Candidatos a Prefeito de Niterói falam como enfrentar a pandemia

Controle da Covid, assistência médico-hospitalar e programas sociais estão entre as prioridades do eleitor




Num ano marcado pelo maior desafio da humanidade na área de saúde, desde a gripe espanhola, o assunto aparece entre as prioridades do eleitor da cidade, na disputa pela Prefeitura de Niterói. No Brasil, especialmente, coube às prefeituras a condução das políticas de combate à Covid e a organização do atendimento médico-hospitalar. Importante conhecer o pensamento dos candidatos sobre a pandemia, que ainda não está controlada.


O que fazer diante da pandemia? Como orientar as ações do município? Como garantir o atendimento médico-hospitalar à população? Que medidas adotar em relação ao isolamento e retomada das atividades? Qual o destino do Hospital Oceânico, arrendado para o socorro das vítimas da Covid? Estas foram algumas das questões abordadas pelo A Seguir: Niterói nas entrevistas com os candidatos à Prefeitura de Niterói. Reproduzimos, na sequência, as propostas dos candidatos dos partidos com representação na Câmara dos Deputados. O candidato do PTC, Allan Lyra, confirmou a entrevista mas não compareceu.


AXEL GRAEL, candidato do PDT:


-Nós temos na Prefeitura um Comitê Científico, independente, com representantes da UFF, da Fiocruz, da UFRJ, que tem uma reunião semanal, então as medidas são sempre respaldadas pelo Comitê Científico…Se você olhar, Niterói está sendo mais rigorosa que outros municípios, Niterói está sendo super cautelosa… Eu mesmo participei de inúmeras reuniões com o Comitê Científico e é um processo bastante rico de reflexão da situação como um todo, que reflete nos bons resultados que o Niterói tem tido, inclusive a prefeitura recebeu um prêmio da ONU.


-O enfrentamento à Covid é o maior desafio da nossa geração e é a maior prioridade da nossa gestão. Nós daremos continuidade a todas as ações, que estão sendo tomadas, que eu ajudei a construir, e vamos dar continuidade a todas as medidas que nós adotamos. Algumas delas nós já anunciamos: o programa de renda básica, que foi prorrogado até dezembro, nós já anunciamos o compromisso de manter este programa até que chegue uma vacina de forma a proteger as famílias de Niterói que mais precisam deste apoio para que possam superar este momento, tanto de pandemia, como de desemprego. E a outra questão, como o nosso plano de governo prevê, vamos adotar várias medidas de estímulo à economia, que serão mais eficientes até do que o que já foi feito até agora. Medidas como Renda Mínima, Empresa Cidadã e Supera Mais, que nenhuma outra cidade fez e Niterói fez, e que ajuda as empresas a manterem saúde para que elas possam reagir na retomada da economia.


- O Hospital Oceânico foi arrendado com o propósito exclusivo de atender à demanda da Covid. Mas o governo está estudando, sim, a manutenção deste hospital funcionando. Para isso você tem que fazer um redesenho de toda a estratégia hospitalar. Mas a tendência é você manter este hospital, sim. Mas para isso existe uma série de medidas, como a desapropriação, mas estamos caminhando para isso.


DEULER DA ROCHA, candidato do PSL


A Seguir: Niterói: Nestes tempos de pandemia, a Saúde se tornou a principal preocupação de todos. O senhor é contra ou a favor da vacinação obrigatória?


- Acho que você tem que ser cauteloso para falar deste assunto, que é sério, científico. O gestor que se antecipa sobre aspectos de cunho científico agindo com o fígado... eu não me meto nisso. Uma conduta que você não vai esperar de mim. Vou ouvir. Ouvir um grupo, porque você não pode nem ouvir um só, porque eu não vou cometer um erro, vou formar um grupo, com quatro, cinco pessoas, e ouvir, porque eu não posso tomar uma atitude errada. Isso aí é uma irracionalidade, uma temeridade, e tem que ter racionalidade com isto.


O senhor teria feito isolamento…?


- No primeiro momento, sim. Mas não consigo entender você abrir uma praia e fechar outra a um quilômetro e meio dali; abrir um restaurante, fechar outro. Não consigo entender...


