Centrão domina eleição no estado do Rio de Janeiro

DEM, MDB e PP foram os partidos que mais fizeram prefeitos, em eleição que o pêndulo do eleitor evitou o Bolsonaro e o PT


por Gabriel Gontijo

Novos nomes da velha política, na eleição de Garotinho, em Campos; Centrão se impõe no estado do Rio de Janeiro

Um estado conservador, de centro, com inclinações para a direita. É o retrato do Rio de Janeiro depois das eleições de 2020. Nas cidade mais relevantes do estado, a população preferiu partidos que estão aliados ao Centro. Nas cidades que tinham candidatos com o apoio declarado do Presidente Jair Bolsonaro, eles foram amplamente derrotados. Mas os partidos tradicionalmente ligados à esquerda também viram seus representantes ficarem pelo caminho. Na capital e em parte da Região Metropolitana o cenário não foi diferente. A cidade do Rio escolheu um Prefeito de centro-direita, Eduardo Paes (DEM), e a Baixada Fluminense teve os candidatos dos municípios mais populosos ligados aos partidos de centro. Na Baixada, alguns foram eleitos no primeiro turno, como Washington Reis (MDB), em Caxias; e Waguinho (também do MDB), em Belford Roxo. Na única cidade da região que contou com segundo turno, o resultado em São João de Meriti derrotou justamente um candidato de um partido que teve o apoio de Bolsonaro. Dr. João, do DEM, venceu com 56,83% o candidato do PSC, partido que apoia o Presidente, Léo Vieira, que teve 43,17%.

Esquerda leva em Niterói e Maricá. Direita conquista São Gonçalo Um cenário muito peculiar aconteceu nas cidades vizinhas a Niterói. Graças ao apoio do atual Prefeito Rodrigo Neves, Axel Grael foi eleito representando o PDT, mas contando com uma aliança com o PT. E o partido, por seu lado, emplacou Fabiano Horta, em Maricá, com uma votação história, quase 90% dos votos válidos. Mas a proposta de construir um "Cinturão de Esquerda" falhou justamente na cidade mais populosa da área, em São Gonçalo. O município gonçalense acompanhou uma virada surpreendente do policial militar de carreira Capitão Nelson, do Avante. Embora ele tenha ficado atrás em todas as pesquisas do segundo turno, conseguiu ser eleito com 50,79% dos votos válidos. Ainda em relação a São Gonçalo, dois fatores foram determinantes para a vitória do candidato do Avante. O apoio público de Bolsonaro e, principalmente, o voto evangélico. Além de quase um terço do eleitorado ser formado por seguidores dessa religião, figuras como o pastor Silas Malafaia e o Deputado Federal Ottoni de Paula também declararam apoio a Capitão Nelson. Nas demais cidades do estado, apenas Cabo Frio, na Região dos Lagos, e Petrópolis, na Região Serrana, contaram com eleitos ligados a partidos de esquerda ou centro-esquerda. Em Cabo Frio, o vitorioso foi José Bonifácio, do PDT, partido pelo qual o novo prefeito sempre foi filiado. Já em Petrópolis, o vencedor foi Rubens Bomtempo, do PSB, que derrotou Bernardo Rossi no segundo. Apesar disso, a candidatura está sub judice e ainda será julgada pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Centrão abocanhou principais cidades em todas as regiões do Estado Locais como Campos, Itaperuna, Macaé, Nova Friburgo, Teresópolis, Rio das Ostras, Arraial do Cabo, Búzios, Volta Redonda e Macaé optaram por escolher pessoas ligadas aos partidos do chamado Centrão. O mesmo cenário foi encontrado nos principais locais da Costa Verde. No Norte Fluminense, Campos elegeu Wladimir Garotinho e Itaperuna escolheu Alfredão. Ambos os candidatos eleitos são do PSD. Em Macaé, o eleito foi Welberth Rezemde, do Cidadania. Na Região dos Lagos, Alexandre Martins (Republicanos) foi eleito em Búzios, Lívia de Chiquinho (PP), em Araruama, Marcelo Magno (Solidariedade), em Arraial do Cabo, e Marcelo da Farmácia (PV) foi o escolhido em Rio das Ostras. A Região Sul-Fluminense foi o reduto do DEM, pois os candidatos do partido venceram nas três principais cidades da área. Em Volta Redonda, a população elegeu Neto; Rodrigo Drable foi o vencedor em Barra Mansa e Diogo Baliero Diniz elegeu-se em Barra Mansa. Na Costa Verde, Fernando Jordão (MDB) foi vitorioso em Angra dos Reis e Alan Bombeiro (PP) foi o candidato eleito em Mangaratiba. E em Itaguaí, Dr. Rubão (Podemos) tornou-se o novo prefeito do município.

"Movimento pendular" decidiu pelo Centrão

A consultora política e especialista em gestão pública Fernanda Galvão explica que em política existe um "movimento pendular", que é a oscilação entre os extremos, esquerda e direita. Mas ela explica que quando isso ocorre com frequência, a tendência é que esse pêndulo fique mais ao meio. E Fernanda vai além. A situação que aconteceu no Estado do Rio nada mais é do que um reflexo do perfil do eleitor brasileiro. - O eleitor opta pela segurança do centro. De vez em quando ele vai para um extremo ou outro, como no caso da eleição do Lula em 2002. Mas em geral, ele tende a ficar mais no centro. Inclusive, o próprio PT deixou de ser extremista há muito tempo, tanto que nos dois governos dele e também da Dilma houve alianças com o Centrão. Agora, com a vitória do Bolsonaro em 2018, esse pêndulo foi mais para a direita, mas é normal que se busque o caminho do centro, porque ele só escolhe um lado mais específico quando deseja uma mudança radical. Mas isso não dura para sempre, então o eleitor vai pela busca da estabilidade - explica Fernanda.