Eleição em Niterói foi plebiscito sobre o governo; eleitor aprovou

Axel Grael chega à Prefeitura no primeiro turno com 62% dos votos válidos


Por Luiz Claudio Latgé


Axel na campanha. Eleitou aprovou a gestão da Prefeitura de Niterói


A eleição do candidato do Prefeito Rodrigo Neves, Axel Grael (PDT), confirma a avaliação positiva do governo, depois de dois mandatos, oito anos à frente da cidade. A pandemia - e a pronta e eficiente ação da Prefeitura no combate à Covid - acabaram transformando a eleição deste ano em um plebiscito. Apesar do número de candidatos na disputa. Felipe Peixoto, Flavio Serafini, e os estreantes Allan Lyra, Juliana Benício e Deuler da Rocha, o eleitor foi às urnas para dizer se aprovava ou não aprovava o governo. E o resultados está dado: aprovou, por 58% dos votos, ainda sem o encerramento oficial da contagem.


Axel Grael assume a prefeitura da cidade com o lastro de ter atuado no governo nos últimos oito anos. O eleitor, nesta eleição, não quis correr riscos e apostou na experiência do gestor, não apenas em Niterói, mas em muitas outras cidades. Uma forma de arrumar a casa, depois dos desastres eleitorais vividos pelo Rio de Janeiro, com Crivella na Prefeitura e o desconhecido e já descartado juiz Wilson Witzel. Para ficar apenas nos dois e não levar a conversa para o governo federal…


O Prefeito Rodrigo Neves sai da eleição como vencedor. A ação da Prefeitura de Niterói no combate à Covid foi reconhecida pela comunidade científica e também por especialistas em gestão. A cidade decretou isolamento logo no início da doença, aparelhou o Hospital Oceânico, realizou milhares de testes e se apoiou firmemente nas recomendações da Organização Municipal da Saúde. Mas não ficou apenas na área médica. O programa de renda mínima e o socorro às empresas, especialmente as pequenas empresas, permitiu à cidade atravessar a crise com menos danos que o Rio de Janeiro, por exemplo, onde mais de mil bares e restaurantes quebraram.


A questão da Saúde acabou se tornando o principal eixo da disputa eleitoral. Não é atoa que a mais forte oposição ao Prefeito não veio das forças políticas tradicionais da cidade, representadas por Felipe Peixoto e Flavio Serafini, mas da nova direita, fortalecida pela eleição de Bolsonaro, em 2018. Os dois candidatos que disputaram o apoio do Presidente Jair Bolsonaro politizaram a questão, tratando a Covid como uma gripezinha e fazendo questão de sair em campanha sem usar máscaras. Até neste ponto, a polarização se repetiu: os que defendem a abordagem científica e os que acreditam que o coronavírus pode ser combatido pela cloroquina ou pelo vermífugo Anitta.


Outras questões importantes, que costumam pautar o interesse do eleitor, ficaram para trás. A mobilidade era a principal delas - tanto que foi nesta área que a Prefeitura investiu a maior parte dos seus recursos, para abrir o túnel e a Transoceânica. O isolamento deixou os engarrafamentos permanentes em segundo plano. Assim como a Educação, diante de escolas fechadas. E a Segurança, com as ruas vazias. Até mesmo o saneamento, outro grande investimento do governo, ficou fora da decisão do voto.


O eleitor de Niterói disse nas urnas que não quer aventuras, que quer seguir em território conhecido. Reconheceu os acertos do governo. A promessa de campanha de Axel Grael, que para muitos poderia parecer tímida, veio a calhar. Trata-se de dar continuidade. Não repetir o que já se fez. Mas buscar fazer mais. Vai precisar seguir à risca a promessa. A fórmula de governo não se repetirá diante da emergência de combater a Covid, promover a vacinação e estimular a retomada da economia. Esse processo vai ocupar, pelo menos, a primeira metade do governo de Axel Grael.


A boa notícia é que Axel Grael começa na Prefeitura com um apoio que poucos governantes mereceram. Nem Rodrigo Neves teve tamanha votação, sempre precisou do segundo turno..



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