Cientista da USP diz que o Brasil já vive segunda onda da Covid

Atualizado: Nov 19

Para Domingos Alves, o país nunca controlou efetivamente o coronavírus


“O Brasil já vive uma segunda onda da Covid”, alerta o pesquisador Domingos Alves, responsável pelo Laboratório de Inteligência em Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto. O cientista foi ouvido em reportagem da Folha de São Paulo.

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A avaliação se baseia na evolução da taxa de reprodução (Rt) do coronavírus no país, que indica que a pandemia voltou a crescer por A taxa é calculada com base no aumento de novos casos e permite saber quantas pessoas são contaminadas por alguém que já está infectado. Quando o índice fica acima de 1 indica que a pandemia está se expandindo. Quando fica abaixo de 1, é sinal de que a pandemia está perdendo intensidade. Na segunda-feira, 16, a taxa era de 1,12 no Brasil, de acordo com o Observatório de Síndromes Respiratórias da Universidade Federal da Paraíba. Isso significa que 100 pessoas irão infectar outras 112, que, por sua vez, irão infectar outras 125. Assim, a epidemia brasileira cresce exponencialmente.

Na mesma data, a Rt estava acima de 1 em 20 estados, entre eles, o Rio de Janeiro - embora o estado não apareça na relação quando se avalia a média móvel de 14 dias, o que significa que a tendência no estado é mais recente. A situação estava mais crítica no Paraná, onde a taxa era de 1,62.

A média da taxa de reprodução do coronavírus chegou a ficar três meses abaixo deste patamar, mas voltou a ficar acima de 1 na semana passada, o que caracteriza a segunda onda identificada por Alves.

De acordo com o cientista, o Brasil entra na segunda onda da doença sem conseguido controlar efetivamente o coronavírus em momento algum. Isso gerou quase uma sobreposição entre as ondas de contágio, uma situação semelhante à dos Estados Unidos.

-Nunca conseguimos controlar a transmissão comunitária- disse o cientista da USP, em referência ao estágio de uma epidemia em que um vírus circula livremente entre a população.

A tendência aparece também no monitoramento da média móvel de novos casos registrados no país feito pelo Covid-19 Brasil. Essa taxa vinha apresentando uma tendência de queda desde meados de agosto e atingiu seu menor valor desde então em 6 de novembro, com 13.644 de novos casos. Então, voltou a subir. Neste 16 de novembro, a média móvel ficou em 28.425 novos casos, um aumento de 208% em questão de dez dias.

-Nossa segunda onda vai ser mais parecida com a dos EUA do que com a da Europa, porque a Europa conseguiu controlar de verdade a transmissão, que voltou com força depois do verão, quando as pessoas foram viajar e trouxeram novas cepas do vírus para casa", afirma Alves.

O conceito de segunda onda não é tão preciso, e alguns epidemiologistas entendem que é apressado falar em segunda onda. Pelo perfil que a doença assumiu no Brasil, permanecendo no que chamam de platô, um número de casos considerado alto, estes especialistas consideram as mudanças no índide de transmissão como "flutuações". Como a doença está próxima do índice 1, pode oscilar para cima ou para baixo, esporadicamente.

A Folha de São Paulo lembra, na reportagem, que, na sexta-feira passada, 13, o presidente Jair Bolsonaro comentou o risco de o país enfrentar uma segunda onda de contágios, como o mesmo descaso de sempre. Disse:

-E agora tem a conversinha de segunda onda. Tem que enfrentar se tiver. Se quebrar de vez a economia, seremos um país de miseráveis -, disse à porta do Palácio da Alvorada.


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