Casos de Covid se aproximam do pico da pandemia, em Niterói

Cidade teve 826 novos casos da doença e 13 mortes, em uma semana



Uma oscilação no número de casos ou uma segunda onda? Os epidemiologistas ainda não sabem dizer. Mas os indicadores registrados nas últimas semanas começam a se afastar do chamado "platô" em que a doença parecia se estabilizar há alguns meses. Na última semana, foram confirmados 826 novos casos da doença, um número registrado apenas nas semanas de pico da epidemia. Apenas cinco semanas no ano registraram número tão ruim.


Os números foram divulgados no boletim da Prefeitura deste sábado, 28, e organizados pelo A Seguir Niterói por semanas epidemiológicas, como é o padrão da OMS, adotado no mundo todo. Na quadragésima-oitava semana epidemiológica, foram documentadas 13 mortes - resultado que se enquadra na média dos últimos três meses. No total, Niterói registra desde o início da epidemia, 17.231 casos da doença e 523 mortos.


O número de casos de acordo com os boletins diários da Prefeitura


O número de mortes segundo os boletins diários da Prefeitura


Outros indicadores também tiveram sensível piora neste mês de setembro, como o número de internações, que no monitoramento da Covid publicado pela Prefeitura chega 400 pacientes. Hospitais particulares de Niterói informaram, na última quarta-feira, 25, que a ocupação de leitos chega a 74% e a 60% das UTIs reservadas para pacientes com Covid.


A Prefeitura de Niterói não se manifesta desde a segunda-feira,23, sobre a evolução da doença. A cidade foi enquadrada no estágio de alerta vermelho pelo Mapa de Risco da Covid, feito pela Secretaria Estadual de Saúde - como também os municípios vizinhos, que compõem a Região Metropolitana II. O Prefeito Rodrigo Neves, que está com Covid e teve uma pneumonia em consequência da doença, não fez a tradicional live das quintas e não houve qualquer comentário do governo. A Secretária de Fazenda, Giovanna Victer também contraiu a doença, mas já se recuperou. O Prefeito eleito, Axel Grael, foi outro integrante do governo a testar positivo, mas não relatou sintomas.


Os epidemiologistas parecem estar de acordo que o aumento dos casos reflete medidas de liberação de atividades econômicas, especialmente em outubro, como a autorização para o funcionamento de bares até de madrugada e com música ao vivo, entre outras.

Observam, no entanto, um novo perfil no tipo de contágio. Depois das medidas de isolamento, os jovens passaram a sair mais e eles hoje respondem por quase 80% dos casos de Covid. Embora sejam mais resistentes à doença, são eles os portadores do coronavírus e estão levando a doença para dentro de casa, o que ameaça pessoas mais idosas e com comorbidades. Este grupo representa menos de 20% dos casos, mas é o mais vulnerável diante da doença: 80% dos mortos têm mais de 60 anos.


Neste sábado, 28, a pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcomo, ouvida pelo Jornal Nacional, alertou que nesta nova etapa da epidemia o coronavírus está entrando nas casa e infectando pessoas que acreditavam estar se protegendo. Ela reforçou a necessidade de atenção às medidas de proteção, especialmente o isolamento.


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