Brasil tem 250 mil mortos e vive pior momento da pandemia um ano após o primeiro caso de Covid

País está na contramão do mundo tanto em número de mortes como em vacinação


Sem vacinas, país vê número de casos e mortes por Covid aumentar. Primeiro caso no Brasil foi registrado em 25 de fevereiro de 2020


Um ano depois de registrar o primeiro caso de Covid-19, o Brasil completou nesta quarta-feira (24) 35 dias seguidos com média móvel de mortes acima de 1.000, superando a marca de 250 mil mortes desde o começo da pandemia. Em 25 de fevereiro de 2020, um homem de São Paulo que acabara de chegar da Itália foi o primeiro diagnosticado com Covid no Brasil.


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Naquele dia, o mundo já registrava 2.708 mortes. Mas o Brasil parecia não notar o risco, com um governo que continua negando a tragédia da Covid-19, mais de 250 mil mortes depois.


Negou tanto que não entrou na fila para a compra de vacinas, mesmo com laboratórios do mundo todo numa espécie de competição para produzir um imunizante eficiente e seguro no menor espaço de tempo possível. A ciência mostrou sua cara, e há hoje pelo menos uma dezena de vacinas sendo aplicadas no mundo. No Brasil, apenas duas e a conta-gotas.


Menos de 4% dos brasileiros acima de 18 anos foram vacinados


Sem estratégia, sem planejamento, sem contratos, o país começou a vacinar no fim de janeiro, depois de diversos outros países, e graças a iniciativas de institutos ligados a universidades públicas (a Fiocruz e o Butantan). Até agora, só aplicou 7,6 milhões de doses de imunizantes contra a Covid, atingindo 3,82% da população brasileira acima de 18 anos. É pouco ou quase nada. Sequer há confirmação, por parte do Ministério da Saúde, de quando novas doses serão distribuídas.


Na contramão do mundo


No mundo, mais de 221 milhões de doses de vacinas contra a Covid já foram aplicadas. Entre os países que mais vacinaram, em número de doses por mil habitantes, o Brasil ocupa o lugar 44 do ranking. Os cinco que mais aplicaram imunizantes contra Covid até agora, por mil habitantes, são Israel, Seychelles, Emirados Árabes, Reino Unido e Estados Unidos. Na lista dos dez países à frente na vacinação, apenas um da América Latina, o Chile


A aceleração do número de mortes e o atraso na vacinação deixam o Brasil na contramão do mundo. Outros países correm para vacinar, em busca da almejada imunidade de rebanho, e veem a taxa de mortes cair. Aqui ela está acima de mil há mais de um mês.


Receita do que não deveria ser feito


Segundo levantamento do Datafolha, em sete das 27 unidades da federação o pico de mortes em 2021 já superou a semana de mais óbitos em 2020. Roraima, Rondônia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Paraná e Amazonas tiveram neste 2021 a semana mais letal desde o começo da pandemia.


— O Brasil mostrou a receita do que não fazer na pandemia — disse Natalia Pasternak, microbiologista e presidente do Instituto Questão de Ciência, ao Globo.


Os números frios da pandemia parecem dar razão à especialista. As mais de 250 mil vidas perdidas e o que ainda está por vir, com novas variantes do vírus e a morosidade na vacinação, são os ingredientes de uma catástrofe que, para muitos outros especialistas, poderia ser enquadrada como um crime contra a saúde pública.



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