Covid fecha cerco em torno de Niterói

Atualizado: Nov 20

No Rio, ocupação dos hospitais públicos passa de 80%; em São Gonçalo, a Prefeitura decretou regras de isolamento. Hospitais de Niterói confirmam aumento de internações



O aumento do número de casos, internações e mortes no Rio de Janeiro acende todos os sinais de alerta. Relatório da Secretaria de Saúde da capital informa que a ocupação dos leitos reservados para a Covid na rede pública da capital passa de 80%. Depois de dois meses de queda da doença, os registros de coronavírus voltam a aumentar, após a liberação de uma série de atividades na cidade. Em São Gonçalo, a Prefeitura decretou novas medidas de isolamento diante do aumento de casos e mortes.


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A situação de Niterói não chega ao ponto do que acontece no Rio. Mas, na última semana, o número de internações aumentou na rede particular, passando de 50% dos leitos e UTIs disponíveis para Covid. Os Hospitais Geral do Ingá e o de Icaraí confirmaram o aumento da doença e se preparam para receber novos doentes. A Secretaria de Saúde de Niterói não fornece o número de pessoas internadas na rede pública.


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A preocupação aumenta porque, como advertem os epidemiologistas, nenhuma cidade é uma ilha e Niterói faz parte da Região Metropolitana. O aumento dos casos da doença no Rio de Janeiro e São Gonçalo fecham, de certa forma, um cerco em torno da cidade. São exatamente as cidades com maior fluxo de trânsito com Niterói, em função da movimentação de trabalhadores.


Uma segunda onda da Covid?


Epidemiologistas não são unânimes ao afirmar que o Brasil vive uma segunda onda da doença, depois que várias cidades liberaram as atividades econômicas, sem que a Covid tivesse sido controlada. O alerta foi dado pelo professor Domingos Alves, responsável pelo Laboratório de Inteligência em Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, em entrevista à Folha de São Paulo.


Para ele, o pais entrou neste estágio, porque a taxa de transmissão da doença passou de 1 - chegou a 1,12, na segunda-feira,16. Quando o índice fica acima de 1 indica que a pandemia está se expandindo. Quando fica abaixo de 1, é sinal de que a pandemia está perdendo intensidade. Isso significa que 100 pessoas irão infectar outras 112, que, por sua vez, irão infectar outras 125. Assim, a epidemia brasileira cresce exponencialmente. Na mesma data, a Rt estava acima de 1 em 20 estados, entre eles, o Rio de Janeiro

A média da taxa de reprodução do coronavírus chegou a ficar três meses abaixo deste patamar, mas voltou a ficar acima de 1 na semana passada, o que caracteriza a segunda onda identificada por Alves.


Outros especialistas entendem que o índice registrado esta semana representa, apenas, uma oscilação da taxa, uma que o coronavirus nunca chegou a ser controlado. Estes, temem uma segunda onda mais intensa, como acontece na Europa, não agora, mas no Verão. Quanto à falta de controle efetivo, neste ponto, todos estão de acordo:


- Nunca conseguimos controlar a transmissão comunitária- disse o cientista da USP, em referência ao estágio de uma epidemia em que um vírus circula livremente entre a população.


A situação de Niterói


A situação de Niterói vem se mantendo estável há algumas semanas, no que os especialistas chamam de platô, um número ainda alto de casos da doença e mortes.

O quadro abaixo, baseados nos boletins diários divulgados pelo Prefeito Rodrigo Neves e pela assessoria de comunicação no Facebook e organizados pelo A Seguir: Niterói por semanas epidemiológicas, como é padrão da OMS, mostram que o coronavírus ainda circula na cidade e há três meses, cerca de 500 pessoas contraem a doença a cada semana.


O gráfico mostra a evolução dos casos confirmados, de acordo com os Boletins da Prefeitura de Niterói


O gráfico mostra a evolução dos casos confirmados, de acordo com os Boletins da Prefeitura de Niterói


A preocupação aumentou na cidade com a divulgação de informações sobre o aumento das internações em leitos e UTIs nas redes pública e privada, em Niterói. No último boletim anunciado pela Prefeitura, eram 95 casos. O Sindicato dos Hospitais Particulares de Niterói, o SINDHLESTE, no entanto, divulgou boletim com números bem maiores: 314 internados, no total.


O relatório apontou 169 doentes internados em leitos - o que representa 56% dos leitos reservados para pacientes com Covid; e 145 doentes internados em UTIs - 52% das unidades reservadas para Covid. A Secretaria de Saúde não se manifestou sobre os dados, nem informou o número de internados na rede pública.