- Eu teria conferido igualdade de tratamento, especialmente para o pessoal do comércio, porque na minha concepção. Não há igualdade. Você pode tomar qualquer medida e não posso criticar essas medidas, mas eu posso ter preocupação quando a adoção destas medidas começa a discriminar determinados comerciantes, determinadas regiões. Eu ouço até uma brincadeira, as pessoas perguntam: será que o vírus tem hora para atacar, para abrir uma praia num determinado horário? Mas você criar uma barreira numa praia, você admitir a abertura de um restaurante e não admitir a abertura de outro, jamais entenderei…


-Teria flexibilizado há mais tempo Não adianta a cidade ficar assim, numa condição semi-aberta, porque quando você roda pela cidade você vai ver que as pessoas estão nos bares, estão sem máscaras. Neste instante, eu abriria. Mas respeitando uma visão técnica e se fosse necessário fechar, fecharia.


FELIPE PEIXOTO, candidato do PSD


- Apesar das minhas divergências políticas com o atual Prefeito, assim que estourou a questão da pandemia, eu gravei um vídeo e publicamente apoiei as iniciativas que estavam sendo tomadas pela Prefeitura. Eu não poderia ter um outro gesto. Era o momento de dar apoio às autoridades sanitárias para que pudessem tomar as decisões corretas. As ações tomadas pela Prefeitura foram bem vistas, mas algumas não tiveram muita eficácia, especialmente as de apoio às atividades econômicas. Acho que o Prefeito esticou um pouco algumas ações e antecipou outras, muito com o objetivo de resgatar a imagem dele depois de tudo o que passou na vida política pessoal. A gente percebeu que houve certo exagero em algumas ações e na antecipação de algumas delas. O importante agora é olhar o futuro da cidade. A Prefeitura lançou o Supera, teve de fazer novas versões porque com o Banco do Brasil foi um fracasso, muita gente não teve acesso ao crédito. Depois, num segundo momento, mudou, algumas empresas conseguiram efetivamente ter acesso, mas ficou também de forma muito restritiva. Acho que a Prefeitura acertou em pegar o Hospital Oceânico, mas errou ao não comprar o hospital e pagar aluguel.


- A prefeitura paga aluguel pelo espaço. Este é um hospital que conheço seis anos. E como deputado ainda fiz uma indicação pela compra daquele hospital, que tem cem leitos, quatro centros cirúrgicos, está montado. E temos grave problema na nossa cidade que é a desorganização do sistema de saúde. Então este hospital pode auxiliar muito para reorganizar o sistema de saúde. Com relação ao dinheiro, a cidade hoje tem uma arrecadação, uma realidade muito diferente da que tínhamos há oito anos. No primeiro ano da gestão do atual Prefeito, o orçamento era de R$ 1,5 bi. Hoje, é de quase R$ 4 bilhões, fruto da questão dos royalties do petróleo. Então a cidade hoje tem condições de assumir este hospital. Temos uma avaliação com preço justo, não estamos aqui querendo prejudicar a vida de ninguém, mas a gente precisa desse equipamento. Primeiro para continuar atendendo na pandemia. Este é o ponto principal. A gente não vai desmobilizar o hospital enquanto houver uma situação grave como a que a gente está vivendo hoje no país. Ao término disso, através de uma consultoria, vamos fazer uma reorganização do sistema de saúde hospitalar da cidade e definir o perfil de cada um dos nossos hospitais. As residências terapêuticas não foram entregues até hoje. A nossa maternidade também está em obras que não foram concluídas. E há mais duas unidades hospitalares, com perfis que são complementares, uma delas com estrutura muito ruim. Quero deixar essa reorganização do sistema de saúde como legado para a população da nossa cidade.


FLAVIO SERAFINI, candidato do PSOL


- Primeiro, acho que Niterói teve alguns pontos de acerto no combate à pandemia. ao reconhecer a gravidade da doença, criar condições de atendimento hospitalar, com a o Hospital Oceânico, o estabelecimento de um programa de testagem… É importante reconhecer o que houve de acerto. Mas a gente viu alguns equívocos. O primeiro foi a prefeitura ceder a uma abertura precoce, isso dificultou o controle da pandemia quando a pandemia ainda era muito forte, Niterói numa semana chamou o lockdown e na outra semana começou a flexibilização. O que não faz sentido. A prefeitura cedeu à pressão econômica, a gente não teria feito isso. Acho que apesar da prefeitura ter ampliado a testagem, essa ação não foi efetiva nas comunidades, por falta de agentes de saúde. Esse agente é muito importante. Niterói está com uma atenção precária, com poucos agentes, tendo que atender emergências. Isso dificultou que essa testagem fosse uma ação efetiva de controle. O que torna a ação efetiva é o agente comunitário de saúde, ele que está na comunidade. O agente vê que a pessoa está doente, já identifica se outras pessoas da família tiveram contato, quem mais teve contato com ele e cuida da testagem na família inteira. Isso não foi feito na cidade. As próprias famílias tinham que procurar atenção. Então faltou essa vigilância ativa.


