Ciclistas de Niterói querem mais respeito dos motoristas do que ciclovias

Integrante do grupo Pedal Sonoro, Luís Araújo destaca que é preciso garantir a segurança de quem pedala


Por Gabriel Gontijo

Foto: Pixabay


Após a Prefeitura de Niterói anunciar que vai implementar 21 quilômetros de ciclovia em Piratininga, usuários de bicicletas dizem que esperam ser mais respeitados no trânsito. Integrante do coletivo Pedal Sonoro, Luís Araújo afirma que esse projeto é fundamental para garantir a segurança do ciclista no trânsito niteroiense.


- A ciclovia é uma excelente ferramenta para todos, principalmente para ajudar na independência das crianças e dos jovens. No entanto, para isso acontecer é necessário ter uma malha cicloviária conectada ao tráfego de forma segura. O poder público tem a obrigação de garantir essas condições através de infraestrutura, medidas de ajuste no trânsito e campanhas de conscientização para motoristas - defende Araújo.


Ele ainda é favorável à criação de uma Frente Parlamentar pela Mobilidade Sustentável, que seria um grupo de caráter suprapartidário com o objetivo principal de

pautar e debater questões relacionadas à mobilidade urbana, priorizando

os modos ativos de transporte e a sua relação com o meio ambiente.


Quem concorda com o integrante do Pedal Sonoro é a bacharel em Direito Carolina Loureiro. Nascida no Rio, mas moradora de Icaraí há quase 30 anos, ela explica que anda de bicicleta desde a época em que morava na Zona Sul carioca, quando se deslocava de casa, no Leblon, para estudar no colégio localizado no Jardim Botânico.


Ela reclama que o trânsito atual niteroiense dificulta a vida do ciclista e que é preciso ter muita atenção para não sofrer um acidente.


- O trânsito em Niterói hoje está um caos, e isso é pior para quem pedala. Antes até era possível você andar de bicicleta com certa tranquilidade, pois sabia quais os horários eram mais complicados, geralmente os do "rush", ou quais vias eram mais difíceis para o ciclista. Então você se programava para evitar riscos. Agora não tem mais isso. E o boom dos prédios aumentou o número de carros na rua. É horrível para quem prefere andar de bicicleta - critica Carolina.


Número de ciclistas quadruplicou em cinco anos, mas acidentes também tiveram aumento


A reivindicação por mais respeito ao ciclista no trânsito faz sentido quando se compara o número de usuários de bicicletas em um período de cinco anos. De acordo com dados do Niterói de Bicicleta, esse número estava em aproximadamente mil em 2015. Já no ano passado, esse dado quadruplicou, chegando a quase 4 mil.


Apesar do crescimento, o número de ciclistas atropelados também registrou aumento. De acordo com levantamento feito pela pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Niterói teve, em 2019, 1.610 ciclistas vítimas de acidente de trânsito. O dado representa um crescimento de 57% se comparado com 2010, quando 1.024 usuários de bicicletas sofreram atropelamento.


Com o intuito de evitar o aumento de acidentes, o Niterói de Bicicleta informa que planeja fazer neste ano uma série de ações voltadas para a educação do trânsito, orientando os motoristas sobre a importância de se ter respeito aos "meios de transporte ativo". Além disso, a secretaria informou em nota que a coordenadoria do programa está presente nas escolas "para realizar a conscientização de pais e alunos na volta às aulas".


Quando questionada sobre quais ações efetivas o Niterói de Bicicleta tem realizado para ajudar a proteger a vida de ciclistas, a secretaria respondeu citando exemplos de ações feitas que "reconhecem cada vez mais o papel positivo que tem a bicicleta na cidade", como "a implantação do Bicicletário Arariboia junto às barcas, que permite o estacionamento seguro de bicicletas de forma gratuita no centro do município e a ciclovia da Marquês do Paraná que conecta o bairro de Icaraí ao Centro".


Sócia de cicle dá dicas sobre o que o ciclista pode fazer para evitar acidentes


A sócia da Fika Bike Café, que se encontra no Centro de Niterói, Maria da Conceição Coura e Silva, orienta que é preciso o ciclista estar atento a algumas dicas que podem prevenir os acidentes no trânsito.


O ideal, segundo Conceição, é pedalar na beirada da pista, mantendo uma distância segura do meio fio, e jamais andar pela sarjeta. Ainda em relação a isso, é possível andar tanto no bordo da faixa direita quanto da esquerda, mas o ideal é pedalar pela direita por ser mais segura. Além desses cuidados, ela cita outras precauções importantes.


- Nunca passe por veículos parados no trânsito pela direta, já que ninguém espera ser ultrapassado por ali. Um passageiro pode abrir a porta ou o motorista pode entrar em um estacionamento de surpresa. Outro cuidado necessário se refere a caminhões e ônibus, pois eles têm muitos pontos cegos e, nas curvas, espremem quem estiver do lado. Jamais se coloque ao lado de um veículo grande, até porque o deslocamento de ar pode fazer com que você se desequilibre - detalha.


Outro ponto que a sócia do cicle frisa é sobre a aceleração quando o semáforo abre. Nesta situação, a baixa velocidade dificulta o equilíbrio, o que torna as ultrapassagens mais arriscadas. Por isso, o ideal é ocupar a ciclofaixa para evitar ultrapassagens e tentar ganhar velocidade o mais rápido possível. Mas olhe o trânsito ao redor, principalmente se for em área de cruzamento, e analise os tipos de veículos que se encontram na via nesse momento. Na dúvida, prefira esperar.


Acessórios são fundamentais antes de pedalar


Conceição também alerta sobre a importância do uso de acessórios para quem deseja pedalar na rua. Ela explica que isso deve ser usado por todos que pedalam, independentemente se são atletas ou se usam a bicicleta no cotidiano para trabalho. Por isso, capacetes, óculos de proteção e luvas são essenciais.


- O capacete é um dos itens de segurança mais importantes para quem anda de bicicleta. Esse equipamento precisa ser do tamanho certo para a cabeça e tem que estar corretamente ajustado, sendo que as tiras ideais sãos as que ficam rentes às orelhas e o ajuste traseiro precisa ser sempre conferido. Já os óculos são fundamentais porque é comum “dar de cara” com insetos voando ou mesmo detritos levantados por pneus de outros veículos ou bicicletas. O ideal são modelos com proteção UV e resistência contra impactos - esclarece.


Em relação às luvas, ela afirma que, "apesar de muita gente achar que não precisa disso", o item também ter que estar incorporado à rotina do ciclista pelo fato das mãos serem as primeiras partes do corpo machucadas durante um acidente.


- Em caso de tombos, as mãos são a primeira linha de defesa. Por isso, além de protegerem a pele contra o atrito nas manoplas, um bom par de luvas também pode ajudar bastante para evitar um machucado, justamente em uma das partes do corpo que você mais usa no dia a dia, seja para trabalhar ou estudar - finaliza Conceição.