Cia. De Teatro faz espetáculo on-line, com o Centro de Artes da UFF

A peça Metrópoles é co-criação de Gyl Giffony e Silvero Pereira e precisou ser adaptada para exibição no Instagram


Por Gabriella Balestrero



Em época de distanciamento social, ir ao teatro está fora de questão, certo?! A resposta é não, se depender dos atores Gyl Giffony e Silvero Pereira, integrantes da Inquieta Cia. De Teatro e idealizadores do espetáculo Metrópole Online, um remake da apresentação de mesmo nome, mas com montagem voltada completamente para o espaço virtual.

A partir da dramaturgia de Rafael Barbosa, a peça que se passa exclusivamente dentro do espaço virtual explora a vida dos irmãos Caetano e Charles, que, através de vídeos chamadas, estreitam os laços de seu, até então, relacionamento distante. Passando pelo presente, passado e futuro, ambos compartilham seus desejos, frustrações e coragem enquanto vivem em distanciamento social.


O espetáculo, que teve estreia no último fim de semana, tem suas últimas apresentações nos dias 17 e 18 de julho, no perfil @sala_de_espetaculos, no Instagram. Em parceria com o Centro de Artes da UFF, o projeto prevê ainda um bate papo virtual com os atores após a última apresentação sobre a experiência de apresentação e também do ser artista em distanciamento social. Para assistir, é preciso adquirir o ingresso através do site do Sympla.


Em entrevista, Gyl Giffony contou ao A Seguir: Niterói um pouco mais sobre o processo de construção desse espetáculo. Confira:


A Seguir: O espetáculo é um remake de uma peça que já ocorria no espaço físico. Como foi o processo criativo de levar a peça para o espaço virtual?


Gyl Giffony: Eu e Silvero fazemos o Metrópole desde 2012, em uma montagem que trabalhamos em espaços não convencionais, em salas de dança. Nesse período de pandemia, o Silverio entrou em contato comigo para fazermos uma versão online e então percebemos que precisaríamos de uma nova montagem, porque estávamos em um outro meio que exige uma outra forma de contracenar. A peça acontece dentro de nossas casas, então era preciso compreender de novo como fazer esse espetáculo.

Pensamos em partir dos elementos do Instagram, trabalhando com as ferramentas que a plataforma oferece, como o formato de tela, os filtros e os comentários. Outra dramaturgia importante também foi trazer elementos da sessão de teatro para o espectador, então as pessoas entram, tem um momento de espera e a gente inicia o espetáculo, depois ocorrem os agradecimentos. A transmissão é feita em tempo real, não operamos com nada previamente gravado, executamos o espetáculo ali naquele momento estabelecendo um jogo muito vivo com o telespectador.


Como é a sensação de ter um público exclusivamente virtual?


Não é igual porque o convívio através das redes e das plataformas virtuais é outro. Ele não se dá no convívio presencial, não estamos dividindo o mesmo espaço nem formulando a comunidade que se forma no teatro quando o encontro é físico.

Os sentidos que podemos explorar são outros, é uma experiência que também nos faz aprender como cativar o espectador de forma que ele possa viver essa experiência com a gente. É impossível, nesse meio, ter a mesma experiência que a de uma sala de teatro, mas nós exploramos a possibilidade de conexões por essa via, compreendendo que existe uma série de outras formas de emocionar junto. Tomamos a casa como um grande playground e junto com a utilização das ferramentas da plataforma e de elementos de cena, como figurino, cenário e luz, é gerado um interesse que vai se renovando.


Como foi a interpretação do final de semana passado e qual a expectativa para essa próxima? A volta do público?


Tem acontecido uma comoção em torno da montagem, temos tido um retorno muito forte. Esses dias, um psicanalista (Mauro Reis) escreveu sobre o Metrópole, refletindo sobre como algumas profissões, principalmente as que trabalham diretamente com outros corpos, como psicanalistas, artistas e profissionais da área da educação, precisam criar novas estratégias para alcançar seu público. Quando criamos esse lugar de experiência para o Metrópole, também estamos afirmando um lugar de potência inventiva para a vida que está impedida. Tem uma insistência muito bonita pela vida nessa montagem, de buscar o outro e de realização do nosso trabalho, da nossa arte. Efetivar isso formula também uma possibilidade para o mundo e para outras áreas.


Existe a ideia de fazer outras peças nesse formato e torná-lo mais uma possibilidade de fazer teatro para além do período de distanciamento social?


Já há muita gente experimentando em vários lugares do Brasil e do mundo a possibilidade de criação do “tecnovideo”, utilizando várias plataformas. Nós mesmos também, Silvero está estreando uma outra obra já criada especificamente para a plataforma virtual e eu estou começando um processo criativo que mescla tanto o espaço urbano quanto transmissões virtuais. Isso já vinha acontecendo no teatro porque a tecnologia já está em nossas vidas, mas no momento a relação está mais evidente, mais colocada.


Como se deu o processo com o Centro de Artes UFF?


Possivelmente sem a parceria seria inviável realizar essa temporada. Estreamos o espetáculo no final de junho e a instituição se interessou pela proposta e fez o convite, que foi ótimo para a gente. Além disso, ainda há o encontro amanhã em que vamos poder realizar um bate papo sobre o processo criativo, entre outras questões que se dão nesse momento na vida da gente como artista, como produtor cultural.


Além da peça, Niterói oferece diversas outras possibilidades culturais online para o mês de julho. Confira:


A Biblioteca Parque de Niterói está com uma extensa programação virtual. As atividades serão exibidas no Facebook e no Instagram. Entre elas está o programa “Conecta Leitor”, que nos dias 18, 21 e 22, recebe convidados para conversar sobre literatura. Para saber mais basta acessar as redes sociais da biblioteca.


O Teatro Municipal de Niterói também oferece programação de lives em suas redes sociais, com opções para toda a família. Merece destaque as apresentações de Elisa Lucinda lendo trechos de seu segundo romance “O Livro do Avesso: o pensamento de Edite”. Para ver a programação completa, é só acessar a página do teatro.


O programa do Teatro Popular Oscar Niemeyer também está a todo vapor. Além do Cine Drive In (confira a programação), o espaço apresenta a terceira edição de sua festa de São João, desta vez online. As atividades acontecem no dia 18 (sábado), e contam com aula de culinária de comidas típicas de São João e de Forró. No domingo, ocorre a edição do “Sarau dos Outros”, com apresentações da banda Se7e Asas e da cantora Caroll. Veja a programação completa.



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