Aglomerações de fim de ano já agravaram Covid e terão impacto maior, diz médico de Niterói

Gestor do CTI do Hospital Icaraí teve de abrir nova área para pacientes graves com Covid


por Silvia Fonseca


O Hospital Icaraí: mais um CTI para atender pacientes com Covid em estado grave


Um das maiores unidades da rede privada de saúde de Niterói, o Hospital Icaraí precisou abrir um novo CTI em meio às festas de fim de ano para atender pacientes com Covid-19, que passaram a chegar em maior número e em estado grave. Os casos de novos infectados e de mortes por complicações decorrentes do coronavírus têm registrado sucessivos recordes desde dezembro em Niterói, tornando essa segunda onda da doença mais alarmante que no pico de maio/julho.


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Gestor do CTI para Covid do Hospital Icaraí, o médico Daniel Thiengo enfrenta diariamente a pandemia e a crescente demanda por tratamento de CTI nos últimos dias:


- Sim, estamos recebendo mais casos no CTI, tanto que tivemos a abertura de um novo CTI em meio às festas de fim de ano para suprir uma necessidade, uma demanda de pacientes em estado grave de Covid que não estávamos conseguindo receber. Então foi aberto um novo CTI para isso - diz ele.


O especialista e gestor vê uma relação entre esse aumento de casos e as festas de fim de ano. E prevê um cenário ainda mais preocupante, no que a também médica e pesquisadora Margareth Dalcolmo, da Fiocruz, já chamou de “o janeiro mais triste da história”:


- É óbvio que as aglomerações que ocorreram vão ter impacto. É notório e já vemos esse aumento. E deve crescer ainda mais essa demanda no decorrer de janeiro. O impacto que essas festas terão na transmissão do Covid pode ter um efeito um pouco mais demorado até atingir a população mais idosa, que é mais vulnerável, e assim elas chegarão em maior volume do que vem chegando.


Daniel Thiengo diz isso porque também já constatou aumento no número de jovens infectados pela Covid, por causa das aglomerações, embora eles não sejam maioria no CTI.


- A faixa etária dos pacientes que ficam em estado grave é, em média, mais alta, com certeza, do que 45 anos. Porém existe realmente uma demanda maior por parte dos pacientes mais jovens do ponto de vista ambulatorial. Ou seja, realmente estamos recebendo casos de pacientes mais jovens, mas esses pacientes não chegam a internar no CTI. Quem continua internando no CTI ainda é uma população mais idosa.