Com hospitais em colapso, entidades médicas recomendam critérios para 'escolha de Sofia'

Documento reúne diretrizes internacionais e técnicas para priorizar o acesso de pacientes de Covid a UTIs


Falta de leitos: uma realidade com o agravamento da pandemia de Covid


A ocupação de leitos de UTI para Covid passou do limite ou está perto dele na maior parte do país. É também o caso de Niterói, com 90% dos leitos de UTIs ocupados. Por causa dessa situação calamitosa em diversos municípios, entidades médicas lançaram nesta sexta-feira (9) um documento com recomendações sobre como fazer a triagem de pacientes em UTIs respeitando critérios clínicos, éticos e jurídicos. É a chamada "escolha de Sofia" institucionalizada neste que é o pior momento da pandemia no Brasil.


Na prática, a triagem de pacientes para as poucas vagas de UTIs hoje disponíveis já estava sendo feito, mas o documento estipula critérios técnicos internacionais para fazer essa "escolha". A medida é controversa e provoca reações de especialistas, mas o documento tem o apoio de diversas entidades médicas.


O conjunto de recomendações vai ajudar os médicos a escolher quais pacientes devem ter prioridade na ocupação de leito de UTI porque tem mais chance de sobreviver. O documento reúne orientações para seguir informações técnicas sobre a vitalidade, a presença de comorbidades e a fragilidade dos doentes.


Elaborado pelas associações de medicina intensiva, de geriatria, de emergência e de paliativa, o documento é apoiado por um comitê da AMB (Associação Médica Brasileira), que reúne também infectologistas e pneumologistas.


Pelo documento, que segue critérios internacionais, os médicos devem ser orientar por critérios como dados sobre a gravidade do quadro agudo do paciente, a presença de doenças avançadas e ao estado de saúde física. A idade dos doentes não é utilizada como critério único de triagem. Para a AMB, o documento dá transparência a um processo que já é usado em muitos hospitais.


O documento deixa claro que a prática só deve ser usada em casos extremos como agora na pandemia de Covid, em que estados e municípios praticamente já não têm mais leitos de UTI.