Manifestação bolsonarista em Icaraí tem ameaças à democracia e defesa da ditadura militar

Ato pró-governo reuniu milhares em Niterói, em defesa de pautas antidemocráticas; em Brasília, Bolsonaro ameaça o STF

Manifestantes na Praia de Icaraí. Foto: Reprodução


Milhares de pessoas tomaram as pistas da Praia de Icaraí na manhã deste Sete de Setembro, atendendo à convocação do Presidente Jair Bolsonaro. Os manifestantes vestiam camisas com as cores da bandeira, especialmente as camisas da seleção, uma marca adotada ainda durante a campanha eleitoral. Assim como a exaltação a Deus, à pátria e à família. Nas faixas, cartazes e nos discursos, foram recorrentes os ataques ao Congresso e à Justiça e a defesa da ditadura militar.


Editorial: Manifestação de 7 de Setembro não pode ser ameaça à democracia


A manifestação seguiu o roteiro de outros atos promovidos pelo Presidente em Brasília, São Paulo e no Rio, como uma demonstração de força, uma tentativa de intimidação do Supremo Tribunal Federal, que tem investigado os atos do governo, de seguidores e da família Bolsonaro. Em Brasília, o Presidente disse que pretende exibir a foto da manifestação para os ministros do Supremo e, mais uma vez, ameaçou a ordem democrática.

Faixa com dizeres antidemocráticos em Icaraí. Foto: Reprodução


Em Niterói, a manifestação começou cedo, com gente chegando de diversos bairros, e ocorreu com tranquilidade, sem incidentes. Na multidão havia muita gente com camisas, faixas e bandeiras revivendo o lema Integralista "Deus, pátria e família", usado pela extrema direita desde a década de 1930. Os discursos contra o comunismo e o PT eram frequentes. Outros cartazes traziam um dos slogans da propaganda da ditadura: "Brasil: ame-o ou deixe-o".


No meio do ato, um grupo de pessoas posava para fotos com uma grande faixa, que trazia algumas das pautas defendidas pelos manifestantes. Entre as reivindicações, estava o voto impresso e auditável — o que já ocorre no sistema eletrônico —, a liberação das armas, a instauração de um tribunal militar, a destituição dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o que os manifestantes chamam de "nova constituição anticomunista".


Cartazes uniram lemas do Integralismo e da ditadura. Foto: Reprodução


A convocação para os atos desta terça-feira começou há cerca de dois meses, quando teve início a escalada de ataques de Bolsonaro aos outros poderes da República, em especial ao STF. Oficialmente, as pautas defendidas pelos manifestantes pró-governo são a liberdade e a defesa de valores conservadores. Mas o que se viu nas ruas, em Niterói e em 26 estados foram ataques contra o Legislativo e o Judiciário e pedidos de intervenção militar, uma incitação contra a Constituição e a democracia, passível de enquadramento criminal.

Bolsonaristas na Praia de Icaraí. Foto: Reprodução


Bolsonaro faz ameaça


Jair Bolsonaro compareceu ao ato em Brasília acompanhado por ministros de seu governo e apoiadores de primeira hora. Ele falou aos apoiadores e, sem citar Luiz Fux ou Alexandre de Moraes, que é responsável pelo inquérito que investiga atos contra as instituições e a democracia e já determinou prisão de extremistas de direita, o Presidente fez ameaças golpistas.


— Não podemos continuar aceitando que uma pessoa específica da região dos três poderes continue barbarizando a nossa população. Não podemos aceitar mais prisões políticas no nosso Brasil. Ou o chefe desse poder enquadra o seu ou esse poder pode sofrer aquilo que nós não queremos — disse Bolsonaro.


O Presidente discursou ao lado de Hamilton Mourão e dos ministros Walter Braga Netto (Defesa); Luiz Eduardo Ramos (Secretaria-Geral da Presidência); Onyx Lorenzoni (Trabalho); Milton Ribeiro (Educação); Anderson Torres (Justiça e Segurança); João Roma (Cidadania); Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos); Tarcísio Freitas (Infraestrutura), Gilson Machado (Turismo) e Joaquim Leite (Meio Ambiente).