Barreiras em Niterói vão deter entrada de quem tiver febre e sintomas de Covid

Bloqueios serão montados já na próxima quarta-feira (14) para controlar trânsito do Rio e de São Gonçalo



Não foi uma decisão fácil. O Prefeito Axel Grael reuniu o Comitê Científico que assessora a tomada de decisões no combate à Covid. Os especialistas consideram que o trânsito intenso na região Metropolitana é um dos maiores fatores de risco para a cidade e pode comprometer o esforço das medidas de isolamento que foram adotadas. Municípios vizinhos, como o Rio e, principalmente, São Gonçalo, relaxaram no controle à doença e o vai e vem entre as cidades é um fator de contagio.


O Comitê, formado por pesquisadores da UFF, UFRJ e Fiocruz, alertou para o risco de um colapso da rede hospitalar da cidade, diante do avanço da Covid, provavelmente provocada pela variante P 1, identificada em 83% dos casos no estado e muito mais contagiosa e mais grave. Ao final do encontro, o prefeito de Niterói, Axel Grael, decidiu implementar barreiras sanitárias nos principais acessos ao município.


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Barreiras contra a Covid nos acessos do Rio e São Gonçalo


A partir de quarta-feira (14), as barreiras serão montadas nos pontos mais importantes de acesso ao município, como na divisa com São Gonçalo e na Ponte Rio-Niterói. Nestes locais, será feita a medição de temperatura para impedir o acesso de quem apresentar febre, um dos sintomas da Covid-19.



O Prefeito destacou que Niterói está fazendo sua parte e pediu que outras cidades do entorno também tomem providências.


- A situação em Niterói nos preocupa muito. Temos feito contato com cidades ao nosso redor, estamos dialogando com o Rio e Maricá. O cenário na Região Metropolitana nos deixa em alerta, porque cidades vizinhas, como São Gonçalo, não estão implementando medidas restritivas. Isso faz com que os hospitais lá estejam com 100% de ocupação, e essa demanda chegue à nossa cidade. Hoje, 20% dos leitos de Niterói são ocupados por pacientes que vêm de São Gonçalo. A falta de medidas dos municípios vizinhos afeta Niterói, por isso nosso apelo para que também façam a sua parte. Estamos fazendo o que precisa ser feito. Não podemos perder todo o nosso esforço até agora - enfatizou.


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O perigo mora ao lado


Um levantamento do Monitora Covid-19, iniciativa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), aponta que desde março de 2020, Niterói teve mais de 37% de seus leitos ocupados por pacientes de outros municípios, contaminados com a doença. Nas internações em UTI, esse número chega a quase 40%.


De acordo com o levantamento, de março de 2020 a fevereiro de 2021, pelo menos 2.113 leitos foram ocupados por pacientes de outros municípios. Desse número, foram 990 casos de UTI, com destaque para quase metade desse número vindo de São Gonçalo (458 casos). Cidades como Itaboraí, Maricá e Rio de Janeiro também exportam pacientes para a cidade.


Mais uma vez, o Prefeito reforçou a necessidade de adoção de ações coordenadas, nos níveis estadual e nacional, para frear o ritmo de contágio do coronavírus na Região Metropolitana.


- Me preocupo muito com o que está acontecendo na Região Metropolitana. Vemos cidades que não estão fazendo nada. Nós temos procurado dialogar com as cidades vizinhas, fizemos ações com o Rio de Janeiro, com Maricá, com Itaguaí. Estamos trocando experiências, ideias e resultados. Mas infelizmente, nem todos fazem o que é preciso. Isso faz com que a nossa estrutura hospitalar seja impactada pelos pacientes que não conseguem vaga em outras cidades e vêm procurar Niterói. Como vamos negar ajuda a uma pessoa que chega na porta de um hospital precisando de atendimento? Isso é muito grave -, questionou.


Doença fica mais contagiosa, mais grave e atinge os jovens


O secretário municipal de Saúde, Rodrigo Oliveira, explicou que o atual cenário é de registro de mais casos que demandam internações, que deixam pacientes mais graves e com aumento percentual das pessoas jovens sendo atingidas.


- De fevereiro para março saiu de 5% para 12% o número de pacientes entre 30 a 39 anos internados no Hospital Oceânico. Nós vivemos, em todo o território nacional, uma situação de colapso do sistema de saúde. Está acabando, no Brasil, medicamentos para sedar pacientes intubados. Os profissionais de saúde estão exaustos. Precisamos vacinar e diminuir a circulação do vírus - alertou..


Axel Grael ressaltou que desde o início desta pandemia Niterói tem se destacado nas políticas públicas de combate à Covid-19. A Prefeitura de Niterói está dando apoio ao cidadão, através de iniciativas como o programa Renda Básica, e às empresas com o Empresa Cidadã.


- Sabemos que são medidas duras, principalmente para alguns segmentos, como o do comércio, e somos solidários. Mas são medidas necessárias porque salvam vidas. Apesar de ainda estarmos em situação crítica, os resultados dessas iniciativas já começam a aparecer. Nosso indicador, que tinha chegado a 12.8, atualmente está em 11. Estamos avançando, mas é fundamental proteger a nossa cidade - disse.


Vacinados


Niterói ultrapassou, nesta segunda, 100 mil imunizados contra a Covid-19. O município contabiliza um total de 105.803 pessoas imunizadas com a primeira dose, entre trabalhadores da saúde, idosos, pessoas com deficiência institucionalizadas e quilombolas. Já receberam a segunda dose da vacina 35.756 pessoas.


Niterói Solidária


Nesta segunda, também, a Prefeitura arrecadou duas toneladas de quilos de mantimentos e produtos de limpeza e higiene nos pontos de vacinação contra Covid-19. A iniciativa, coordenada de forma voluntária pela primeira-dama, Christa Grael, estimula as pessoas que estão se vacinando a fazerem uma doação para a população em maior vulnerabilidade social da cidade.


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