Centro de Artes UFF faz programação especial pelo Dia da Consciência Negra

Além de debate, UFF exibirá peça sobre sociedade mais justa e livre de preconceitos


Por Livia Figueiredo


O autor Henrique Vieira na peça “O amor como revolução” / Foto: Divulgação


Como parte do programa “A arte nos une”, o Centro de Artes UFF preparou uma programação especial para o mês da Consciência Negra. Começando no dia 24/11, com o debate online do “Teatro e Consciência Negra”, que contará com a participação de três importantes representantes da militância negra teatral da atualidade: o pastor e ator Henrique Vieira, o ator e diretor teatral Rodrigo França e a atriz e diretora teatral Tatiana Henrique. A mediação fica por conta do diretor de Teatro da UFF, Robson Leitão.

Além disso, complementando a programação, o Centro de Artes UFF irá apresentar, pela primeira vez no formato online, a peça “O amor como revolução, escrito e interpretado pelo pastor Henrique Vieira. O espetáculo, que será exibido no dia 27/11, é uma obra que tem como mote a dimensão do desamparo humano diante das imprevisibilidades da vida e de quanto o amor se apresenta como o único sentido possível para a nossa existência. De forma totalmente reformulada, a peça será exibida pela plataforma Zoom. Os ingressos já estão à venda e podem ser adquiridos pelo link: https://www.sympla.com.br/o-amor-como-revolucao-online--ao-vivo__1055481


-A gente sempre procura fazer algum evento ligado a essa efeméride. Desde antes da pandemia, já estávamos com a ideia de trazer para o Centro de Artes UFF a peça, mas optamos por suspender, pois estávamos sem previsão de abertura do Teatro da UFF naquele momento. Com a proximidade do dia em que é celebrada a Consciência Negra, retomamos as negociações com a expectativa de levar ao público o espetáculo no formato online. Resolvemos convidar para a programação o pastor e ator Henrique Vieira, pois ele é um dos defensores da luta anti-racista e, inclusive, está apoiando atualmente candidatos que têm essa proposta nas suas plataformas eleitorais – conta o diretor de Teatro da UFF.

A peça é inspirada no livro “O amor como revolução”, escrito pelo pastor Henrique Vieira, que faz um retrato do poder renovador do amor, que se traduz em atitudes generosas com o próximo e que pode ser uma força poderosa na construção de uma sociedade mais justa e livre de preconceitos. Co- produzida por Lázaro Ramos, a peça relata a história de um menino que, desde muito cedo, precisou lidar com o descontrole humano ao perder parte significativa da sua visão logo na adolescência.

Contudo, justamente no momento de sua maior fraqueza, o menino descobriu o amor como atitude concreta de zelo e esperança. O amor que surgiu no colo de sua mãe, na solidariedade de seus amigos, no acolhimento de sua escola e em outras situações que o narrador vai contando. Enquanto relata essas histórias, o narrador vai se transformando nos personagens citados por ele. Em tempos de fragilidade humana exposta, a peça pode ser considerada um sopro que respeita a dor, reconhece a lágrima e, ao mesmo tempo, convida ao caminho de esperança e transformação.


-A peça foi escolhida pelo Centro de Artes UFF devido ao próprio tema que aborda: o amor como revolução, já que estamos vivendo um período em que o ódio é exacerbado e todas as oposições se tornam evidentes. A questão do amor é primordial para ser discutida, dentro até mesmo da luta anti-racial. Ao mesmo tempo, resolvemos fazer um debate com o pastor Henrique Vieira e com o diretor Rodrigo França, que coloca em evidência a questão da negritude dentro do teatro. Para compor a mesa, chamamos a atriz Tatiana Henrique que também é militante da causa. O objetivo do debate é discutirmos essa questão e um trabalho que vem sido feito nessa linha, através de um elenco composto por atores, escritores e produtores negros – complementa Robson.


O debate “Teatro e Consciência Negra” será transmitido no dia 24/11 às 17h, no Facebook e no Youtube do Centro de Artes UFF. Acreditando no potencial revolucionário dos pequenos gestos e das ações cotidianas, Henrique compartilhará suas experiências com o leitor: a prática pastoral desde muito jovem, a arte da palhaçaria, a atuação como vereador na cidade de Niterói, as memórias da infância, as lembranças dos avós e os tempos escolares.

-O amor como revolução é um desafio necessário em nossos tempos. É um chamado para transformarmos o amor em atitudes concretas que ultrapassam nossa própria existência – afirma o autor da peça.


O ator Rodrigo França e a diretora Tatiana Henrique / Foto: Divulgação


Rodrigo França enfatiza a importância de se discutir a questão racial no Brasil e diz que o racismo no país reside na sutileza. “É um racismo velado”. Ele conta que dentro de casa percebia o racismo em questões muito simbólicas.


- Gente que me abraçava e depois ia limpar a roupa, gente que não queria comer da minha comida porque achava que tinha feitiço. E aqui eu nem digo intolerância religiosa, é racismo religioso mesmo, porque é sempre com a cultura afro, sempre com a negritude - completa Rodrigo, que é também diretor do espetáculo teatrais “Oboró – masculinidades negras”, entre outros.



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