Casarão da Rogério Tecidos, na Tavares de Macedo, dará lugar a novo empreendimento

Atualizado: há 7 dias

No local será construído prédio misto, com apartamentos e comércio no térreo; loja de tecidos terá endereço provisório

Por Livia Figueiredo

Endereço atual da Rogério Tecidos. Foto: Livia Figueiredo


A tradicional Rogério Tecidos, na Tavares de Macedo 168, que atravessou gerações nos seus mais de 60 anos de história, vai mudar de endereço. Mas será provisório. É que o casarão onde funciona o estabelecimento vai dar lugar a mais um grande empreendimento misto, daqueles de apartamentos que têm lojas comerciais no térreo. Ao fim da construção, a loja têxtil retorna para ocupar um dos espaços.


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— Estamos alugando um imóvel na própria Tavares de Macedo e no futuro retornaremos para uma nova loja no mesmo local — afirma Angela Coutinho, uma das donas da Rogério Tecidos.


A previsão é que em dezembro a loja seja realocada para outro imóvel, na Tavares de Macedo 5. Estabelecimentos vizinhos à Rogério Tecidos, uma loja de bazar e ateliê e uma quitanda, também serão afetados e terão suas estruturas demolidas. No caso do sacolão, funcionários afirmam não saber qual será o destino da loja, que deve desocupar o imóvel em novembro.


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No fim de setembro, o A Seguir: Niterói contou, com exclusividade, que Niterói vive um novo boom imobiliário, depois de oito anos de crise. Há prédios sendo construídos em Icaraí, Santa Rosa, em Charitas, Piratininga e até na região central da cidade, como não se via desde 2013. Para as próximas semanas, está previsto o maior lançamento do ano, um condomínio que será erguido no terreno da antiga sede do Clube de Regatas Icaraí. A previsão é que os investimentos no mercado de construção devem somar R$ 1 bilhão.


Comércio local será afetado: quitanda e a loja Obba, de bazar e ateliê. Fotos: Livia Figueiredo


A mudança da Rogério Tecidos vai ser o recomeço de uma história que começou em 1960, como relembra Ângela Coutinho. Em conversa com o A Seguir: Niterói, ela conta que a empresa começou de maneira bem informal, numa garagem. A ideia foi de Maria Helena Freitas Miguens, tia da comerciante, que morava na casa.


Depois o negócio passou a ser comandado pelo pai de Ângela, José Côrtes Freitas, o Zeca do Tecido. Seis anos depois da abertura modesta na garagem, o marido dela, Altineu Pires Coutinho, comprou o imóvel que pertencia ao sogro. Mas onde entra o Rogério na história?


- Rogério Rosa era nosso gerente. Foi o primeiro funcionário da loja e ficou com a gente até 2010. Começou a trabalhar com minha tia. Era um incrível vendedor! Tinha um jeito especial de falar com as clientes. Ele fez várias amizades na loja. Lembro dele ganhar até presentes no Natal. Pela sua presença marcante, a loja ficou conhecida como a "Loja do Rogério" - conta Ângela.

O antigo endereço da Rogério Tecidos, na Rua Tavares de Macedo nº 158 e 162. Foto: Livia Figueiredo


Angela conta que muitas gerações já passaram pela loja: tem clientes cuja bisavó já comprava tecidos ali. A Rogério Tecidos também trabalha com delivery, mas é no espaço físico que a magia acontece. A loja guarda anos de troca, aprendizado e convívio social, uma memória viva, que resiste, na vida do niteroiense. A loja trabalha com diversos tecidos, como crepe, viscose, brim flanela, linho, opala, tricoline, popeline, entre outros. Porém os mais consumidos são os 100% algodão. Para quem prefere comprar remotamente, os pedidos podem ser feitos tanto pelo WhatsApp, quanto por telefone.

Tricoline lisa 100% algodão. Foto: Reprodução/Instagram



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Negócio de família


A Rogério Tecidos é uma empresa familiar que, ao longo dos anos, manteve sua tradição no comércio de tecidos. Mas tudo começou muito antes da abertura da loja, quando Ambrozina Côrtes Freitas, conhecida como Dona Zinha, passou a vender retalhos de tecidos. O filho dela, Carlos Alberto, trabalhava na Companhia de Tecidos Corcovado, na cidade do Rio de Janeiro, e passou a adquirir tecidos que a Dona Zinha revendia em sua casa, na Rua Magnólia Brasil, no Fonseca. Até que a Fábrica Corcovado fechou. A partir daí, começou a relação da família Côrtes Freitas com o comércio de tecidos.


Rogério Rosa (de verde) com a equipe da loja. Foto: Reprodução/Rede social


Em meados dos anos 60, José Côrtes Freitas, conhecido por Zeca do Tecido, outro filho de Dona Zinha, começou as suas atividades em uma confecção de shorts, camisetas, vestidos, colchas... Tudo feito com tecidos de antigas fábricas (Cia Fluminense de Tecidos, Cia Petropolitana de Tecidos, Sudantex, entre outras).


Zeca do Tecido. Foto: Reprodução/Instagram


Ampliando mais tarde os negócios, juntamente com a mulher, Dona Gladys, Zeca se tornou um conhecido atacadista de tecido, dono da Tecido Côrtes Freitas. Àquela época também Altivani Pires Coutinho, conhecida como Dona Vani, prima do Zeca do Tecido, começou um comércio de tecidos no antigo Canto do Rio, no final da Rua Paulo Gustavo. O espaço era conhecido como mercado da Moema. Após o falecimento dela em 1963, a terceira geração da família Côrtes entrou para o comércio de tecidos.


Expandindo os negócios, em 1965, Maria Helena Côrtes, tia de Ângela, abriu o negócio que viria a se tornar a Rogério Tecidos. Em seguida, foi aberta a loja da Branca, na Otávio Carneiro 140, onde funcionou até 2002. Foi uma época de fiés parcerias com grandes fábricas atacadistas do Rio. O primeiro funcionário da loja foi Rogério Rosa, que se tornou gerente.

Da esquerda para direita: Maria Helena Côrtes, tia de Ângela, e Zeca dos Tecidos, pai de Ângela. Foto: Reprodução Instagram


Em 1995, a quarta geração no ramo dos tecidos assumiu a direção da Rogério Tecidos. Há mais de 70 anos no mercado de tecidos, a loja é uma das mais tradicionais de Niterói.