Abraços virtuais

Enfermeira da Emergência do Hospital Icaraí pega Covid-19 e volta ao trabalho


Foto: Hospital Icaraí


- Eu tive que dar muitos abraços virtuais no meu filho, de longe. A gente esticava os braços e sentia a presença um do outro. Ele sempre perguntava quando poderia me abraçar de verdade e beijar de novo. Isso partia meu coração. Mas em todo o momento tive em mente que o afastamento era para o nosso bem - conta Gilana Rodrigues Mozer Nantes, profissional de saúde há 15 anos e hoje coordenadora de Enfermagem da Emergência do Hospital Icaraí.


Gilana chefia uma equipe de 57 pessoas, todos eles enfrentando agora a situação atípica de uma pandemia.


- Quem é enfermeiro continua na profissão porque tem o dom de cuidar, e tem que ter empatia em olhar para os pacientes como eles são, o amor de alguém - diz a enfermeira, homenageada nesta terça pelo Dia Mundial do Enfermeiro.


Apesar de o hospital seguir todas as recomendações da OMS e seus funcionários usarem Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), Gilana teve Covid e precisou passar por um período de isolamento, longe do marido e do filho de 9 anos. Ela teve o suporte do marido, que passou por uma cirurgia recentemente.


- Antes eu fazia tarefas em casa, cuidava dele, que estava precisando enquanto se recuperava. Depois tudo se inverteu, e ele teve que tirar forças de onde não tinha - diz ela.


A coordenadora afirma que a maior preocupação dos trabalhadores da saúde tem sido não contaminar outras pessoas. Por isso, segundo a assessoria de imprensa do hospital, os funcionários recebem treinamentos sobre os protocolos e a checagem de equipamentos e paramentação diariamente.