Black Friday: comerciantes de Niterói apostam em novas estratégias de vendas

Atualizado: 27 de Nov de 2020

Investimento em e-commerce e shows online são alguns dos atrativos

Por Livia Figueiredo

Consumidores se preparam para a Black Friday. Foto: Reprodução da internet


Embora ainda seja difícil cravar uma previsão de como será o desempenho da Black Friday, uma das datas mais importantes do comércio, nesta sexta-feira 27, alguns comerciantes estão otimistas e apostam em novos recursos de vendas, como o investimento pesado em plataformas digitais, numa tentativa de reformular suas estratégias e reter a atenção dos consumidores.


Ao mesmo tempo que o país atravessa uma crise com altas taxas de desemprego, é válido lembrar que as classes A e B foram menos afetadas economicamente pela pandemia e, com o isolamento social, acabaram consumindo menos ao longo do ano, o que acaba resultando em mais dinheiro para as compras de fim de ano. Para alguns, o país já enfrenta uma segunda onda de Covid e isso pode influenciar mais gente a ficar em casa ou até mesmo estimular as pessoas a adiantarem as compras de Natal, pensando que em breve podem ser adotadas novas medidas de distanciamento social.


-A Black Friday é um momento esperado. Independentemente de planejar comprar, você acaba de alguma forma entrando nos sites para olhar as ofertas. O meu primeiro intuito nunca é comprar. Eu acredito que a gente sempre tende a economizar, ainda mais nesse momento de instabilidade que estamos vivendo. A gente pré-determina na nossa cabeça que não vai comprar, mas acontece que no decorrer do dia a dia, bombardeado por muitas informações nas redes sociais, a gente se sente tentado, porque é algo que dá prazer. Eu confesso que sempre acabo olhando os sites e no final das contas acabo comprando uma coisa ou outra – conta o advogado Matheus Cardoso.


Segundo levantamento do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec-RJ), 38,4% dos fluminenses pretendem aproveitar as ofertas da data para realizar compras. Isso corresponde ao equivalente de 4,3 milhões de pessoas em todo o Estado do Rio de Janeiro. Niterói não será exceção. A pesquisa apontou que os consumidores pretendem gastar cerca de R$ 808,60, em média, nas promoções do dia 27. Esse valor é 45% maior que a estimativa de gasto médio em 2019.


O IFec RJ ainda estima que a Black Friday movimente cerca de R$ 3,5 bilhões na economia fluminense. Entre as opções preferidas estão: eletrodomésticos (50,9%), eletrônicos (49,1%), itens do vestuário, calçados e acessórios (33%), móveis (27,4%), livros e artigos de papelaria (17,9%), artigos de uso pessoal (17,9%) e pacotes de viagem (14,2%).

A pesquisa também revelou que a maior parte dos consumidores respondeu que se dividiram entre lojas físicas e online (36,8%), só online (48,1%) e somente física (15,1%).


Na visão do Sindilojas, o comércio de Niterói tem sido muito atuante no que diz respeito ao combate da pandemia, restringindo aglomerações, fazendo medições de temperatura na entrada das lojas e disponibilizando álcool gel ou álcool 70 para os consumidores. Isso vem contribuindo para aplacar, pelo menos em parte, o clima de insegurança que havia se estabelecido entre a população. Como resultado, gradualmente as pessoas estão voltando a frequentar as lojas, a fazer mais compras, o que deve se refletir inclusive na Black Friday deste ano.


- Esperamos que ocorra, sim, um bom movimento de vendas. O Sindilojas Niterói tem uma expectativa bem positiva, porque a Black Friday já faz parte do calendário dos consumidores e, de modo geral, as pessoas têm boa expectativa de compras e ótimos descontos – declarou a diretoria do Sindilojas.


Segundo a coordenadora de mídias da loja de móveis e decoração Abracadabra, Robertha Costa, de um modo geral as lojas possuem o costume de se preparar o ano todo para o mês de novembro. No entanto, este ano foi um pouco diferente por conta da pandemia. Os descontos já começaram no início do mês e a semana da Black Friday, que teve início no dia 24/11, irá até o dia 30/11. Robertha ressalta que a loja está oferecendo serviços especiais, como o Cashback em diferentes categorias e também desconto no frete como estratégias comerciais, além de conversas com especialistas pelo whatsapp.

