Vacina que Presidente Bolsonaro não quer será a primeira no Brasil

Atualizado: 11 de Dez de 2020

Primeiras doses da Coronavac já chegaram ao país, e vacina será produzida no Butantan


A Coronavac é a vacina desenvolvida pela Sinovac Life Science, em parceria, no Brasil, com o Instituto Butantan - aquela que o Presidente Jair Bolsonaro chama de "vacina chinesa" e disse que o país não vai comprar.


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O Governo federal até tentou deixar para trás as bravatas do chefe, anunciando que o Brasil vai comprar, sim, toda vacina aprovada pela Anvisa. Mas as garantias não soam sinceras no Planalto, parecem com aquele anúncio em cadeia de rádio e TV de que o Brasil achou a cura para a doença, o vermífugo Anitta. Não dá para acreditar. A resistência do Planalto à vacina se torna ainda mais grave porque a vacinação já começou - e todos os países do mundos se apressam para garantir seu suprimento.


A Coronavac não é a única vacina disponível. Mas será a primeira e única disponível no Brasil para imunização em escada já a partir de janeiro. A vacina da Pfeizer já está sendo aplicada e está prestes de obter a certificação dos Estados Unidos. Mas o Brasil não fechou os acordos necessários para a compra, e está na fila atrás de países vizinhos como Argentina e Chile. A vacina Oxford, que foi a maior aposta do governo, terá que refazer relatórios e não estará disponível tão rapidamente.


O Presidente conseguiu politizar a Covid, desde o início, quando chamou a doença de gripezinha e questionou prefeitos e governadores que adotaram o isolamento. Dividiu o país entre aqueles que se apoiaram na ciência para enfrentar a pandemia e os que desfilavam sem máscaras confiantes na Cloroquina. Não foi por outra razão que o Gabinete teve mais de uma dúzia de contaminados, a começar pelo presidente.


Nem o crescente número de mortes - e já são mais de 170 mil mortes - fez Bolsonaro mudar o discurso. O presidente do Brasil reagiu contra a proposta de vacinação obrigatória, e anunciou, como se ainda pudesse ser exemplo, que não tomará a vacina. Nesta quinta-feira, 10, sustentou que a pandemia "está no finalzinho."


O estudo clínico da Coronavac chegou à fase final. E os resultados serão enviados pelo Comitê Internacional independente para análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa. Segundo estudos publicados pela revista científica Lancet, uma das mais importantes do mundo, a vacina mostrou que é segura e tem capacidade de produzir resposta imune no organismo 28 dias após sua aplicação em 97% dos casos.


Os testes no Brasil são coordenados desde julho pelo Butantan em 16 centros de pesquisa científica espalhados em sete estados brasileiros e no Distrito Federal, com 13 mil voluntários envolvidos. Niterói é uma das cidades que realiza testes com profissionais de Saúde.

Esta semana, o governo paulista pediu à Anvisa para liberar o registro da vacina e apresentou um plano de vacinação com início agendado para 25 de janeiro. O plano nacional de imunização do Ministério da Saúde está previsto para início em março.

O movimento gerou novo confronto. O Ministério da Saúde chegou a anunciar que levaria pelo menos 60 dias para a Anvisa analisar o pedido - isso quando o Reino Unido apressou os testes para o início imediato da imunização. Como de costume, as autoridades federais voltaram atrás.


A Anvisa chegou a se envolver no embate político, quando se esperava dela uma condução técnica do assunto. A Agência suspendeu os testes com a vacina no Brasil, depois que o Butantan revelou que um voluntário morreu, por outros problemas que não podiam ser relacionados com o estudo. O Presidente chegou a festejar como "mais uma vitória do Jair" - o único chefe de estado do mundo a comemorar o atraso na busca de uma cura para a doença.


A vacina agora está pronta. E ficou claro que o Brasil não tem um plano para a vacinação. Não fez os acordos necessários para a compra dos imunizantes, nem se preparou para a aplicação da vacina. O único acordo fechado pelo Brasil para dispor da vacina rapidamente e em grande escala foi firmado pelo governo de São Paulo, com Instituto Butantan e com a promessa de recursos do Ministério da Saúde. Além da entrega imediata - e São Paulo já recebeu os primeiros lotes - a vacina poderá ser produzida no Brasil. Ontem, a vacina entrou em fase de fabricação no país.


Niterói assegurou o seu lote, e poderá fazer a vacinação no início de 2021.



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