Cientistas alertam que máscaras precisam ser mais eficientes

Surgimento de mutações do coronavírus, com maior risco de transmissão, faz países recomendarem máscaras de uso médico e hospitalar


Máscaras de pano vendidas no comércio popular. Marcelo Camargo/Agência Brasil


O alerta veio de longe. Mas o perigo está bem perto. O governo da Alemanha anunciou na semana passada que todo cidadão que sair às ruas deve usar máscaras N 95 ou KN 95, aquelas usadas pelos médicos na linha de frente, ou máscaras cirúrgicas. O cuidado se deve ao surgimento de novas variantes do Coronavírus. Na Europa, a B.1.1.7 - também já documentada por aqui. A mesma preocupação fez o governo da Itália proibir a entrada de passageiros do Brasil. Querem barrar a variante “P.1” do vírus Sars-CoV-2, conhecida no país como "brasileira". Pesquisadores no Brasil acreditam que a nova variante do Coronavírus identificada no Amazonas pode estar por trás do caos vivido nos últimos dias em Manaus.


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As informações sobre as variantes do vírus ainda são precárias. Mas já bastam para alertar que as mutações tornam o contágio ainda mais fácil e a expansão da doença mais rápida. Conhecimento suficiente para que médicos, infectologistas e pesquisadores sejam unânimes na recomendação de redobrar a atenção com as medidas de proteção, como o uso de máscaras, o isolamento social e a limpeza das mãos e dos ambientes. Um ponto importante nesta discussão é a qualidade das máscaras que usamos.


Máscaras de pano, máscaras de papel, máscaras hospitalares, máscaras cirúrgicas… a variedade é enorme. Na terra do jeitinho, o pano pendurado no queixo engana o guarda mas não protege do vírus. Os especialistas advertem que está hora de falar sobre as máscaras. Além da Alemanha, a França e a Áustria também avisaram que as máscaras de pano deixaram de ser indicadas e recomendaram o uso da N95 e das máscaras cirúrgicas. Advertem que, " se a pandemia é mais forte, a máscara tem que ser mais forte também.”


Máscara N95 é modelo considerado seguro. Reprodução



O uso da N 95, decerto, é inviável, no dia a dia, até mesmo num país rico como a Alemanha, que admite o uso da máscara cirúrgica, como opção. Mas a recomendação está dada: atenção com a qualidade das máscaras.


Para o engenheiro biomédico Vitor Mori, membro do Observatório Covid-19 BR e pesquisador na Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, o ideal é que a máscara tenha malhas bem fechadas – de 2 a 3 camadas de pano. Para verificar, a pessoa pode fazer o teste da luz do sol – vendo se consegue enxergar a luz do sol através da máscara – ou o teste da vela.

- Estando de máscara, tentar apagar um fósforo, uma vela, um isqueiro: se conseguir apagar com certa facilidade, é sinal de que não é tão grossa quanto deveria. Isso serve para ver a qualidade da máscara – mas não adianta se ela não ajusta (no rosto)", reforça Mori.

Mori pontua que as N 95 podem ser úteis para aumentar a proteção em determinados locais, como o transporte público. "Se você está num lugar fechado, mal ventilado e com aglomeração e não ir para esse local não é uma opção, uma máscara do tipo N95/PFF2 aumentaria a segurança por parte daqueles que estão usando", avalia.

Ele frisa que, em locais abertos e com pouca aglomeração, a N95 não é necessária e uma máscara de pano é suficiente.