A corrida pela vacina contra a Covid

Atualizado: Jan 6

Coronavac, vacina de Oxford e imunizante indiano importado por clínicas particulares poderão estar disponíveis já em janeiro



Niterói poderá ter pelo menos três vacinas disponíveis em janeiro: a Coronavac, do laboratório chinês Sinovac e comprada pela Prefeitura de Niterói do Instituto Butantan, a vacina AstraZeneca de Oxford, que começou ser aplicada nesta segunda-feira (4) no Reino Unido e será produzida no Brasil pela Fiocruz, e a vacina indiana, encomendada por laboratórios privados. A vacina da Pfizer, a primeira a ser aplicada na Europa e nos Estados Unidos, não entra na lista porque o Ministério da Saúde não apresentou qualquer pedido de compra.


A discussão, agora, passa a ser o calendário de vacinação. O anúncio de que a Fiocruz pretende comprar 2 milhões de doses prontas da vacina da AstraZeneca/Oxford pode apressar a aplicação do imunizante. A Fiocruz entrega nos próximos dias o pedido de regularização para a Anvisa. O Ministério da Saúde até agora não tinha nenhum plano de vacinação - e ainda faltam seringas para a aplicação de qualquer vacina -, mas o acordo permite iniciar rapidamente a campanha, o que pode ser anunciado ainda esta semana.


A Coronavac


O plano de vacinação mais adiantado é o do governo de São Paulo, que conta com a vacina chinesa que será coproduzida no Instituto Butantan. O Governador João Dória anunciou que o programa será iniciado dia 25 de janeiro, embora os pedidos de validação da vacina ainda não tenham sido apresentados à Anvisa. O resultado dos testes da fase três realizados no Brasil não foram apresentados pela empresa na semana passada, mas ainda assim o Instituto pretende pedir a validação à Anvisa.A Fiocruz também trabalha com este prazo. A Coronavac é a mesma vacina que foi comprada pela Prefeitura de Niterói.


A Prefeitura de Niterói fechou um acordo com o Instituto Butantan, em São Paulo, para comprar 1,1 milhão de doses da vacina Coronavac, no valor de R$ 57 milhões. As primeiras 300 mil vacinas chegarão à cidade no fim de janeiro para profissionais de saúde e idosos. O pacote é suficiente para imunização de todos os moradores de Niterói. No calendário anunciado pelo então Prefeito Rodrigo Neves seriam 300 mil doses disponíveis no fim de janeiro para profissionais de saúde e idosos, outras 300 mil doses para o fim de fevereiro, distribuídas aos cidadãos com comorbidades e profissionais de educação, e outras 500 mil para o restante da população durante o primeiro semestre, até maio. A vacina de Oxford A vacina AZD 1222, desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca começou a ser aplicada nesta segunda-feira no Reino Unido. A liberação do produto põe o Brasil mais perto da vacina. "Esta vacina deixa de ser uma candidata promissora para ser uma vacina que será produzida pela Fiocruz e uma resposta à saúde pública brasileira”, destaca a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima.


A vacina tem entre 62% e 90%, dependendo da forma de aplicação. A menor dosagem se mostrou mais eficiente que a dose dupla, permitindo atender um número maior de pessoas.


- No primeiro semestre podemos ter 100,4 milhões de doses para oferecer para 50,2 milhões de brasileiros. Pelo protocolo anunciado, que permite a aplicação de meia dose, as mesmas 100,4 milhões de doses poderão ser utilizadas na vacinação de cerca de 65 milhões de pessoas. E no segundo semestre, com a produção 100% nacional na Fiocruz e mais 110 milhões de doses, poderemos vacinar mais 71,5 milhões de pessoas. Isso coloca o país numa posição privilegiada entre as nações que terão um grande número de doses para as suas populações - anunciava, no fim de novembro, o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Krieger.


Na mesma época, o diretor do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Mauricio Zuma, lembrava que o imunizante de oxford apresenta outras vantagens: “Estamos trabalhando com uma expectativa de produção de 210,4 milhões de doses em 2021, com um valor por dose extremamente acessível, entre US$ 3 e US$ 4 e uma vacina que pode ser armazenada e transportada na temperatura de 2-8oC, podendo ser distribuída e armazenada utilizando toda a logística já existente no Programa Nacional de Imunizações (PNI/MS). Nossas equipes estão se dedicando muito e vamos entregar uma vacina segura e de qualidade para a população brasileira”.


A vacina da Pfizer


Outra vacina já em uso, na Europa e nos Estados Unidos, é o imunizante BNT 162b, criado pelo laboratório alemão BioNTech e pela farmacêutica Pfizer.

A vacina da Pfizer/BioNTech usa uma nova tecnologia do RNA mensageiro. Tem cerca de 95% de eficácia, mas dificilmente será aplicada a curto prazo no Brasil. Primeiro, porque o país perdeu a hora de reservar a compra e também pelos cuidados exigidos na manipulação. A vacina precisa ser mantida a temperaturas muito baixas, precisa de refrigeração a -70ºC e seu custo está estimado em mais de US$ 20.

A vacina indiana


Mais uma vacina contra a Covid-19 poderá chegar ao Brasil nos próximos meses, seguno o jornal O Globo. Dessa vez, é a produzida pelo laboratório indiano Bharat Biotech, que está sendo negociada com a Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (ABCVAC), de acordo com a própria organização brasileira, que afirmou, neste domingo, 3, tentar a compra de cinco milhões de doses do imunizante.


Chamado de Covaxin, o imunizante teve seu uso emergencial autorizado pelas autoridades daquele país também neste domingo e dependeria, naturalmente, da autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser usado no Brasil.


Na Índia, a vacina está em fase três de testes, que é a etapa em que a eficácia é verificada. A agência Reuters publicou que, mesmo em meio a criticas sobre a falta de informações que comprovem a eficácia do imunizante, o país aprovou seu uso emergencial. Os primeiros estudos mostraram que a Covaxin produz anticorpos para o novo coronavírus e não gera efeitos colaterais graves.


De acordo com Geraldo Barbosa, presidente da ABCVAC, há a expectativa de que o resultado da terceira fase dos testes saia já em janeiro. Confirmando-se esse prazo, o laboratório deve entrar em fevereiro com pedido de registro definitivo na Anvisa. Neste cenário, há otimismo para que a vacina esteja disponível em clínicas particulares na segunda quinzena de março.

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