Covid avança pelo Largo da Batalha, Badu, Piratininga e cresce em Itaipu

Icaraí, Fonseca e Santa Rosa são bairros com maior número de casos


Por Carolina Ribeiro


Ranking de bairros com maior número de casos e de taxa de casos por 10 mil habitantes. Fonte: GET UFF contra COVID19


O Badu, em Pendotiba, segue sendo o bairro com a maior taxa de casos de Covid-19 por habitantes em Niterói há cerca de duas semanas, segundo levantamento do Departamento de Estatística da UFF. O bairro tem 149 casos confirmados da doença, muito abaixo de locais como Icaraí e Fonseca - que já ultrapassaram 500 casos -, mas chama atenção justamente por ser um bairro pequeno, com cerca de 5 mil habitantes. Outra análise do Grupo GET-UFF contra COVID19 avalia a velocidade de transmissão do vírus. Neste sentido, é Itaipu, na Região Oceânica, que salta os olhos.


Wilson Calmon, professor do Departamento de Estatística da UFF, explica que a disparidade no ranking de mais afetados é um efeito comum em bairros muito pequenos quando relacionado o número de infectados pela população. A análise por habitantes é uma tentativa de tornar “mais justa” a comparação entre regiões diferentes.


- Por exemplo, se a gente considerar o total de casos ou óbitos do Brasil com um outro país menor, como o Uruguai, é natural que o Brasil tenha um número de casos e óbitos superior. Quando a gente faz a comparação do Badu com Niterói, o bairro vai lá para o alto do ranking de mais afetados - explica.


Até o dia 14 de junho, o índice da taxa de casos por 10 mil habitantes no Badu era de 192,2 quando o bairro tinha 126 casos no total. Agora, até o dia 24, a taxa era de 223,62 para o total de 149 casos confirmados. No entanto, Calmon ressalta que, por meio de outras análises, como a variação do crescimento de casos das últimas duas semanas, é possível identificar que o bairro do Badu não tem um crescimento de casos tão expressivo.

Uma das características da pandemia talvez explique os motivos de um crescimento acelerado e depois mais lento na região. Segundo o especialista, quanto menos pessoas se contaminaram numa determinada região, maior é a chance da epidemia ganhar velocidade naquele lugar posteriormente.


- Se um bairro ou município fez o dever de casa, no sentido de conter a evolução da pandemia, mas faz a flexibilização sem controle do fluxo de pessoas que transita para outras regiões, a pandemia pode correr de forma mais acelerada nesse lugar que estava com taxa tranquila. Quanto maior o número de pessoas suscetíveis a doença e que ainda não se infectaram, maior o potencial de ter um crescimento de casos na região - enfatiza.


Itaipu, na Região Oceânica, registrou mais de 450% de crescimento de casos nas últimas duas semanas. Fonte: GET UFF contra COVID19


Foi esta mesma análise da variação do crescimento de casos das últimas duas semanas que apontou Itaipu com uma grande evolução da doença. Diz o estudo que “grande parte dos bairros de Niterói tiveram um decrescimento do número de casos novos no período analisado”, mas alguns poucos bairros apresentaram aumento, como Maria Paula, com crescimento de 150% e Itaipu, que teve um aumento maior que 450%.


De acordo com o GET UFF, o mapa mostra o crescimento ou decrescimento do número de casos, em cada bairro, comparando as ocorrências de uma semana com a semana anterior. Neste caso, comparam os dados dos dias 14/06 até 20/06, com os dias 21/06 até 24/06. A medida é obtida calculando-se a diferença entre o número de casos novos ocorridos no período mais recente e o mais antigo, e dividindo essa diferença pelo número de casos ocorrido no período mais antigo.

- Itaipu não aparece no ranking de taxa de casos. O crítico seria se analisássemos por diferentes métricas e o bairro estivesse sempre no topo de riscos. É preciso analisar o que está acontecendo, se antes o percentual [de transmissão] era muito baixinho e agora acelerou. Mas não necessariamente significa que é um bairro preocupante - alertou.


Para o especialista, será preciso analisar a incidência de casos em todos os bairros simultaneamente e constantemente, agora que houve uma flexibilização do isolamento social, pois o quatro de bairros afetados pode mudar rápido. A interação de Niterói com outros municípios como São Gonçalo e o Rio de Janeiro é um fator que preocupa.


- Fazer o dever de casa muito certinho não garante sucesso quando começa a flexibilizar dependendo do bairro ou município vizinho. Não tem nenhum bairro que seja de extrema preocupação, mas agora a dinâmica de como o município vai se comportar daqui pra frente ganha mais atenção - finaliza.


Moradora do Cantagalo, bairro limítrofe ao Badu, a diarista Katia Regina Correia Leite diz que, mesmo com as campanhas de conscientização, a população ainda não está se prevenindo como deveria. Em seu bairro, enquanto os casos seguem aumentando, ainda vê muitas pessoas sem máscara, comércios abertos e cheios e até festas.


- Nós queremos fazer a nossa parte, mas as pessoas não fazem a parte delas e nos colocam em risco. Meu marido tem 61 anos, é diabético e tem câncer de próstata, mas continua trabalhando, assim como eu e minha filha, que tem um filhinho de 4 anos. Nós tomamos todos os cuidados possíveis com o uso da máscara, álcool em gel e sapato fora de casa, mas temos muito medo da contaminação. Acredito que as pessoas só vão acreditar no risco quando algo acontecer na família deles - analisa, adiantando que amigos próximos chegaram a ser internados com Covid-19, mas ninguém de sua família deu positivo para o vírus.


- Na minha família já virou hábito o uso da máscara e sabemos que será assim por muito tempo. As crianças desde pequenas já estão sendo acostumadas a usar, pois incomoda, machuca, mas é para a segurança delas - completa.


A Fundação Municipal de Saúde de Niterói informou que acompanha e revisa diariamente os casos da Covid-19 e que as as regiões citadas são cobertas por unidades da rede ambulatorial, como Unidades Básicas e módulos do Programa Médico de Família, em que há cadastro dos moradores, o que “possibilita o acompanhamento diário de cada usuário”.

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