Com dobro da população, São Gonçalo tem quase 40% de leitos a menos do que Niterói

Mas Prefeitura vizinha reage a Axel Grael e diz que tem condições de atender todos os moradores do município


Por Gabriel Gontijo

O Hospital Oceânico, um dos que têm recebido pacientes de São Gonçalo. Foto: Divulgação


São Gonçalo tem o dobro da população niteroiense, mas menos leitos hospitalares, o que acaba levando moradores do município vizinho a buscarem tratamento contra a Covid em Niterói. A estimativa da Prefeitura de Niterói é que cerca de 40% dos doentes de Covid internados na rede hospitalar niteroiense são de outros municípios, sendo que 20% são de São Gonçalo.


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Segundo o IBGE, São Gonçalo tem aproximadamente 1,1 milhão de habitantes, enquanto Niterói tem 515 mil. Mas quando o assunto é leitos destinados ao tratamento da Covid, a situação se inverte. Com 135 leitos exclusivos para atender pacientes com o novo coronavírus (81 de enfermaria e 54 de CTI), São Gonçalo tem uma quantidade 39,74% inferior aos 224 que Niterói dispõe, sendo 101 de enfermaria e 123 de CTI.


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Comparando o total de leitos destinados ao tratamento da covid com o número de habitantes de cada cidade, Niterói tem 0,435 leitos de covid por pessoa em um universo de cada mil habitantes. São Gonçalo tem uma estimativa 71,52% menor, com 0,123 leitos para cada habitante em uma média por mil pessoas.



Prefeitura de São Gonçalo declara ter "capacidade para atender todos os gonçalenses"


Apesar dessa situação, a Prefeitura de São Gonçalo informou que "está com capacidade para atender, em suas unidades de saúde, todos os gonçalenses que necessitam de exames para detectar a covid-19, atendimento médico e internação – tanto em enfermaria quanto em Unidade de Terapia Intensiva (UTI)".


Declarando que "a cidade nunca precisou escolher pacientes para internação e nunca esteve com 100% de ocupação de leitos", a Prefeitura afirmou que não "houve fila para internação na cidade, que também não precisou transferir nenhum paciente por falta de leitos".


A respeito dos habitantes que precisaram procurar unidades de saúde em outros municípios, o Executivo explica que "a maioria internada, inclusive, em hospitais da rede estadual ou federal", não sobrecarregou "as unidades municipais das outras cidades". Além disso, a prefeitura enfatiza que, "apesar dos gonçalenses estarem internados em outras unidades de saúde fora do município, a cidade sempre teve capacidade para absorver todos esses pacientes".