Filhos de ex-Prefeitos disputam a Prefeitura de Campos

Atualizado: 28 de Nov de 2020

Caio Vianna, do PDT, é filho do ex-Prefeito Arnaldo Viana. Wladimir, do PSD, viu o pai e a mãe passarem pela Prefeitura e pelo governo do Estado


por Gabriel Gontijo


Caio Vianna, candidato do PDT

Wladimir Garotinho, candidato do PSD

Uma das principais cidades do Estado do Rio de Janeiro, Campos dos Goytacazes também escolhe seu prefeito em 2º turno neste domingo (29). Wladimir Garotinho, do PSD, e Caio Vianna, do PDT, são os candidatos que disputam a decisão para o Executivo campista. E o cenário é de incerteza, pois ambos estão empatados na pesquisa realizada pela Gerp nesta sexta (27). Cada um tem 50% das intenções de voto. No primeiro turno, Wladimir ficou em primeiro, com 42,94% e Caio Vianna em segundo, com 27,71%. O que pode ser um fator decisivo no domingo é a família Garotinho, que já comandou a cidade com Anthony, nos anos 90, e com Rosinha, de 2008 a 2016. Apesar de ter um eleitorado cativo, a família enfrenta forte rejeição que se reflete em Wladimir, filho do casal. Também na pesquisa divulgada nesta sexta, 36% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Wladimir. Apesar disso, Caio também conta com uma rejeição considerada alta, pois 26% do eleitorado campista afirmam que não votariam nele. Assim como Wladimir, ele é filho de um ex-prefeito da cidade, Arnaldo Vianna, que governou a cidade de 1998 a 2004. Curiosamente, ele e Garotinho foram aliados no passado, tanto que Arnaldo era o vice de Anthony em 1998, que renunciou ao cargo para a disputa do governo estadual no mesmo ano, tendo derrotado à época César Maia no segundo turno. Mas a decisão pode estar longe de ser resolvida no domingo. Caso seja eleito, Wladimir terá que também resolver pendência no Tribunal Regional Eleitoral por causa de seu vice, Fernando Paes (MDB). O emedebista responde por irregularidades na desincompatibilização de um hospital onde era o diretor. Por isso, a chapa de ambos está sub-júdice. Com uma população estimada em pouco mais de 510 mil habitantes, a cidade tem um Índice de Desenvolvimento Humano em 0,716 e tem a economia majoritariamente baseada nos royalties do petróleo por causa da bacia existente na região onde a cidade encontra. Mas é justamente esse produto que tem sido diretamente responsável por inúmeras crises, principalmente econômica, que afetam a cidade desde 2014. Desde que tomou posse, em 2016, o atual prefeito Rafael Diniz precisou lidar com inúmeros problemas nos cofres públicos. Afirmando em diversas ocasiões que tinha pego uma "herança maldita" de Rosinha, ele argumentava que precisou fazer um mandato focado em sanar os problemas financeiros do municípios. Apesar das declarações de que estava trabalhando para equilibrar as contas públicas, fato é que os servidores públicos tiveram constantes problemas de atrasos salariais. Profissionais da saúde chegaram a ficar sem receber por meses em mais de uma ocasião. E em 2020, os trabalhadores que prestavam serviço pelo Recibo de Pagamento Autônomo (RPA) sofreram com débitos que duraram seis meses. Curiosamente, o prefeito anunciou um calendário com o início do acerto em 9 de novembro, apenas seis dias antes do primeiro turno. Mesmo alegando estar se esforçando em regularizar todos os atrasados dos servidores e autônomos, Rafael Diniz conquistou apenas 5,45% dos votos, ficando de fora do segundo turno.