Superdisseminadores, o maior risco na escalada da Covid

Atualizado: 29 de Nov de 2020

Lugares e eventos com potencial para infectar várias pessoas, como bares, festas e aglomerações, devem ser evitados


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Você sabe que o número de doentes infectados e de internações por Covid-19 deu um salto e mesmo assim participa de festas e aglomerações, então você pode acabar agindo como um superdisseminador. O termo é usado para definir um paciente que, contaminado, infecta significativamente muito mais pessoas do que o normal. E que se torna especialmente “perigoso” quando vai a eventos ou toma atitudes também superdisseminadores, como festas, bares, shows, boates, restaurantes fechados, cinemas e academias.


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As aglomerações devem ser evitadas a todo custo na pandemia, especialmente agora com o aumento dos casos, por causa do grande potencial de disseminação do vírus. A ocupação de leitos para Covid em Niterói aumentou substancialmente na última semana, chegando a 79%.


-Há várias teorias que dizem que 80% dos casos de Covid são transmitidos por 20% das pessoas. Então na verdade isso (os superdisseminadores) implica a combinação de fatores. Que são as características dos indivíduos e as situações em que eles se colocam. Situações de aglomeração associadas a uma atitude de proximidade com outras pessoas que potencializam o risco - explica o especialista Rômulo Paes de Sousa, professor da Fiocruz e integrante do Comitê Científico que assessora a Prefeitura de Niterói no enfrentamento da Covid.


A combinação de fatores é que torna maior ou menor o risco de proliferação do coronavírus, destaca o especialista:


-Porque você pode estar num lugar onde existe aglomeração, mas você pessoalmente se afasta da multidão.


Para evitar que a doença se espalhe via pacientes superdisseminadores, o remédio seria testar, testar e testar, dizem especialistas no mundo todo. O que não é fácil nem jamais virou realidade no Brasil, um país de dimensões continentais, com dificuldades de logística e falta de recursos. Então a solução seria evitar, restringir e até impedir, quando for o caso, o funcionamento de bares, boates, academias e shows, por exemplo, para acabar com as aglomerações na pandemia.


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Com a ameaça de segunda onda de Covid sem que a primeira sequer tenha passado, um evento superdisseminador muito preocupante nesta época do ano são as festas. Qualquer uma que reúna grupos de pessoas que não vivam na mesma casa deve ser evitada. Festas de casamento, de aniversário, de... Natal e fim de ano. Não dá para promover confraternizações porque elas acabam fazendo explodir as contaminações, como parece ter ocorrido na reta final da campanha eleitoral.


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Combinação de fatores leva à superdisseminação


Cada pessoa infectada com o novo coronavírus transmite o vírus para duas e até três pessoas, em média. Mas também há casos de pessoas que não passam o vírus para ninguém porque fazem o teste ao primeiro sintoma e se isolam completamente. Outras pessoas infectadas, assintomáticas ou no início dos sintomas, porém, podem passar o vírus para mais de uma dezena de pessoas, que transmitem para outras dezenas.

Mas onde elas estão? Não se sabe porque depende do trabalho que fazem, dos eventos que frequentam, das pessoas que encontram, da carga viral que receberam, se usavam ou não equipamento de proteção...


O que se sabe, e há inúmeros casos comprovados no mundo, é que quando se junta um evento superdisseminador como uma festa de casamento, por exemplo, com um agente superdisseminador presente, o resultado pode ser uma tragédia, com dezenas e até centenas de pessoas contaminadas no mesmo dia, no mesmo ambiente.

O professor Rômulo explica:


- Uma melhor clareza que tivemos sobre esse fenômeno é que as pessoas não têm a mesma competência de disseminação do vírus para outras pessoas. As competências são diferentes do ponto de vista individual. Ainda está se tentando entender exatamente quais são esses atributos biológicos que fazem com que uma pessoa mais competente nessa função que outras.


O importante é evitar os eventos disseminadores quando o vírus está circulando na cidade, como é o caso de Niterói e de toda a Região Metropolitana do Rio.

- O que está acontecendo particularmente no Rio de Janeiro é preocupante por causa disso. As recomendações são evitar aglomerações. A atitude das pessoas nas ruas também deve ser de guardar distância em relação aos outros. E também é importante a circunstância em que as pessoas se aproximam das outras. A gente sabe, por exemplo, que cantar, gritar, esse tipo de atitude aumenta a dispersão do vírus. Portanto, onde você está, como você se comporta e a proximidade que mantém das outras pessoas é determinante para a chance tanto de ser infectado como de infectar os outros.