Com leitos Covid disponíveis, Niterói já socorre cidades do interior

Atualizado: Mar 12

Cidade segue em baixo risco da Covid, mas já sente o reflexo do esgotamento no sistema hospitalar do interior

Por Gabriel Gontijo


Embora o estado do Rio de Janeiro tenha apresentado queda no número de casos e de óbitos desde o final de fevereiro, isso não significa que a situação esteja perto do controle. De acordo com dados do painel da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro desta quarta (10), na Região Metropolitana I (Rio e cidades da Baixada Fluminense), o risco passou de "Baixo" para "Moderado" nos últimos dias. Em Niterói, a situação segue sob controle, mas rede hospitalar local já recebe pacientes de outros municípios colapsados.


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A situação de ocupação dos leitos em enfermaria em Niterói ainda é considerada baixa de acordo com o painel, estando em 16%. Já os de CTI se encontram com 58%. Apesar disso, março apresentou um aumento de 40% nos hospitais particulares da cidade, segundo documento do SINDHLESTE. Mesmo com o crescimento, a situação niteroiense é uma das melhores do estado. Justamente por isso, a Prefeitura de Niterói vai receber doentes de outras cidades.


O Executivo niteroiense estabeleceu uma parceria com o Governo do Estado nesta quarta (20) para receber até 20 pacientes de outros cidades no Hospital Oceânico, em Piratininga. Isso já acontece em outras unidades hospitalares de Niterói, principalmente particulares.


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O Hospital Icaraí, no Centro, conta com pacientes de "Maricá, São Gonçalo, Itaboraí e até do Rio", de acordo com a assessoria de imprensa. Não foi informado o número total de doentes de fora da cidade. Já o Complexo Hospitalar de Niterói informou que atualmente se encontra com 12 pacientes internados de outros locais, sendo "em quarto: três do Rio de Janeiro, três de São Gonçalo e um de São Paulo" Já em UTI são cinco pessoas, todas do município gonçalense. O CHN também informou que "as demandas são variáveis diariamente, mas o CHN dá preferência a vagas para Niterói".


A Secretaria Municipal de Saúde informa que existem 66 pessoas internadas de outras nas principais unidades municipais de Niterói, como o Hospital Municipal Carlos Tortelly, Hospital Municipal Oceânico de Niterói, Hospital Municipal Orêncio de Freitas e Unidade de Urgência Mário Monteiro. Já o Hospital Getúlio Vargas Filho, o Getulinho, unidade pediátrica, tem 20 pacientes internados residentes de outros municípios.


Em relação ao Hospital Azevedo Lima, a assessoria de imprensa do Instituto Sócrates Guanaes, OS que administra a unidade, informou que o total de internados por Covid é de 12 pessoas. Questionado sobre os pacientes de fora da cidade, a organização social informou que o local é "referência para Niterói, São Gonçalo, Maricá, Itaboraí, Tanguá, Silva Jardim e Rio Bonito". Sendo assim, "por ser um hospital com emergência portas abertas", o atendimento é feito a qualquer paciente que chega, podendo "ser de um desses municípios ou qualquer outro".


Ocupação dos leitos perto do limite na capital


Se a situação em Niterói ainda é de relativa tranquilidade, embora o prefeito Axel Grael admita que o pior "está se aproximando", o cenário do outro lado da ponte é preocupante. Com 81% dos leitos em enfermaria ocupados, e os de CTI chegando a 91%, a cidade do Rio está perto de atingir o limite de ocupação.


Como tentativa de evitar um colapso não apenas na capital, mas também em outras cidades, o secretário estatual de saúde Carlos Alberto Chaves anunciou na manhã desta quarta (10), durante coletiva, que abriu mais de 93 vagas em leitos, sendo 83 de UTI. Além do Hospital Oceânico, os hospitais Che Guevara, em Maricá, e Zilda Arns, em Volta Redonda vão receber doentes de várias partes do estado. Além disso, ele falou da adaptação das vagas de enfermaria para tratamento intensivo.


- Como a ocupação de enfermaria no estado está relativamente baixa, em torno de 40%, nós estamos pensando em transformar as vagas desses tipos de leitos em CTIs - revelou Chaves.


São Gonçalo, Itaboraí e Maricá


Com ocupação de 38% das enfermarias e 61% dos CTIs, São Gonçalo se encontra em uma classificação de risco baixo. Já Itaboraí, mesmo não tendo registro do percentual de ocupação em leito de enfermaria e estando com 38% dos CTIs ocupados, está em estágio moderado de acordo com critérios técnicos da secretaria. E Maricá também está em risco moderado, com 74% dos leitos em enfermaria ocupados, sendo que esse índice nos CTIs se encontra em 40%


Baixada entre risco moderado e alto


Situada na Região Metropolitana II, a mesma onde a capital se encontra, a Baixada Fluminense se encontra em um situação de risco moderada no geral. Mas há cidades da área onde a situação já é considerada alta.


Municípios como Duque de Caxias, Belford Roxo, Nova Iguaçu e São João de Meriti ainda estão no estágio moderado. Mas cidades como Japeri, Mesquita, Nilópolis, Paracambi, Seropédica, Itaguaí, Queimados e Magé já se encontram com risco de transmissão considerado alto. E em alguns desses lugares, quem precisa de internação tem que buscar ajuda médica em outros lugares.


Secretário chegou a falar em barrar turistas, mas voltou atrás


Por causa do aumento de casos na capital, o secretário Chaves chegou a dizer em impedir a entrada de turistas no estado. Entretanto, a Secretaria de Estado de Saúde descartou, em nota, a medida e também alegou que "não havia previsão de restrição à entrada de turistas no Rio de Janeiro".


Em outro trecho da nota, a pasta afirmou que "os números da COVID-19 estão sendo monitorados diariamente e, de acordo com técnicos, não é necessária uma medida como essa".