Coletivo de Niterói cria cordéis sobre artistas da cidade

Grupo produz literatura de Cordel com recursos da Aldir Blanc para difundir a memória cultural de Niterói

Amanda Ares

Leo Salo e Karen Guimarães, coordenadores do coletivo


Contemplados pela Lei Aldir Blanc, os integrantes do coletivo Experimentalismo Brabo estão mantendo suas atividades na valorização da cultura popular. O grupo está lançando o projeto É de Niterói, que conta a história de artistas populares da cidade em cordéis.

Um dos coordenadores do projeto, o bibliotecário e coautor dos cordéis, Leo Salo, se diz empolgado com o desdobramento do trabalho:

- Já temos uma experiência muito bem sucedida contando histórias da favela de Manguinhos em versos de cordel. Estamos muito felizes em, finalmente, termos a chance de trazer este trabalho para a nossa cidade" - comemora.


Os dois primeiros cordéis são sobre o cantor e ambulante Valber Dan, figura conhecida da praça da Cantareira, e também sobre o fotógrafo Josemias Moreira, morador do Morro do Palácio. Os livretos serão distribuídos para alunos da rede municipal. O coletivo aguarda a volta às aulas presenciais para fazer a entrega, junto de outras atividades preparadas para o público infantil.

Cordel sobre o fotógrafo Josemias Moreira Filho, de Leo Salo


Enquanto isso não acontece, o grupo faz lives e lança vídeos em suas plataformas digitais, com a participação de produtores culturais moradores de favelas e periferia de Niterói. Em fevereiro, alguns entrevistados foram Carlos Ruas, Elda Storani, Davy Alexandrinsky e Alberto Lourenço, da Rede Cultural da Zona Norte de Niterói.


- Acreditamos na importância de dar voz à vozes que são propositalmente silenciadas, vozes da cultura na periferia, de idosos, e todos aqueles que, de certa forma, estejam à margem. Não nos adiantaria pensar intervenções artísticas voltadas para eles sem criar canais para que eles possam falar e se expressar.


Um dos vídeos publicados na página do coletivo Experimentalismo Brabo

Patrimônio imaterial


A Literatura de Cordel foi incluída pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) no Livro de Registro das Formas de Expressão em setembro de 2018, quando passou a ser considerada oficialmente um bem cultural imaterial do Brasil.


Tem origem no Norte e no Nordeste do país, mas hoje, é parte expressiva da cultura em diversos Estados, inclusive Minas Gerais, Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo. Sua difusão pelo território nacional é um dos fatores que demonstram a sua relevância cultural para a sociedade brasileira.