- O cliente tira as dúvidas, conversa com a gente e ainda pode escolher entre retirar o pedido no nosso Centro de Distribuição ou receber em casa. Acho que, no geral, fomos sentindo muito o mercado e nos preparamos para ter estoque dos produtos que são queridinhos do nosso público. Estamos planejando uma ação especial para a Black Friday. Durante toda sexta-feira, faremos stories no Instagram e entraremos ao vivo nos perfis da loja com condições especiais. Além disso, separamos alguns presentes surpresa para pedidos que já estão em separação e mostraremos isso tudo através dos nossos perfis. Aliás, a cobertura especial já está rolando essa semana com influenciadores, criadores de conteúdo e nossa equipe – destacou.


E-commerce em alta

Reformulando suas estratégias devido aos impactos provocados pela pandemia, comerciantes apostam no comércio online aliado ao entretenimento para maior experiência ao consumidor, como é o caso das lojas de varejo Lojas Americanas e do Shoptime, que promoverão shows online durante a campanha da Black Friday. Durante as apresentações, o público poderá interagir por meio das redes sociais da Shoptime, através de hashtags das ações e ainda solicitar músicas para os artistas. O Festival Black November, promovido pela marca, também já contou com a participação da banda niteroiense Melim.

O festival, que antecipa a Black Friday, tem ofertas de celulares, smart TVs, eletrodomésticos, produtos para cama e mesa, itens de utilidade doméstica, entre outras categorias. Durante os shows, a marca oferece descontos exclusivos, condições especiais de pagamento, além da apresentação de ofertas antecipadas da Black Friday.

As Lojas Americanas também estão apostando na estratégia do formato de live commerce pelo aplicativo. Com o objetivo de oferecer ao cliente uma experiência de compra inovadora e humanizada, por meio da demonstração ao vivo dos produtos, a assessoria da marca revelou que a loja obteve um crescimento de 8 vezes na busca de produtos divulgados durante as apresentações.

Procon alerta para possíveis cuidados

De acordo com uma pesquisa realizada pela TracyLocke Brasil em parceria com a Behup, 43% dos brasileiros já estão programando as compras da Black Friday. Mas é preciso ficar atento para evitar a publicidade enganosa, golpes e fraudes. Pensando nisso, o Procon Estadual do Rio de Janeiro preparou uma relação de sites que o consumidor pode consultar antes de comprar na internet. Com o isolamento social causado pela pandemia, o número de brasileiros que realizam compras online vem crescendo consideravelmente, assim como as fraudes no ambiente online. A listagem tem como objetivo ajudar o consumidor que está na dúvida se deve ou não comprar em uma determinada loja virtual.

Para criar a lista de sites não recomendados, o Procon-RJ analisou diversos fatores, como se a empresa entrega os produtos e serviços comprados, se responde as reclamações do consumidor e as notificações enviadas pela autarquia, se o estabelecimento possui cadastro ativo na Receita Federal e está apta a emitir nota fiscal, se o site disponibiliza informações de contato e dados da empresa e como se relaciona com os clientes que efetuam reclamações.

O presidente do Procon-RJ, Cássio Coelho, alerta: “Recomendamos não enviar cópias de documentos por e-mail e por aplicativo de mensagens para compras na internet, mesmo que a empresa use o pretexto que é necessário para emitir a nota fiscal, atualizar cadastro, fornecer descontos, confirmar endereço de remessa. Essa é a forma mais comum utilizada para burlar a verificação em duas etapas, que é uma segurança maior para o usuário. Nunca informe o código gerado por empresas que anunciam e vendem por telefone ou whatsapp, nem os recebidos por sms, pois estas são formas de clonar os dados do consumidor. Ao efetuar as compras, prefira o pagamento por cartão de crédito e atenção com sites que só aceitam boleto bancário, pois se houver algum problema com a compra, o consumidor terá mais dificuldade de ressarcimento junto ao banco.”

Além disso, ele pontua que é recomendável que os consumidores efetuem compra de produtos ou serviços em sites que tenham endereço físico em território brasileiro. Como nossa lei tem abrangência nacional, caso ocorra algum problema com o pedido realizado em site estrangeiro, haverá dificuldade na aplicação do Código de Defesa do Consumidor.

Pensando nisso, o Procon-RJ preparou uma cartilha com dicas para aqueles que irão efetuar compras tanto em lojas físicas quanto em lojas virtuais neste período de promoção. O material pode ser acessado através do link: http://bit.ly/proconrj-cartilha-black-friday.