Coronavac ou Oxford? 'Que venham todas as vacinas', diz pneumologista

Duas médicas, mãe e filha, tomam vacinas diferentes -, uma a Coronavac, outra a Oxford -, e compartilham a mesma confiança na ciência


Por Cristina Cantarino, pneumologista




Um dia acordei e vi minha filha médica na linha de frente do atendimento a pacientes com Covid 19. Eu já devorava artigos preliminares, sem a revisão dos pares, desde que a doença surgiu no mundo. Sabia que estando constantemente exposta a alta carga viral, o risco de contrair a nova doença, potencialmente letal, era considerável, mesmo sendo jovem poderia complicar. Como pneumologista, passei a estudar muito mais e a torcer pelas vacinas, nossa grande esperança.


Elas chegaram, um marco histórico da vitória da ciência. Trouxeram alegria,

gratidão, e sobretudo orgulho de nossas instituições públicas: Fiocruz, Butantan, ANVISA e SUS.


Clarisse foi vacinada no primeiro grupo com a CoronaVac, vacina do próprio vírus Sars-

Cov-2 inativado. Como mãe senti um grande alívio. Eu, na fila do segundo grupo, dei feliz meu braço para a AstraZeneca, vacina de adenovirus de chipanzé manipulado geneticamente para inserir a proteína “S” (Spike) do Sars-Cov-2. Saí do Posto de vacinação grata e com enorme bem estar.


Sigo na torcida para que toda a população seja vacinada.


A REDE SUS, apesar de maltratada, pode dar conta do recado com maestria. Só depende que o negacionismo que nos amarra desde o início da pandemia distribua as vacinas em larga escala.


Não tenho preferência por uma em especial, quanto maior o número e a variedade de vacinas reconhecidas como eficazes pela ANVISA, melhor.


Saliento que não poderemos abandonar as máscaras, todas as medidas de higiene e o distanciamento social. São fundamentais, deverão permanecer por longo período, pois complementam a proteção da população contra as conhecidas e novas possibilidades de ataque do vírus. Através de mutações vieram as novas e preocupantes variantes.


Entretanto, vejo luz no fim do túnel. Pesquisadores começam a estudar combinações entre diferentes tipos de vacinas buscando maior eficácia. O Sars-Cov-2 ataca com rapidez nos surpreendendo com novas armas. Entretanto, cientistas estão cada vez

mais preparados para vencer a batalha.


Tenho me lembrado das histórias do meu avô. Me contava como se curou da gripe espanhola, carregando nos detalhes cômicos. Já me vejo no mesmo caminho, que venham os netos!