Conheça os cinco marcadores que impediram Niterói de reabrir atividades

Cidade ainda tenta reduzir alguns dos principais marcadores e fechou a semana com indicador síntese 11, ou seja, na Atenção Máxima

Reprodução/Prefeitura de Niterói


Depois de duas semanas de isolamento, a Prefetura de Niterói surpreendeu ao anunciar, na última sexta-feira, que se descolaria da capital e continuaria impondo medidas restritivas para frear o avanço a pandemia, apesar da pressão de setores econômicos. A decisão impopular tem motivo: embora tenha dado sinais de recuperação, a cidade ainda corre risco epidemiológico.


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No decreto publicado neste sábado, com as regras para a próxima semana, a Prefeitura de Niterói justificou sua decisão usando dois argumentos contundentes. Primeiro, citou a recomendação do Comitê Científico, que defende a prorrogação do isolamento até que haja queda consistente nos indicadores. Em segundo lugar, reafirmou a confiança no painel de monitoramento do Plano de Transição para o Novo Normal, que tem embasado as decisões sobre a condução da pandemia.


Série histórica do indicador síntese. Reprodução


É o painel de monitoramento que calcula, através de modelos matemáticos adotados pela Epidemiologia, o indicador síntese semanal da Prefeitura, com base em diferentes marcadores. Depois de saltar do indicador 11,88 para o 12,88 em três dias, Niterói conseguiu regridir para a nota 11 na última sexta-feira, o que ainda enquadra a cidade no Sinal Laranja, que sempre apontou para a necessidade de suspender atividades econômicas.


Entenda quais são os fatores que elevaram a "nota" da Niterói e mantiveram a cidade no Sinal Laranja:

  • Doentes x Recuperados:

O primeiro marcador negativo na planilha de monitoramento da Prefeitura de Niterói é chamado Estágio de Evolução. Trata-se de uma relação entre o número de casos ativos no último dia da contagem e o total de recuperados em 50 dias. Quanto menor o resultado, melhor. Esse índice está em 0,72, número preocupante, que está na margem no Sinal Laranja.


  • Mortalidade

Pela planilha, 29 pessoas morreram na cidade por Covid (devidamente comprovado) ao longo dos sete dias que antecederam a publicação dos dados. Pelos cálculos utilizados, a cidade tem uma taxa de 5,80 mortes a cada 100 mil habitantes, o que corresponde ao Sinal Laranja do plano de transição.


  • Novos casos

Outro indicador que tem um peso grande no cálculo geral é o de novos casos. Em sete dias, 302 novos testes voltaram positivos. Isso significa que a cada 100 mil habitantes, 60,40 foram contaminados pelo coronavírus. Quando esse número é maior que 30, o indicador é compatível com o Sinal Roxo, ou seja, de altíssimo risco.


  • Ocupação de leitos UTI Covid SUS

A cidade terminou a semana com 82% de ocupação dos leitos de terapia intensiva para pacientes Covid na redes SUS, percentual que se encaixa no Sinal Laranja, de atenção máxima.


  • Ocupação de leitos UTI Covid privados

De acordo com a planilha de monitoramento da Prefetura, a ocupação dos leitos UTI Covid privados terminou a semana em 90%, compatível com o Sinal Roxo, de altíssimo risco.