Banco de leite do Antonio Pedro continua a funcionar na pandemia

Na Semana da Amamentação, especialistas ressaltam benefícios do leite materno

Por Carolina Ribeiro


Aleitamento materno promove benefícios para a saúde da mãe e do bebê. Foto: Divulgação


O aleitamento materno traz muitos benefícios para a saúde da mãe e do bebê, mas ainda pode ser visto como um tabu e tema pouco discutido na sociedade. Por isso a importância de celebrar a Semana Mundial da Amamentação, que acontece anualmente entre os dias 1º e 8 de agosto, o Mês do Aleitamento Materno ou Agosto Dourado. Mesmo em meio à pandemia do Covid-19, a data não vai passar em branco. Hospitais da cidade realizam debates em lives. E o Banco de Leite Humano da UFF continua funcionando e precisa de doações.


A médica Flávia do Vale, coordenadora da Obstetrícia do Hospital Icaraí, que está com uma programação de lives para difundir o assunto, explica que é primordial pensar no impacto da alimentação infantil no meio ambiente, encontrando meios de proteger vidas, promover e apoiar o aleitamento materno, para melhorar a saúde do planeta e de seu povo.


De acordo com a médica, os bebês que são exclusivamente amamentados pela mãe têm 14 vezes menos probabilidade de morrer do que os que não são amamentados. Porém, apenas 41% das crianças de 0 a 6 meses são amamentadas exclusivamente pelas mães e só 32% continuam recebendo leite materno até o 24 meses.


- Independentemente de onde o bebê nasça, o leite materno é ideal para atender às necessidades nutricionais das crianças e reforçar o desenvolvimento do sistema imunológico. Especialmente nos países em desenvolvimento, onde a falta de água potável coloca os bebês em risco de contrair doenças que debilitam gravemente a saúde, aumentar a amamentação pode impedir mortes maternas e de crianças. Diminui o risco de as mães desenvolverem câncer de mama, câncer de ovário, diabetes tipo 2 e doenças cardíacas - diz a médica.

A especialista afirma ainda que há uma necessidade emergente de educar a sociedade para os benefícios do aleitamento materno, uma vez que a mamadeira e a alimentação com fórmula estão sendo muito usados. Além disso, ainda hoje, mulheres sofrem constrangimento por amamentar em público.

-Por isso é importante promover, apoiar e informar sobre a amamentação, que é um ato natural de alimentar um bebê. Precisamos quebrar tabus e entender, simplesmente, que, quando a mulher coloca os seios para fora da blusa para amamentar, ela não está se exibindo e que amamentar é um ato biológico do ser humano - finaliza.


O Hospital Icaraí tem um Lactário, que é um espaço para preparações lácteas e fórmulas infantis, mas não tem banco de leite para doação e armazenamento. Mães que ficam com bebê na UTI ordenham o próprio leite e oferecem aos bebês por sonda, copo, entre outros. Quando necessário, a unidade encaminha o leite sobressalente para o banco de leite da UFF ou da Fiocruz.


Banco de Leites do Antônio Pedro recebe doações para bebês da UTI neonatal. Foto: Divulgação


Devido à pandemia, o Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap) não organizou uma programação para ampliar a divulgação dos benefícios do aleitamento materno, mas o Banco de Leite Humano do Huap continua funcionando. A mulher que desejar ser uma doadora pode ligar para os números 2629-9234 ou 2629-9250, das 8h às 13h, para fazer o cadastro e receber as orientações.


Criado em 2003, o banco é destinado à UTI neonatal da unidade. Bertilla Riker, subcoordenadora do Banco de Leite, ressalta que o leite humano é mais que um alimento, é tratamento para os bebês. As mulheres com excedente de leite podem se candidatar a serem doadoras.


- Todos os protocolos de segurança e higiene estão sendo respeitados, como uso de máscaras e álcool em gel o tempo todo, além de marcação de horário para evitar aglomeração - ressalta.


Por causa da pandemia e o isolamento social, o nível dos estoques de leite do Huap ficaram abaixo do desejado, mas, após campanhas nos últimos meses, já foi possível normalizar. A quantidade, no entanto, é abaixo do esperado para o período. São, hoje, cerca de 40 mães doando, mas o objetivo é atingir pelo menos 150 litros/mês de leite.

- Assim ficamos confortáveis na distribuidora do leite pasteurizado. A demanda é constante e precisamos contar com o apoio contínuo da população - enfatiza.

A unidade também pede doações de frascos de vidros com tampas vedantes para o armazenamento do material.




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