A incerteza ronda restaurantes de Niterói na pandemia

Donos temem quebradeira e se queixam que prefeitura não dá informações


Por Carolina Ribeiro


Entregas por delivery continuam autorizadas. Foto: Gustavo Stephan


Quase 19 mil vagas de emprego foram fechadas em abril apenas no setor de bares e restaurantes no Estado do Rio. Devido à pandemia do coronavírus, os estabelecimentos ficaram impedidos de abrir ao público por risco de transmissão do vírus, podendo funcionar apenas por delivery. Em Niterói, o Plano de Transição Gradual Para o Novo Normal estabelece que o comércio de gastronomia pode adotar o sistema de “pague e leve” no estágio atual, o amarelo nível 2, mas a prefeitura não confirma a autorização. Empresários relatam insegurança sobre quais regras seguir, sobretudo pela indefinição de reabertura.


O dono de um restaurante na Região Oceânica, que pediu para não ser identificado, conta que, desde o início da pandemia, está de portas fechadas por não ter estrutura para adotar o serviço de entrega. Ele está atento às determinações da prefeitura, aguardando o dia que poderá reabrir, pelo menos, com o sistema de “pague e leve”, mas teme sofrer fiscalizações e multas.


- Vi no decreto que o cliente ia poder pegar a refeição no próprio restaurante, mas depois soube por amigos que isso ainda não estava autorizado. A gente fica com medo porque estamos fechados, sem arrecadar, e também não podemos arcar com multas por não seguir regras que desconhecemos - disse.


A prefeitura de Niterói, ao estabelecer o sistema de cores e estágios para classificar a situação da Covid-19 no município, decretou em 9 de junho que restaurantes a la carte poderiam funcionar com o serviço de entrega - que já estava liberado - e o de “pague e leve”, em que os clientes buscam a refeição nos restaurantes, a partir do estágio amarelo nível 2.


No entanto, em pronunciamento nas redes sociais, o prefeito Rodrigo Neves vem anunciando que neste estágio (amarelo 2) restaurantes devem seguir operando com o sistema de delivery, mas não cita o “pague e leve”. Questionada sobre esta incerteza, a prefeitura de Niterói não respondeu e não esclareceu quais operações podem ser realizadas.


- Tem cliente que mora perto ou que não quer aguardar o delivery ou até evitar a taxa de entrega e nos pede para buscar o pedido no restaurante. Mas a gente não deixa porque não sabe com clareza o que pode ou não pode. Estamos com muito prejuízo, precisamos saber quando poderemos reabrir - enfatiza Thereza Azevedo, que é funcionária de um outro restaurante.


A reabertura dos estabelecimentos, de acordo com o decreto, poderá ocorrer no amarelo nível 1 com metade da capacidade e restrições de funcionamento. O sistema de buffet/self service, segundo o documento, seguirá proibido em ambos os estágios. A prefeitura também não confirmou a informação.


Apesar do sistema de delivery continuar funcionando, o serviço não é o suficiente para gerar receita que possa arcar com todas as contas dos estabelecimentos. Um levantamento do Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (Sindrio) aponta que, em maio, o faturamento estimado do setor no Estado do Rio foi de R$ 156,3 milhões, uma queda de R$ 788,3 milhões na comparação com maio de 2019.


Nos primeiros cinco meses do ano, na comparação com igual período de 2019, o faturamento das empresas do setor recuou 31,6% (- R$ 1,6 bilhão). Esta baixa arrecadação já resulta em desemprego. Apenas em abril, foram fechadas 18.925 vagas de emprego no Estado do Rio somente neste setor.


Outro dado preocupante é sobre o fechamento de muitos estabelecimentos devido à crise. Apesar de não serem divulgados dados detalhados sobre o impacto em Niterói, a estimativa é que cerca de 20% dos bares e restaurantes não vão resistir até o retorno. A Associação Brasileira de Bares e Restaurante (Abrasel) informa ainda que, com uma retomada lenta devido a restrições e à crise financeira dos clientes, mais 30% dos estabelecimentos podem quebrar depois de reabrir.

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