A aventura da vida numa canoa havaiana, uma paixão de Niterói

Luiza Perin relata como foi perseguida por um tubarão no Havaí e se descobriu "Corajosa", no livro "Vou de canoa"


A inspiração, na canoa


De repente um tubarão muda a sua vida. E não foi um tubarão qualquer, um tubarão tigre de quatro metros de meio. Você numa canoa, em mar aberto, e o tubarão atrás de você... Quem conta a história é Luiza Perin, uma das precursoras da canoa havaiana, no país e em Niterói, onde encontrou um enorme número de seguidores. São pelo menos dez clube regularizados e 2 mil praticantes. Não há praia na cidade que não exiba as cores das pequenas embarcações e o grito de entusiasmo dos remadores.


Luiza Perin é bióloga marinha. E como uma coisa leva a outra podemos encurtar a história sem mais explicações dizendo que se apaixonou pela canoa polinésia e se dedica totalmente à prática - muito mais que um esporte. Ela tem uma escola em Itaipu, Surf Hoe, preside a associação fluminense de canoa e acaba de lançar um livro: "Vou de canoa", uma inspiração para quem se aventura no esporte - e também para quem não se move do sofá.


Luíza Perin, bióloga, remadora, praticante de ioga e, agora, escritora


O livro, segundo Luíza, não é sobre canoa, apenas; fala, sobretudo, sobre busca. O relato da aventura no Havaí, com certeza, não é - e não será - a maior façanha da remadora. Mas é bem simbólico, revela para onde a canoa pode te levar. É Luíza quem conta:


- Uma vez, eu participei de uma prova no Havaí e fui a última a chegar, entre 100 competidores, de diversos países. Eu não estava familiarizada com aquele mar, com ondas grandes e ventos fortes. Mas foi minha maior vitória. Eu estava remando e de repente vejo que o barco de apoio vem na minha direção. Eu não conseguia entender o que queriam dizer, mas eles continuavam vindo na minha direção e fazendo sinais... Até que eu percebi que queriam me avisar que tinha um tubarão enorme, um tubarão- tigre de quatro metros e meio atrás de mim. Eu remava e o tubarão continuava atrás de mim. Aquilo mudou a minha vida completamente.


Luiza conta que, até mais que a experiência vivida naquele momento em mar aberto, o que mais a marcou foi perceber o nome do barco de apoio, quase que uma "mensagem":


- O nome do barco era em português. O capitão era apaixonado pela América Latina e batizou o barco em português. E no feminino. Corajosa, era o nome do barco. Aquela travessia entre Mauí e a ilha Malocai me mostrou muita coisa, e ali eu já sabia onde encontrar coragem para os próximos desafios.


Não foi o único. Luíza fez uma viagem arriscada e solitária, remando sozinha, de Niterói até a Ilha Grande. Três dias de travessia, navegando durante a noite, no braço. Chegou exausta. Mas o cansaço só serviu para oferecer novos desafios. Voltaria a fazer o mesmo percurso, mais tarde.


Além de toda a rotina na canoa, Luiza se empenha na missão de divulgar a cultura polinésia. Acha que tem lições importantes para todo mundo, em qualquer parte, em qualquer tempo. " Os polinésios viviam procurando ilhas, como nós procuramos a felicidade." Não atoa, Luiza é convidada para debates e palestras. O livro "Vou de canoa" pode ser inspiração para qualquer pessoa, ligada ou não ao esporte.



A narrativa vale o ingresso. O livro de 334 páginas conta um pouco da história das navegações dos povos da Polinésia e outras façanhas da autora, que remou em sua canoa havaiana nada menos que cinco vezes entre Niterói e a Ilha Grande, ora sozinha , ora com outros remadores, num percurso de 170 quilômetros e tempos de viagem que variaram de 18 a 27 horas.


O lançamento foi atrapalhado pela pandemia. Mas o livro pode ser comprado

pelo Instagram: @voudecanoa. E nas plataformas digitais: Amazon, Americanas e

Estante Virtual. Uma boa leitura e um belo presente de Natal.


Luiza Bezerra de Menezes Perin nasceu em Niterói. Chegou ao mar pela formação acadêmica. É bióloga marinha, profunda conhecedora da vida das tartarugas marinhas e defensora apaixonada da natureza. Remadora, surfista, nadadora e praticante de ioga, é casada, e mãe de Kainui. Um menino de quase três anos, cujo nome agrega suas maiores paixões. Em havaiano, o nome do filho quer dizer "oceano grande".