A Niterói de Paulo Gustavo

Atualizado: Mai 7

Símbolo da cidade, o humorista e ator Paulo Gustavo sempre fez questão de levar Niterói para o cinema e para o mundo


Por Livia Figueiredo

Cena de "Minha Mãe é uma Peça 2", na padaria Beira Mar. / Foto: Divulgação Beira Mar


Nascido e criado em Niterói, o ator e humorista Paulo Gustavo fazia questão de capturar os cenários da cidade em seus filmes de grande bilheteria, como a trilogia "Minha Mãe é uma Peça". Paulo não escondia seu amor pela cidade. Sua personagem Dona Hermínia, conhecida pela sua sinceridade escancarada, é como a personificação de todas as mães. Uma junção de várias características de fácil associação. Todas as mães têm um pouco de Dona Hermínia. É inevitável. Paulo dizia e as pessoas assinam em baixo.


Entre os tantos lugares que Paulo eternizou em seus filmes estão a Praia de Icaraí, Boa Viagem, Campo de São Bento, a confeitaria Beira Mar e a Rua Moreira César. Um expoente de Icaraí, uma figura ímpar. Ele levou Niterói para o mundo através da arte, do cinema e do humor.


Depois que se mudou para o Rio, Paulo Gustavo gostava de visitar a Beira Mar, quando vinha para a cidade, para comprar uma sopa de queijo. Ele costumava ser cliente assíduo da padaria quando morava em Icaraí e batia ponto no local para fazer um lanche ou até mesmo para jantar.


Cenário de filme, Niterói para o mundo


Uma das sócias da Beira Mar, Maria Célia, conta que Paulo Gustavo ia à padaria para fazer um lanche ou jantar. A padaria virou cenário do sucesso "Minha Mãe é uma Peça 2". As gravações foram realizadas de madrugada e segundo Maria Célia foi muito representativo, porque além de ter sido uma experiência muito dinâmica, o ator fez questão de filmar na padaria.


- Ele tratava todo mundo muito bem. As pessoas adoravam ele. Até que ele se casou com o Thales e se mudou para Rio. A Dona Déa, mãe do Paulo, vem sempre aqui também ou telefona para cá. Ela diz que aqui é a extensão da casa dela. Quando ela vem, as pessoas a abordam porque o Paulo ficou muito conhecido. Estamos sentindo muito o que aconteceu. A gente e o país inteiro, né? Ele era uma pessoa maravilhosa. Sempre foi uma estrela. E colocou para todo mundo que era de Niterói, que pertencia aqui, e acabou divulgando muito nossa cidade - destaca.

Paulo Gustavo em "Minha Mãe é uma Peça 2", na confeitaria Beira Mar / Foto: Divulgação Beira Mar


A sopa de queijo da Beira Mar


Além do pudim de leite e da torta salgada, Paulo Gustavo era fã da sopa de queijo da Beira Mar e pedia para Dona Déa comprar quando vinha visitar Niterói. Maria Célia definiu a perda de Paulo como um "baque" em esfera nacional.


- Estamos sentindo muito o que aconteceu. Estávamos todos rezando por ele e isso foi um baque para todos nós - conta.


Trajetória em Niterói


Em Niterói, Paulo chegou a morar em Santa Rosa, Itaipu e boa parte da sua vida em Icaraí. O porteiro Acir Brito, do prédio onde Dona Déa mora, na Rua Miguel de Frias, em Icaraí, conta que Paulo Gustavo sempre estava de bom humor, muito amigo e sempre tratou as pessoas muito bem.


Acir conta que além de muito simpático, Paulo tinha um espírito solidário e sempre tentava ajudar as pessoas. Ele conta que sua esposa e sua filha são fãs do humorista e que sentiram muito a morte do ator em decorrência da Covid.


- A Dona Déa também é muito engraçada. O pai dele, o seu Julio, também ainda mora aqui, e sempre nos tratou muito bem. Eu fiquei muito triste com a notícia. O Paulo era um cara bom, uma pessoa super tranquila. Só que essa doença não escolhe nada. Não escolhe cor, nem condição social. Paulo Gustavo deixa um legado muito bonito porque ele correu atrás e conseguiu conquistar o que queria. Eu acho que vai ser difícil aparecer um humorista como ele. Pode ser que daqui a cem anos apareça. Vai fazer muita falta, mas sabemos que com certeza foi reservado um lugar especial para ele - afirmou.

O prédio que Paulo Gustavo e sua mãe, Dona Déa, moraram / Foto: Livia Figueiredo


Paulo Gustavo morreu na noite de terça-feira, aos 42 anos, depois de quase dois meses de internação para tratamento da Covid-19. Nove dias após dar entrada no hospital, ele foi intubado e teve altos e baixos na evolução do quadro clínico até o último domingo, quando sofreu uma embolia pulmonar, que causou lesões cerebrais irreversíveis.


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