Cemitério do Maruí tem fila para enterros; Prefeitura nega

Atualizado: Abr 20

Família teve de esperar 72 horas para sepultar parente no Barreto, Zona Norte de Niterói


Por Gabriel Gontijo

Capela do Cemitério do Maruí. Foto: Prefeitura de Niterói


Não bastasse toda a ameaça de colapso hospitalar que chegou a rondar Niterói pelas altas internações por Covid em UTIs, agora a cidade tem a ameaça de não ter local para sepultamentos. Isso já ocorreu no Cemitério do Maruí, no Barreto, Zona Norte de Niterói. Uma pessoa que pediu para não ter o nome revelado informou que perdeu um parente vítima de infarto na última sexta-feira (16), mas só consegui sepultá-lo nesta segunda (19) no Maruí.


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Uma fonte ligada à Secretária de Obras de Niterói, responsável pela administração dos cemitério públicos da cidade, confirmou ao A Seguir: Niterói que o tempo de espera para um sepultamento no Barreto está "em média" em 48 horas.


Procurada, a Prefeitura de Niterói informou que "todo procedimento para os sepultamentos no Maruí se encontra normal e que não há a existência de filas". Sobre a pessoa que demorou 72 horas para enterrar um parente, a Prefeitura alegou que "é preciso saber o nome completo de quem foi sepultado no Maruí depois de três dias para apurar o que houve, pois deve ter sido algo pontual. "


O Cemitério do Maruí atende moradores de Niterói, de São Gonçalo e de Itaboraí.


Freezer para deixar o corpo armazenado enquanto a vaga não surge


A reportagem entrou em contato com dois estabelecimentos que trabalham com assistência funerária para saber o que têm feito em caso de filas para enterro. Um deles contou que procura se informar a todo o momento com a Prefeitura para saber quando pode resolver toda a parte burocrática para oferecer o apoio com caixão, carro e traslado.


Já outra empresa do ramo informou que oferece um freezer para deixar o corpo armazenado enquanto a vaga no cemitério não surge. Informou que é possível notar "um certo crescimento" de pessoas pedindo pela utilização do serviço.


Em ambos os casos, as assistências informaram que só estão realizando o serviço apenas para o Maruí, porque o número de vagas em Itaipu e Charitas já é bem pequeno, normalmente, se comparado ao do Maruí. E o funcionário ligado à Secretaria de Obras admitiu que a demanda é bem maior no cemitério localizado no Barreto. - Itaipu e Charitas têm poucas vagas se comparadas ao Maruí. No Barreto são 22 mil vagas e dá de 10 a 16 enterros por dia. Charitas tem 2 mil vagas só, bem pouco. E Itaipu não tem 700 vagas. Mesmo com essas limitações, eles ajudam como podem - declarou o profissional.


Prefeitura alega que todos os cemitérios municipais seguem funcionando normalmente


A Prefeitura de Niterói voltou a afirmar que " os três cemitérios municipais estão em funcionamento" e que está trabalhando na "construção de mais 50 sepulturas no cemitério do Maruí". Além disso, "foi feita a contratação de 302 gavetas no cemitério do Maruí e obras de reforma e ampliação no cemitério de São Francisco, com a construção de 240 gavetas, além da contratação de serviços cemiteriais e compra de urnas para atender às pessoas em situação de vulnerabilidade social".


A Secretaria de Obras informa, ainda, que no início da pandemia, em março de 2020, foi realizada a construção de 100 sepulturas no cemitério do Maruí; a ampliação de 352 gavetas no cemitério do Maruí; a construção de 160 gavetas no cemitério de São Lázaro; a contratação de 120 serviços de cremação; a contratação de serviços cemiteriais, incluindo um carro para traslado; além da preparação de área para 2000 covas rasas - informou a Prefeitura.


Parque da Colina afirma que não tem tido filas


Único local da cidade que conta com um crematório, o cemitério Parque da Colina, localizado em Pendotiba, informou que "a operação segue sem filas para sepultamentos".


Quando perguntada sobre o funcionamento do crematório, que chegou a apresentar filas no início do ano, a assessoria afirmou que "está funcionando normalmente. Os fornos do crematório só param, se necessário, para execução de manutenções programadas".