A nova sala de aula

Fechamento das escolas de Niterói por causa da Covid-19 muda modelos de educação 


Por Aura Pinheiro


A pandemia do novo coronavírus trouxe desafios jamais imaginados para a educação. A casa é a nova sala de aula. E onde todos, alunos e famílias, se obrigaram a rever rotinas para se garantir no aprendizado dos filhos. O ensino público, obviamente, é o mais afetado pelo isolamento social. Escolas no topo do ranking das melhores no Enem mal iniciaram o ano letivo, como o colégio Pedro II, que tem uma de suas 14 unidades no Estado do Rio localizada em Niterói, no Barreto.

 

Na rede municipal da cidade, a prefeitura  lançou, mês passado, o Portal Educacional para quem pode estudar de casa entre 32 mil alunos. A plataforma disponibiliza conteúdo voltado para cada série fazer exercícios e tirar dúvidas. Mas como ficam os que nem têm sequer computador em casa? Pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) divulgada em 2019 mostra que 58% dos domicílios no Brasil não têm acesso a computadores e 33% não dispõem de internet.


Na rede particular, as escolas de Niterói tiveram que se  reinventar e adaptar projetos pedagógicos anuais em ritmo relâmpago. Com alternativas restritas às aulas online, videoaulas e outras atividades não presenciais, dependendo do segmento, o desafio maior é fazer com que os alunos tenham foco e disciplina em casa. E o pior: levando em conta que eles estão sempre empunhando seus indefectíveis celulares, que lhes roubam atenção e tempo.  Times de professores e equipes pedagógicas jogam em todas as direções para driblar tão poderosas dificuldades.


Sem o afeto e o contato físico essenciais, profissionais de educação buscam alternativas a distância para incentivar e mexer com a criatividade dos alunos em tempos  sombrios do desânimo.


No colégio Miraflores, em Icaraí, aulas de filosofia ao pôr do sol, por exemplo, não foram recolhidas à quarentena. E passaram a ser virtuais. Os encontros aconteciam uma vez por mês na área externa do Museu de Arte Contemporânea (MAC). A proposta é abordar, entre outras coisas, a questão da ansiedade dos alunos do 3º ano do Ensino Médio com a proximidade do Enem, que cresceu ainda mais com os rumos e as incertezas do Exame deste ano, que corre o risco de ter sua data adiada.


No Instituto Gay-Lussac, alunos do 6º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio participam do projeto virtual “Sociedade dos poetas vivos”. Eles se reúnem para encontros online de poesias autorais e de escritores consagrados, como Fernando Pessoa e Gabriel García Márquez, na aula de Produção Textual e Literatura.


Das  novidades virtuais, a live virou pop e a grande estrela nas redes sociais das escolas.  A escola canadense Maple Bear promoveu, recentemente, por meio da empresa de soluções educacionais Conexia Educação, um papo ao vivo com o apresentador Marcelo Tas. O tema do encontro, educação em família, traz reflexões sobre esse elo que vai crescer enquanto durar o isolamento social.


A pandemia traz mais convivência entre as famílias e desperta muitos pais para a importância de dar mais atenção ao aprendizado dos filhos. Também traz desencontros e choques. Como diz o sociólogo italiano Domenico De Masi, que vive no país entre os mais afetados pela Covid-19, o momento não é simples,  mas uma pausa para nos reconectarmos com quem somos e nossos verdadeiros sonhos.

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