- Uma outra ação importante que a prefeitura adotou e a gente daria continuidade é a política de apoio social, a vários setores, a famílias, trabalhadores, empresas. Renda Familiar, Empresa Cidadã, Supera Niterói são programas que a gente manteria, levando até depois da vacinação, para permitir que a economia da cidade se restabeleça. Niterói tem condições de fazer isso, estenderíamos até o final do ano que vem


- Eu entendo que a reabertura em Niterói se deu de forma precipitada e isso impactou negativa mentes as curvas epidemiológicas. Você vê que o pico dos casos em Niterói se dá já com a flexibilização em andamento e com isso acabou que a gente não conseguiu controlar de fato a disseminação da doença. A volta teria que ser condicionada a um protocolo, às dimensões do lugar, à presença do público, condições de ventilação, isso tudo depende


Sobre a retomada das atividades e a volta às aulas: “Aqui em Niterói, por exemplo, a gente estagnou num patamar de novos casos por semana que é cinco vezes acima do que a Fiocruz considera como patamar seguro. É melhor que em outros momentos, em maio junho, quando houve o pico da pandemia. Mas ainda é muito alto o número de casos. Entendemos que a liberação pode levar a um aumento de casos e mortes. Nós já tivemos 500 mortes. Isso é um número muito alto. “


Qual o momento de voltar às aulas?


-Tem uma curva, que está sendo estudada, inclusive pela Fiocruz, que estabelece como patamar seguro um índice de contaminação diário que a gente teria que seguir….


O número de novos casos nas últimas semanas ficou em torno de 500. Seria um quinto disto? 100 casos?


Exatamente… isso seria mais seguro para a retomada das aulas, sem significar um risco de aumento de retomada da curva epidemiológica.


JULIANA BENÍCIO, candidata do NOVO


- Eu fiz um plano de ação com um mês de pandemia. E esse plano eu conduziria até hoje. Tem de fazer isolamento, as máscaras deveriam ser usadas. Defendi a ampliação expressiva do número de leitos porque fiz um cálculo de acordo com a ciência e cheguei ao número de 240 leitos necessários para garantir que que o cidadão que precisasse teria esse leito. Sempre. Faria uma gestão muito mais integrada dos agentes de saúde. Aqui era cada um por si e Deus por todos. Visitei muitas comunidades durante a pandemia e nenhuma delas tinha fiscalização. Lá no Fonseca, também no Barreto, era todo mundo andando na Alameda sem máscaras. Tendo uma estrutura de saúde adequada, tenho certeza que a nossa liberalização seria muito menor do que a da atual gestão.


A senhora fecharia o comércio? Fecharia escolas?


- Fecharia! Você está querendo que eu seja rasa numa questão complexa. Você fechar escolas é muito diferente de estar sete meses com escolas fechadas. É muito diferente. Eu fecharia escolas, não tenha dúvida disso. Pelo menos por três meses elas estariam fechadas.


- No caso da pandemia, eu teria o fechamento obrigatório, com certeza, mas garanto que ela não duraria o quanto durou. Isso eu te garanto. Acho muito importante botar nessa resposta que Niterói tem morte per capita até hoje maior que São Gonçalo. Nós matamos, por habitante, mais do que São Gonçalo.


- Acho que foi tudo feito errado. No nosso atual contexto, a gente matou muita gente sem precisar, muita gente sem precisar. Porque se a gente tivesse sido mais inteligente em toda essa condução da crise, a gente teria matado muito menos gente. Porque a gente criou um terror, e pessoas que não podiam pegar pegaram e morreram.


- A medida da renda básica, emergencialmente, é necessária. Na pandemia ela foi muito acertada. O que questionei é a forma como ela foi feita porque selecionou recursos. A atual gestão deu para motorista de aplicativo, por exemplo, mas mais de cem não receberam. Prestadores, de 500, 150 receberam. Por que uns receberam e outros não? Nem eles sabem por que uns receberam e outros não. Eu denuncio o que estou escutando. Quero que o Ministério Público investigue.