Bagueira diz que Niterói se preparou para situações como a pandemia

Presidente da Câmara vai criar Fórum de Desenvolvimento Econômico

Por Silvia Fonseca

Bagueira na primeira sessão de volta à Câmara municipal de Niterói


A prefeitura de Niterói já investe em saúde mais do que determina a lei, mas mesmo assim é possível destinar mais recursos ao setor, diz o vereador Paulo Bagueira (SDD), que assumiu novamente a presidência da Câmara municipal de Niterói no último dia 28 de maio, depois de passar quase um ano na Assembleia Legislativa. Ele se licenciara do mandato de vereador e da presidência para ocupar vaga de suplente na Alerj. Com a volta de deputados que tinham sido presos na Operação Furna da Onça, porém, Bagueira deixou a Alerj e voltou ao Legislativo municipal. Aliado do prefeito Rodrigo Neves, Bagueira diz que a gestão da cidade permitiu um enfrentamento mais eficiente da Covid-19. Ao A Seguir: Niterói, o presidente da Câmara anuncia que vai criar um Fórum de Desenvolvimento Econômico, com o poder público e a classe empresarial, para a retomada das atividades econômicas e a recuperação do emprego e da renda.


Niterói tinha, até o último balanço da prefeitura, mais de 3 mil casos confirmados de Covid-19 e mais de 130 mortes. A cidade estava preparada para enfrentar o coronavírus?


Niterói se preparou ao longo dos últimos anos para que, caso algum revés acontecesse, tivesse condições de enfrentar. Foi o que aconteceu com o episódio que estamos vivendo. A cidade se organizou no aspecto político, administrativo e financeiro. Tem um planejamento e um norte e, com isso, fica menos complicado administrar momentos dificílimos como o que estamos vivendo.


Em relação a outros municípios, como vê a atuação de Niterói no combate ao coronavírus? Quais os acertos e erros da prefeitura?


A cidade se preparou nos últimos anos e, com isso, teve condições de enfrentar essa pandemia e até mesmo servir de exemplo para outras cidades do país. Não tenho dúvida de que, caso não contássemos com tanto empenho do prefeito Rodrigo Neves e de sua equipe, dificilmente conseguiríamos estar numa situação melhor do que outras. Tomo como exemplo os dados copilados pelo Departamento de Estatística da UFF. A taxa de letalidade na cidade do Rio é de 12,27%. De São Gonçalo é de 9,82%. Em Duque de Caxias ela chega a 16,64% e em todo o Estado a média fica em 5,61%. Em Niterói a taxa é de 3,39%. Considero que os números falam por si.


A prefeitura tirou do ar o painel que estava publicado no site do SiGeo sobre o número de casos do Covid-19 há, pelo menos, duas semanas. No portal, a prefeitura divulgava os dados sobre transmissão, bairros com mais pessoas contaminadas e mortes. O senhor está ciente de que a atualização do painel foi interrompida? A Câmara foi informada?


Estou retornando agora à Câmara, mas sempre tivemos muita facilidade em receber informações de qualquer assunto relativo ao município e acredito que o diálogo continua mantido. Vejo que diariamente a Prefeitura divulga em suas redes sociais o número de casos por bairro, mas acho produtivo o retorno do Portal e acredito que isso se fará.

Apesar de a prefeitura dizer que Saúde é uma das pastas que mais recebem investimentos nos últimos anos, unidades municipais como os hospitais Carlos Tortelly e o Mário Monteiro sempre foram alvo de críticas de pacientes, seja pela falta de médicos ou pela demora no atendimento. Em meio à pandemia, a prefeitura contratou, por tempo determinado, mais funcionários e arrendou o Hospital Oceânico. Para o senhor, essas medidas devem ser continuadas? Há o que melhorar na Saúde de Niterói?


Sim. Claro que há. Defendo a ampliação do investimento nesta área, mas ressalto que o município aplica na rubrica Saúde um valor acima do que é exigido por lei. Mas é logico que tal investimento sempre se fará necessário. A Prefeitura já anunciou, por exemplo, junto ao seu plano de metas, a construção de um centro de imagens no Carlos Tortelly que atenderá toda a rede e a reforma do CTI do referido hospital.

Em audiência pública recente, a Comissão de Saúde da Câmara propôs a criação de uma equipe técnica paralela para acompanhar os indicadores que orientam as decisões da prefeitura para a flexibilização do isolamento. O senhor apoia essa iniciativa?


Confesso a você que ainda preciso tomar pé do que propõe a comissão e quais os seus impactos e objetivos. Em tese, toda e qualquer contribuição é muito bem vinda. Mas precisamos entender melhor como funcionaria. Não podemos perder tempo, e acho Niterói um exemplo no aspecto político. É só olhar para o lado e ver o comportamento político de alguns atores. Eles não contribuem e até agora não contribuíram em nada para minorar o sofrimento da população.


Falta transparência na divulgação dos números?


Não acho. Acho que falta ajustar algumas informações, o que é natural neste momento em que há muito trabalho e urgência na tomada de decisões.


Como a Câmara pode ajudar na recuperação do comércio e da economia da cidade pós-pandemia?


Vamos criar um Fórum de Desenvolvimento Econômico para que, juntos, poder público e a classe empresarial discutam os rumos que podem ser tomados para a transição ao que se estabeleceu chamar como “novo normal”. Temos a necessidade de voltar rapidamente a gerar emprego e renda na cidade, preservando empregos, mas não podemos nunca deixar de ficar vigilantes à questão da saúde. A vida das pessoas é fundamental e tem de ser sempre protegida. A Câmara como um todo, tanto vereadores da base do governo como da oposição, vem contribuindo para que a cidade saia da melhor forma possível dessa pandemia. Tenho absoluta certeza de que essa harmonia continuará e poderemos avançar muito ainda.

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