterói é que cerca de 40% dos doentes hoje internados na cidade moram em outros municípios.


Leia mais: Mudanças nas medidas restritivas começam a valer nesta segunda-feira

Pelo estudo, pacientes que moram em São Gonçalo foram internados em:

(Internação total de Covid-19)

São Gonçalo: 1.910

Niterói: 1.157

Rio de Janeiro: 357

Itaboraí: 126

Maricá: 69


Pacientes que moram em São Gonçalo e foram internados em UTIs em:

São Gonçalo: 598

Niterói: 459

Rio de Janeiro: 144

Maricá: 39

Itaboraí: 21


Os dados reforçam a necessidade de os municípios tomarem medidas restritivas conjuntas contra a Covid-19 para que de fato elas tenham efeito. É o que recomendou a Fiocruz quando propôs que toda a Região Metropolitana do Rio deveria adotar medidas emergenciais, com uma espécie de lockdown, para conter a escalada de contaminações, internações e mortes por Covid. Mas isso não aconteceu. O Rio de Janeiro já flexibilizou, assim como Maricá e São Gonçalo. Niterói entrou nesta segunda-feira na terceira semana de parada emergencial.


Em entrevista ao A Seguir: Niterói, o Secretário de Saúde, Rodrigo Oliveira, foi perguntado sobre as diferenças nos números de internações que aparecem nos boletins epidemiológicos da Prefeitura, divulgados diariamente, e outros registros da Secretaria Estadual de Saúde e dos hospitais privados. Disse que a Prefeitura considera apenas os moradores da cidade, depurando a estatística, sem contabilizar doentes de outros municípios.


Perguntado também sobre o tamanho da diferença, respondeu: "É muita gente". Não deu números, não tinha os dados à mão, mas foi enfático: É muita gente, é muita gente...