Anvisa aprova Remdesivir contra Covid, mas médico alerta: 'Não é notícia miraculosa'

Roberto Medronho apontou o alto custo do medicamento e afirmou que os resultados positivos do uso ainda são tímidos

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, nesta sexta-feira, a aprovação do primeiro medicamento com indicação em bula para tratamento de pacientes infectados pela covid-19, o antiviral Remdesivir.


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A mesma medicação, da biofarmacêutica americana Gilead Sciences, também foi aprovada no ano passado para uso como medicamento oficial para o tratamento da covid-19 pela Food and Drug Administration (FDA), órgão norte-americano equivalente à Anvisa.


Em conversa com a "Globonews", o infectologista da UFRJ, Roberto Medronho, comentou a aprovação do medicamento, mas fez ressalvas.


— É uma notícia boa, mas não é uma notícia miraculosa. [O Remdesivir] tem que ser usado com muita parcimônia. O risco de morrer só foi visto em um dos oito grupos estudados — destacou Medronho, que também integra o Comitê Científico de Niterói.


Segundo o especialista, os estudos com o Remdesivir ainda estão em andamento, e uma publicação consistente sobre o medicamento está prevista para maio. O que se sabe até aqui é se que se trata de um produto caro, e o SUS terá que avaliar o custo-benefício para a inclusão na rede pública.


— Sinceramente, aqueles que têm maior poder aquisitivo vão ter acesso. O que temos que ver é se vale a pena o SUS absorver esse medicamento, com risco desse dinheiro faltar para recursos mais essenciais — avaliou.