Apesar da pandemia, eleitores de Niterói decidem comparecer às urnas

Atualizado: Nov 15

Moradores falam das expectativas para a eleição neste domingo (15) e dos seus receios

Por Livia Figueiredo


População está mobilizada para a eleição, apesar dos cuidados com o coronavírus. Foto Gustavo Stephan


Uma eleição atípica, impactada pela pandemia da Covid. Campanha sem aglomeração devido ao isolamento social, orçamento reduzido, regras reformuladas. Às vésperas das eleições municipais deste domingo (15), desponta a dúvida: votar ou não votar por receio da Covid? Será que a pandemia irá repelir parte dos eleitores ou eles irão às urnas para decidir quem irá administrar a cidade em um dos momentos mais desafiadores da história?


O A Seguir: Niterói conversou com alguns moradores da cidade para traçar um possível cenário quanto às suas expectativas em relação às medidas necessárias para a retomada econômica, controlar a disseminação do vírus e socorrer a população que carece de um apoio ainda mais eficiente nesses tempos.

Nas últimas semanas, os candidatos a Prefeito da cidade não deixaram de marcar presença nas ruas, conversando com seus eleitores sobre seus projetos, sem deixar de lado os protocolos exigidos para o controle da pandemia. Niterói, que tem a tradição de um alto comparecimento às urnas, que gira em torno de 80%, agora tem que decidir entre os nove candidatos a prefeito, além de escolher um vereador, entre os mais de 700 inscritos. Mas a permanência prolongada do Alerta Máximo no estágio Amarelo-2 pode influenciar na decisão dos moradores de ir às urnas, principalmente idosos, que estão sujeitos a um risco ainda maior de complicações.


A fotógrafa Ana Christina Braga, de 50 anos, diz que uma vez que as normas de segurança sejam respeitadas, não haverá problema algum. Para ela, a pandemia não vai intimidar o cidadão que deseja fazer valer a sua opinião e sua vontade.


-Essa não é hora de ficar em casa, é para sair e ir votar sim – declarou a fotógrafa.


A farmacêutica Julia Balestrero, 26 anos, compartilha da mesma opinião. Ela diz que é pertinente a preocupação de ir às zonas de votação e se deparar com filas grandes e pessoas que na respeitam as normas de segurança, porém garante que irá colaborar com o que está ao seu alcance:


-A minha parte será feita, tanto em relação às eleições, quanto com os cuidados e normas de segurança - destaca.


Apesar da idade avançada e dos riscos envolvidos, a professora Sônia Regina, de 71 anos, não deixará de votar amanhã. Ela conta que irá acompanhada da filha. Apesar do receio, por conta da pandemia, ela diz que acredita que será um clima tranquilo, pois vota perto de casa e nos últimos anos não teve nenhum tumulto.


A professora de inglês Marise Avilez, que vem cumprindo o isolamento social com muita disciplina, inclusive ministrando todas suas aulas online, relata que não abrirá mão de exercer o seu direito, pois considera as eleições uma etapa importante para a consolidação da democracia.


-Obviamente tomarei todos os cuidados necessários para evitar a contaminação. Eu amo essa cidade e quero vê-la bem administrada – afirma a professora.


No entanto, há aqueles que preferem não assumir o risco, como é o caso da aposentada Maria dos Anjos, de 87 anos. Consciente da importância de comparecer às urnas, ela não deixou de participar da eleição presidencial em 2018, pois se sentiu na responsabilidade de usar o seu direito de escolher seu representante. Apesar do voto não ser obrigatório, naquela eleição, preocupada com o rumo que o país poderia tomar e tendo em vista a disputa acirrada da época e que qualquer voto poderia ser decisivo, ela não hesitou em comparecer às urnas. Já esse ano, ela considerou mais prudente não assumir o risco, já que tem cumprindo o confinamento com rigor, não saindo de casa para nada.


A professora aposentada Eugênia Maria de Lima, de 74 anos, diz que não irá cumprir a obrigação de votar porque prefere não se expor, já que os casos da Covid estão aumentando. “No momento não devia nem haver eleição”, complementa.


Já Wanderlina de Brito Monteiro, também de 74 anos, confessa estar indecisa devido ao receio gerado pelo alto risco relacionado à saúde. Mas, ao mesmo tempo, diz que não quer deixar de votar, pois deseja exercer seu papel como cidadã.


-Como eu vou tentar melhorar minha cidade? Eu quero Niterói melhor para o meu neto e para todas as crianças. Eu aprendi desde nova com meus pais que enquanto eu estiver viva, com condições de votar e de exercitar o meu poder de escolha como cidadã para dirigir a nossa cidade, eu o farei. Estou com o título e tudo organizado, mas ainda não tomei minha decisão – declara.


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