Após Rio adiar a volta às aulas da rede municipal, Niterói ainda define retorno

Cidade ainda decide se será adotado o modelo híbrido ou on-line; capital fluminense e São Paulo recuam nos planos


Por Livia Figueiredo

Foto: Reprodução da internet


A preocupação com os efeitos da pandemia levou a Secretaria Municipal de Educação do Rio (SME) a adiar em duas semanas o início da segunda fase do ensino presencial (3º ao 5° ano, 6° ano Carioca e 9º ano), que começaria nesta quarta-feira (17/03). Dessa forma, apenas os estudantes da pré-escola, 1° e 2° ano, com idades em média entre 4 e 8 anos, terão aulas presenciais este mês. Em Niterói, o retorno das aulas ainda não foi definido. Em nota, a Secretaria Municipal de Educação e Fundação Municipal de Educação informou que a decisão do formato a ser adotado será tomada nos próximos dias, com base na ciência, e que o plano de reabertura das escolas será divulgado em detalhes, caso seja definido o retorno híbrido.


De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a Prefeitura mantém as decisões de restrição de atividades, assim como a retomada, baseadas nos indicadores do Plano de Transição Gradual para o Novo Normal, método adotado desde maio de 2020. A SMS destaca que a dinâmica de todo o processo é condicionada pelo comportamento dos cidadãos e pelo ciclo da epidemia e afirma que segue monitorando e avaliando todos os indicadores e, caso haja necessidade, ampliará as medidas restritivas.


A Prefeitura de Niterói afirmou que todas as 94 unidades da rede municipal vão passar pelo processo de desinfecção a cada três meses com o produto à base de sais quaternários de amônio, o mesmo que foi utilizado na sanitização de todas as ruas e comunidades da cidade.


Cerca de 36% dos pais concordam com o retorno presencial em Niterói


Em Niterói, a consulta pública com responsáveis dos alunos da rede municipal de ensino revelou que apenas 36,8% concordam com o retorno do ensino presencial. A pesquisa ainda revelou que 82,55% dos participantes são favoráveis ao retorno das atividades escolares e 20,2% preferem manter o ensino remoto, já 18,6% optaram pelo sistema híbrido e 17,4% discordam totalmente com a volta às aulas.


A medida de adiar em duas semanas o início da segunda fase do ensino presencial, no Rio de Janeiro, é uma forma de conter a disseminação do coronavírus, uma vez que a cidade superou 90% da taxa de ocupação de UTI e em alguns municípios já não há mais leitos disponíveis. O percentual de vagas ocupadas por pacientes graves de Covid-19 no início do mês de março era de 88% e, apesar da abertura de novos leitos, se mantém acima desse patamar. Nesta segunda-feira, 15 de março, foi anunciado que o Rio de Janeiro tem 130 pacientes com Covid-19 na fila de espera por leito da UTI. Outros 50 pacientes também aguardam para internação em leitos de enfermaria.


No Rio, 80% dos pais optaram pelo retorno presencial

Segundo o secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha, a segunda fase foi adiada com o objetivo de priorizar o avanço da primeira, focando assim na alfabetização e na educação infantil. Ele afirma que cerca de 80% dos pais optaram pelo retorno presencial dos alunos.


Nesta terça (17), o ministro da Educação, Milton Ribeiro, pediu ao novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que o governo dê prioridade para a vacinação contra a Covid-19 de cerca de 3 milhões de professores para que as aulas presenciais possam ser retomadas o mais rapidamente possível. Queiroga é o quarto ministro convidado para assumir a pasta desde o início da pandemia. Ele é presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia e já havia manifestado seu interesse na volta às aulas presenciais.


Aulas suspensas em São Paulo


Na última sexta-feira (13), a Prefeitura de São Paulo já havia anunciado a suspensão das aulas presenciais da rede municipal, estadual e particular de ensino. A suspensão contempla o período do dia 17 de março a 1° de abril. Segundo o prefeito Bruno Covas, a medida é uma tentativa de frear o avanço da pandemia e reduzir a circulação de pessoas nas ruas.


Em relação às escolas municipais, especificamente, a gestão decidiu antecipar o recesso de julho durante o período. As aulas serão retomadas no dia 5 de abril. Ficou estabelecido que a rede particular poderá adotar outra medida, desde que respeite a determinação de não receber alunos presencialmente.


Fase emergencial


A fase emergencial prevê regras mais rígidas de funcionamento da fase vermelha da quarentena, em São Paulo. As medidas passaram a valer desde segunda-feira, 15 de março, e devem permanecer até o dia 30. Nela, ficou previsto o toque de recolher a partir das 20h às 5h. Foi determinado ainda o teletrabalho obrigatório para atividades administrativas não essenciais. Foi também vetada a retirada presencial de mercadorias em lojas ou restaurantes. Apenas serviços de delivery poderão operar.