Adoção de animais de estimação cresce durante a pandemia

Atualizado: Mai 18

Além do maior interesse pela causa, vendas de produtos e serviços do mercado de pet aumentaram 14% em 2020


Por Livia Figueiredo

Da direita para esquerda, Capitu e Chico / Foto: Mariana Freitas


Em tempos de desamparo, os pets ganham uma dimensão ainda mais especial. Após mais de um ano de pandemia, os companheiros de quatro patas passaram a preencher os espaços de afeto, entregando, em troca, um amor difícil de ser traduzido pelos seus tutores. O fato é que a pandemia de Covid-19 aumentou significatimente a procura por animais de estimação. Segundo a página "Adote Niterói", perfil que divulga pedidos de ajuda e adoção de animais na cidade, o crescimento não se deve apenas à pandemia, mas também ao fato de que o interesse pela causa apresentou uma alta nos últimos tempos que antecedem à Covid.


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Recém-formada em Direito e moradora de Niterói, Mariana Freitas conta que já tinha tido uma cachorrinha antes da pandemia e sentia muita falta de ter um pet em casa. Ela tinha o plano de adotar um cachorro, até porque já havia participado como voluntária de ONGs que resgatavam cachorros.


- Eu já compreendia a importância da adoção. O momento é que foi uma surpresa. Adotei a Capitu em 2020, pouco depois do início da pandemia, acredito que em meados de maio/junho. Acho que muitas coisas mudaram, desde ter a companhia dela durante esse tempo que passei a ficar exclusivamente em casa, o que foi até uma forma de distrair um pouco, até o fato de que ela me fez adotar hábitos um pouco mais saudáveis, como, por exemplo, andar mais a pé - conta, rindo.

Capitu / Foto: Mariana Freitas


Mariana diz que correr é a atividade favorita da Capitu, principalmente quando desce para um passeio pela quadra do seu prédio e pode tirar a guia dela. Antes da pandemia, Mariana atuava como voluntária em campanhas de adoção e conta que geralmente passava uma parte da tarde em alguns lugares com os cachorros que estavam precisando de um lar.


- Sempre quando podia ajudava monetariamente na compra de ração ou de medicamentos. Acho que, no fim, foi o trabalho incrível das ONGs de resgate de animais que me fez ter noção da quantidade de cachorros que precisavam de ajuda e a importância de adotar ao invés de comprar um animal - explica.


Foram as demandas da Capitu e o tempo de dedicação a ela, para diversas atividades como brincar, cuidar e educar, que fizeram - e ainda fazem - com que ela esqueça um pouco o medo e a insegurança associados a esse cenário de pandemia.


- Isso sem contar as doses de carinho diárias que a gente acaba recebendo e ajudam também a confortar a gente. Não consigo nem imaginar como seria passar por tudo isso sem a companhia canina em casa dando todo o suporte - diz.


A advogada Juliana Mello conta que antes da pandemia também já pensava em adotar, mas faltava coragem por estar ainda no processo de adaptação de morar fora da casa dos seus pais. Ela explica que o estalo veio quando percebeu que podia cuidar de uma casa sozinha, e, assim, optou pela adoção.


- Ganhei uma companheirinha para todos os momentos e, acima de tudo, uma forma de amor e afeto que não conhecia. Como a Pagu foi adotada há aproximadamente dois meses, ainda não fizemos muitas atividades na rua. Até agora o passeio de bike tem sido sua atividade preferida. Penso em adotar mais, porém não por agora - afirmou.

Juliana Mello e Pagu / Foto: Arquivo pessoal


Nascida e criada em Niterói, Barbara Giorgis conta que sua relação com pet remonta seu tempos de infância. Criada desde sempre em um ambiente rodeada por muitos cachorros, assim que se mudou, logo pensou em quem seria sua companheira nessa nova jornada. A resposta já estava a perseguindo esse tempo todo.


- A Sexta foi a minha primeira cachorra. Foi a que me fez sair do papel de “irmã de pet” e me tornar uma tutora com 100% das responsabilidades que envolve um animal. Ela foi a primeira e eu a adotei há quatro anos, resgatei da rua mesmo. O Dip, meu segundo pet, surgiu acompanhado de uma ONG, a qual eu ajudo e respeito muito, chamada "Garra Animal". Foi amor à primeira vista! O Benji, o terceiro, veio junto com meu namorado quando decidimos morar juntos. Por fim, na quarentena, nos mudamos para uma casa maior que cabem mais animais e chegou nosso quarto integrante, também da ONG da Garra, o Kai. Estamos apaixonados neste pequeno cheio de pintinhas! - conta

A trupe toda / Foto: Barbara Giorgis


Fora do período de isolamento, Barbara confessa que adora ir à praia com os cachorrinhos. Dip curte a água, já a Sexta e o Benji gostam mesmo é de correr. O pequeno Kai, mais novo membro da família, ainda não teve a oportunidade de ir à praia, mas, em breve, ela garante que irá levá-lo para um passeio.

O pequeno Kai / Foto: Barbara Giorgis


Questionada sobre a possibilidade de adotar mais pets, Barbara diz que a vontade de adotar nunca passa, mas acredita que, por enquanto, está de bom tamanho. "É importante termos consciência dos gastos e responsabilidades que um novo animalzinho nos traz", justifica e ressalta que a ideia está fora de cogitação no momento, mas quem sabe no futuro?


Não é só o interesse por cachorros que tem crescido durante a pandemia, mas também a vontade de adotar um companheiro felino. Como é o caso do estudante e morador de Santa Rosa, Thiago Borges, que adotou a Akasha recentemente. Ele diz que a motivação partiu primeiramente do seu apego ao cotidiano nos últimos anos, já que sempre conviveu com animais, sendo a maioria cachorro. Outra possível explicação também é o fato de unir o útil ao agradável e ter a oportunidade de dar um lar para um animal, tirando ele da situação de rua e do desamparo.


- Tenho tias que trabalham com recuperação de animais de rua, portanto tenho o mínimo de conhecimento sobre o problema. Ao mesmo tempo tem também o prazer do convívio. A Akasha gosta de brincar o tempo todo, seja com uma fio sendo puxado, chinelo, bola, além de, é claro, receber carinho, mas não sei se isso conta como atividade - destacou.

Akasha / Foto: Thiago Borges


Thiago conta que quando vê alguns cachorros ou gatos na rua sente vontade de adotar, mas tem a consciência de que no momento não há mais possibilidades físicas e nem financeiras. Além de tudo, sua rotina atual não permite a adoção de mais um pet.


Cresce interesse pelo mercado de pet


O interesse pelo universo dos pets pode ser explicado também por números: a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) indentificou que, no Brasil, as vendas de produtos e serviços do mercado de pet no ano de 2020 corresponderam a US$ 7,3 bilhões, um aumento de 14% em relação ao ano anterior. Considerando o período de março de 2020 até o momento foram abertos, só em Niterói, 103 CNPJs para comércios que prestam serviços para pets, deste total, 84 são MEIs. Em Icaraí foram abertas 6 lojas físicas e 11 MEIs, no Fonseca, 2 estabelecimentos e 12 MEIs e, em Piratininga, 1 estabelecimento e 8 MEIs.


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