A guerra da vacina. A Anvisa vai aprovar a Coronavac? São Paulo vai entregar a vacina ao governo?

Confusão está formada: Ministério da Saúde requisitou estoque da Coronavac mas Butantan quer reter imunizante em São Paulo



A disputa política que se estabeleceu entre o governo federal e o governo de São Paulo em torno da vacinação contra a Covid ameaça tornar ainda mais confusa a campanha de imunização no país. Neste sábado (16), o Ministério da Saúde voltou a enviar ofício para o Instituto Butantan requerendo a liberação das 6 milhões de doses da Coronavac, a única vacina disponível hoje no país. E mais uma vez o Butantan rechaçou o pedido, requerendo a retenção das vacinas que serão destinadas ao Estado de São Paulo.


A guerra da vacina promete se tornar ainda mais intensa após a aprovação do imunizante do Laboratório Sinovac, neste domingo (17), para uso emergencial. O Governo de São Paulo, que articulou a parceria do Butantan com a farmacêutica chinesa, se organiza para começar a vacinação no Estado "tão logo a vacina seja liberada pela Anvisa". Como o estoque da vacina está em São Paulo, o governador João Dória poderia inaugurar a vacinação antes do Plano Nacional de Imunização do Ministério da Saúde, na quarta-feira (20). Também está em disputa, a quantidade de vacinas que será reservada a São Paulo. O estado requereu 1,5 milhão de doses. O Ministério da Saúde ainda não revelou as quantidades que serão entregues a cada estado.


O secretário de Saúde de São Paulo, Jean Carlo Gorinchteyn, confirmou a intençâo ao Jornal Estadão. "A vacinação da Covid-19 pode se iniciar nesta segunda-feira, 18, mas depende das tratativas com o Ministério da Saúde sobre a quantidade de doses da Coronavac que ficarão no Estado. "Estamos prontos para começar a qualquer momento", declarou.


O Secretário de Saúde de São Paulo Jean Carlo Gorinchteyn


A Coronav hoje é a única vacina disponível no país, depois do fracasso da tentativa de compra da vacina da AstraZeneca/Oxford, na Índia. O voo programado para trazer 2 milhões de doses do imunizante foi suspenso e os produtores informaram que o produto não está disponível. O novo entrave pode atrasar não apenas a chegada da vacina Oxford como também a produção da Fiocruz, que necessita importar a matéria-prima para a fabricação no país.


As duas vacinas serão avaliadas neste domingo pela Anvisa, a partir das 10 h.