'Bom domingo', 'boa semana', 'saúde', a esperança nos postos de vacinação de Niterói

Um momento de emoção, na campanha de imunização: a boa energia dos profissionais de saúde e a confiança na ciência para a retomada da vida


Por Sandra Sanches


Enfermeira prepara a vacina no drive thru do campus da UFF, no Gragoatá


Nunca imaginei a emoção que sentiria num local de vacinação. Sempre tive medo de injeção, o que transformava as datas das vacinas – sou da época em que as campanhas aconteciam nas escolas – em dias de pânico. Lembro da cena da enfermeira, numa sala da escola primária, correndo atrás de mim com a seringa, enquanto eu tentava fugir para o pátio. Com os filhos, sempre sofria. A não ser nas campanhas das gotinhas, sem agulhas. Hoje vivi uma experiência diferente com minha mãe no posto de vacinação drive thru da UFF, no Gragoatá. Dia da vacina contra Covid para quem tem 87 anos, peguei minha mãe às 7h (o posto abriria às 8h) e seguimos confiantes para lá. Eu, confesso, um pouco tensa: Será que a fila já estava enorme e ficaríamos horas esperando? Será que ainda teria vacina quando chegasse a vez da minha mãe? Como controlar se a dose será mesmo aplicada? Todos meus temores se dissiparam já na fila, organizada, que se formava ao longo do Reserva Cultural. Quando chegamos, por volta de 7h30, muitos carros com idosos no banco do carona já aguardavam a abertura do posto, o que aconteceu às 8h em ponto. A fila andou mais rápido do que eu esperava e a organização do processo me impressionou muito. Voluntários, estudantes da UFF e funcionários da Prefeitura se dividiam em barreiras com objetivos específicos. Já na primeira, minha tensão quase acabou: depois de recolher dados e checar a idade da minha mãe, a voluntária informou que deveríamos acompanhar a retirada da dose do vidro, reclamar se a preparação não fosse feita diante de nós e que era permitido fotografar e filmar o processo. Ufa! Transparência gera confiança. Seguimos, só um pouquinho tensas, para a segunda barreira, que colhia dados mais detalhados, como endereço e telefone, e informava – com a entrega de um protocolo – o dia da segunda dose. A terceira barreira, sob pilotis de um dos enormes blocos do campus da UFF, já era o drive trhu, propriamente dito, onde três ilhas com enfermeiros e voluntários preparavam as doses enquanto funcionários organizavam as paradas dos carros e indicavam as vias de saída. Tensão zero. Tudo limpo, organizado e fluindo da melhor forma possível. O alívio da missão cumprida! O registro mais importante faço agora: volto à primeira frase desse texto para repetir que nunca imaginei tamanha emoção diante de enfermeiras e seringas. Minha mãe, feliz, foi celebrada por profissionais educados, bem treinados, que estavam ali por amor à profissão que escolheram, por amor ao próximo e por fé na luta que estamos travando contra essa doença horrível. Todos ali não tinham dúvida de que nossas maiores armas são empatia e solidariedade. Picadas foram dadas e recebidas em meio a sorrisos de agradecimento. Votos de “bom domingo”, “boa semana”, “saúde” eram distribuídos em abundância. De dentro dos carros, velhinhos faziam sinal de tudo certo - polegar para cima – para expressar a felicidade pela primeira dose. Eu comecei a torcer pela minha vez. Que chegue logo! A energia do lugar invadiu o nosso carro, mesmo com as janelas fechadas. Além da vacina na minha mãe, recebemos ali, várias doses de esperança e fé na vida. Saímos felizes, imaginando que aqueles momentos mágicos estão acontecendo em inúmeros outros locais de vacinação. Tomara!

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