Carnaval, só no museu. MAC exibe desfiles da escola de samba Viradouro

Primeira mostra do ano do museu celebra a resiliência do carnaval, da cultura e da vida, no ano que a festa foi suspensa, em todo o país


Por Livia Figueiredo

"Das Cinzas Voltar, Nas Cinzas Vencer, Viradouro de Alma Lavada” / Foto: Renata Xavier e Leandro Lucas


O que começou como projeto pessoal acabou tornando-se um dos maiores registros históricos do Carnaval. A primeira exposição do ano no MAC, “Das Cinzas Voltar, Nas Cinzas Vencer, Viradouro de Alma Lavada”, está aberta ao público a partir desta quinta (21) no pátio do museu. . Os registros são dos fotógrafos Renata Xavier e Leandro Lucas, moradores de Niterói que tem a Viradouro como escola do coração.


O título que dá nome à exposição é inspirado no verso do samba para o enredo de 2019 que abordava a superação. Em formato de intervenção ao ar livre, a partir de uma grande estrutura circular, a mostra tem como objetivo materializar a representação do ciclo da vida e do Carnaval.


Contemplada pelo edital de fomento às artes da Secretaria Municipal das Culturas e da Fundação de Arte de Niterói, a mostra conta com mais de 400 fotos que começaram a ser produzidas pela dupla de fotógrafos em 2017, quando a agremiação de Niterói, ainda no Grupo de Acesso, se preparava para o espetáculo de 2018. A Viradouro conquistou o título que garantiu o retorno ao Grupo Especial. No ano seguinte, já na disputa com as principais escolas, com um desfile arrebatador, foi vice-campeã. A conquista foi considerada inédita na história dos espetáculos na Marquês de Sapucaí, já que nunca uma agremiação havia conseguido esta colocação no retorno ao grupo de elite.


Surpreendidos pela garra e determinação de todos os integrantes, os fotógrafos decidiram eternizar os principais momentos da escola que quebrou paradigmas, emplacando uma sequência inédita de vitórias. Um exemplo de resiliência, a Viradouro nunca se abateu mesmo diante de desafios e adversidades.

Foto: Renata Xavier e Leandro Lucas


Na exposição, os visitantes terão acesso às imagens dos preparativos do barracão, quadra, ensaios de rua e dos espetáculos apresentados pela Viradouro no Sambódromo em seus marcantes últimos três desfiles.Também poderão conferir os registros da festa de comemoração do título, o segundo conquistado no chamado grupo de elite. A mostra conta ainda com diversos painéis, de até sete metros de comprimento cada, dispostos em círculos, por onde o público poderá caminhar entre eles, descobrindo os bastidores dessa história de resistência e luta da Viradouro.


Além de acompanhar, através de uma contagem regressiva, como é feita a construção do Carnaval de uma grande escola de samba, o público terá acesso aos bastidores do carnaval. O formato circular da exposição é uma alegoria ao Carnaval, à vida e ao eterno recomeçar.


Os registros fotográficos dos últimos anos da Viradouro não estarão disponíveis somente no MAC. O público terá acesso ainda a um acervo iconográfico com imagens produzidas para esse projeto, que poderá ser acessado através de QR codes impressos na exposição para que os integrantes da escola, da comunidade e a população possam procurar e compartilhar suas imagens nos desfiles, ensaios e em todos os eventos fotografados pelos autores da exposição. Assim, o público poderá interagir com a conta oficial da exposição no Instagram ou acessando este link.


- 2020 foi um ano muito atípico. Logo após a vitória, o barracão da Viradouro foi atingido por um incêndio de grandes proporções que deixou em cinzas boa parte da sua infraestrutura. Uma pandemia global afetou todas as pessoas e países provocando muito sofrimento. O mundo do samba foi atingido em cheio por essa situação sem precedentes. Pela primeira vez desde que foram oficialmente criados, em 1932, não haverá desfiles em fevereiro. No meio dessas cinzas, buscar sobreviver, renascer. A esperança é o que move a Viradouro, o Carnaval e todos nós - explica a fotógrafa.


A escolha do MAC para o lançamento dessa exposição não é aleatória. Segundo os fotógrafos, ela se dá por inúmeros motivos: o fato de ser um local de interseção, um ponto de encontro cultural de Niterói, a presença de um público heterogêneo que inclui a população de alta e baixa renda da cidade, sem contar com os turistas do mundo inteiro. Além, é claro, da vista privilegiada ao Rio de Janeiro e o projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer. Inclusive este é um elo fundamental para a exposição: Niemeyer era apaixonado pelo samba e é o mesmo arquiteto que projetou o Sambódromo do Rio de Janeiro, palco do maior Carnaval no mundo.


Sobre os autores:


Renata Xavier é fotojornalista. Nascida em Niterói, cursou Cinema e Publicidade na UFF, trabalhou no jornal O Globo e para as revistas das Editoras Abril e Globo. É uma das mais premiadas fotógrafas brasileiras da atualidade, com diversos prêmios nacionais e internacionais, palestrante em congressos e universidades. É também influencer da multinacional japonesa Nikon para a América Latina e partner da européia DreambooksPro.


Leandro Lucas nasceu na capital fluminense e há anos mora em Niterói. Estudou engenharia civil na UERJ e faz fotografias há 20 anos. Já fez palestras em congressos de fotografia e suas imagens foram premiadas no Brasil e no exterior. Algumas imagens da Viradouro incluídas na exposição foram premiadas pelo Prix de la Photographie Paris.


Os dois são um casal há 27 anos e, juntos, fotografam pequenos e grandes eventos pelo Brasil e pelo mundo.


Serviço:


Exposição “Das Cinzas Voltar, nas Cinzas Vencer, Viradouro de Alma Lavada”

Local: MAC - Museu de Arte Contemporânea de Niterói - Pátio

Visitação: domingo a domingo, das 8h às 18h.

Entrada Gratuita, seguindo os protocolos sanitários, com a obrigatoriedade do uso de máscaras, controle de acesso e aferição de temperatura