Alta nos preços dos alimentos assusta, e consumidores de Niterói já sentem o impacto

Quem compra reclama do aumento dos produtos da cesta básica; arroz, feijão, leite, queijos, carne e óleo estão entre os que mais subiram nos supermercados

por Suzana Moura


Hora do espanto: preços nas alturas assustam consumidores


Em plena pandemia, a cesta básica ficou (bem) mais cara. O preço do arroz começa a tirar o sono de muita gente, e há supermercados que já começam a limitar o número de produtos para venda porque não podem pagar tão caro ao fornecedor e temem desabastecimento. Não só arroz, mas também feijão, leite, carne e óleo de soja passaram por um aumento significativo de preço nos últimos dias.


O setor supermercadista vem sofrendo forte pressão de indústrias e fornecedores. A dona de casa Silvana Ferreira, de 52 anos, diz que teve que “rir para não chorar” esta semana no Hortifruti da Rua Moreira César, em Icaraí, quando pegou uma bandeja com pouco mais de um quilo de peito de boi por R$ 42.


- A carne vem subindo de preço há mais tempo, mas está tudo uma loucura. O preço do peito de boi não passava de R$ 18, R$ 20 e poucos. Não se acha mais caixinha de leite por menos de R$ 5. O preço do feijão está pela hora da morte. Meu marido outro dia conferiu a conta do supermercado e achou que estava errada a cobrança quando viu o quanto eu tinha pagado pelo pacote de feijão - protesta ela.


A mozzarella de R$ 60 chegou a virar meme na cidade, mas não era exclusividade do Hortifruti. Outros preços dos queijos subiram em todos os mercados. E com o sistema de compras por delivery, muitas vezes o comprador só descobre o preço depois. Tarde demais.


Nos últimos 12 meses, a cesta básica do brasileiro subiu 20%. O arroz sofreu reajuste de até 320% no período, com um saco de 5kg chegando a custar R$ 40 para o consumidor. Por temer desabastecimento, algumas redes supermercadistas já começam a limitar a quantidade que vendem a cada consumidor dos produtos que tiveram as maiores altas.


Um dos mercados de bairro mais movimentados do Centro de Niterói, o Supermercado Garritano já começou a sentir os impactos da alta. O óleo de soja, por exemplo, que custava cerca de R$ 4,90, subiu para R$ 7. O subgerente do local, Leandro Fernandes, relata que os clientes já começaram a reclamar do preço, mas que o estabelecimento ainda não foi totalmente impactado pela alta de todos os produtos da cesta básica.


- Ainda não fomos impactados pelo preço do arroz, por exemplo, porque compramos em grande quantidade. O arroz que estou vendendo hoje foi comprado há 15 dias atrás e ainda tenho em estoque. Na próxima compra vamos sentir o peso desse aumento. O que posso afirmar é que o preço do óleo já está gerando insatisfação dos clientes - conta.


A Associação Brasileira de Supermercados (Abras), que representa as 27 associações estaduais, vê essa conjuntura com muita preocupação, por se tratar de produtos da cesta básica da população brasileira. De acordo com a Abras, a alta se deve ao aumento das exportações destes produtos e de sua matéria-prima, e a diminuição das importações desses itens, motivadas pela mudança na taxa de câmbio, que provocou a valorização do dólar.


- Reconhecemos o importante papel que o setor agrícola e suas exportações têm desempenhado na economia brasileira. Mas alertamos para o desequilíbrio entre a oferta e a demanda no mercado interno para evitar transtornos no abastecimento da população, principalmente neste momento de pandemia - diz o porta-voz da Abras.


Segundo a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), a situação será apurada para saber o motivo do salto no preço desses produtos. A secretaria declarou ainda que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e o Ministério da Economia se comprometeram a enviar dados e informações necessários, principalmente relacionado à parte do comércio exterior. Somente diante disso, serão avaliadas as alternativas para garantir a competitividade nesse setor e, principalmente, para que não falte produtos da cesta básica para o consumidor brasileiro.