Na sequência, o diretor do Hospital Geraldo Ingá Luiz Otávio Nazar publicou nota aos funcionários orientando para a suspensão de cirurgias e outros procedimentos seletivos que exigessem a ocupação de leitos UTIs para fazer frente ao aumento de casos da doença. Hoje, o Hospital de Icaraí também informou o aumento de casos.


O número de internações não subia tanto em Niterói desde o pico da doença,

registrado em maio, junho e julho. Na primeira semana de agosto, eram 72 internados em leitos (24%) e 66 em UTIs (23%). No início de setembro, 55 nos leitos (18%) e 63 nas UTIs (22%). O número de internações se manteve estável em setembro, sempre abaixo de 30% de ocupação hospitalar.


A piora coincide com a flexibilização das atividades a partir do fim de setembro e início de outubro. Coincide também com a campanha eleitoral nas ruas. O salto é de 126 internações, no total, para 314, em apenas um mês.


Segundo o último boletim divulgado pela Prefeitura, na quarta, 18, Niterói registra desde o início da pandemia 16.135 casos confirmados de Covid, 505 mortos e 95 pessoas internadas. (A Secretaria de Saúde não informa a discrepância do número de internações: sustenta que há 95 pessoas internadas nas redes públicas e privadas em leitos e UTIs, quando apenas os hospitais privados informam 314 hospitalizados).


No Rio de Janeiro, 224 mortes em um dia

A quarta-feira, 18, deu a medida do problema no Rio de Janeiro. Foram 224 mortes por por Covid-19 e 2.387 novos casos confirmados em relação aos números divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde na véspera. Ou seja, em um único dia. Com isso, atingiu o maior índice diário de mortes desde 30 de junho, com registro de 232 óbitos em 24 horas.


A taxa de ocupação de leitos de UTIs para pacientes com Covid em toda a rede SUS no município do Rio e Janeiro — que inclui vagas estaduais e federais —, chegou a 80%. Na rede particular do Rio, a Unimed já informou que a unidade da Barra da Tijuca está com alta demanda de pessoas infectadas.


O total de vidas perdidas no Rio aumentou para 21.698, enquanto o de infecções pelo coronavírus foi para 332.396. De acordo com os dados do estado, há ainda 371 óbitos em investigação. No último boletim divulgado, a SES explicou que os 224 óbitos registrados nesta quarta-feira não aconteceram no período das 24 horas anteriores. As mortes ocorreram, segundo a Secretaria de Saúde, entre as semanas epidemiológicas 36 e 46.

"A divulgação dos óbitos apenas hoje é reflexo dos seis dias em que os dados ficaram represados no sistema do Ministério da Saúde, que a secretaria baixa para fazer o boletim", acrescenta no comunicado.


São Gonçalo decreta medidas de isolamento


O aumento dos casos de Covid, internações e mortes fez São Gonçalo adotar medidas de emergência de isolamento social, pelo menos, até o dia 27 de novembro. Uma série de atividades que tinham sido liberadas voltam a fechar. Como escolas, academias, igrejas, cultura, lazer e qualquer evento que resulte em aglomeração. Outras, funcionarão em horário restrito, como os shoppings. Atividades essenciais, como mercados, farmácias e postos de gasolina não serão afetadas. Mas até a circulação nas ruas será controlada.


A cidade, que, nas últimas semanas apresentava risco baixo de contaminação, estágio amarelo, regride e volta ao estágio de alerta laranja. São Gonçalo registrou 21.146 contaminados por Covid desde o início da pandemia e 732 mortes. No levantamento da Secretaria Estadual de Saúde, porém, aparece um número maior: 803 óbitos, até o boletim desta quarta-feira, 18; No boletim da Prefeitura, aparecem 74 pessoas hospitalizadas e 425 em acompanhamento domiciliar.


De acordo com o jornal O São Gonçalo, o município conta hoje com 68 leitos de enfermaria, distribuídos em quatro unidades de Saúde. O Hospital Franciscano Nossa Senhora das Graças possui 30 leitos de enfermaria, estando 18 ocupados, o que representa mais da metade dos leitos disponíveis. Já o Hospital Covid-19 Retaguarda Gonçalense conta com 32 leitos de enfermaria, estando 15 ocupados.


A situação é mais grave nos leitos de CTI destinados a pacientes com covid-19. Neles, a taxa de ocupação é maior, beirando a lotação em algumas unidades. O Pronto Socorro Central Dr. Armando Gomes Sá Couto, no Zé Garoto, possui sete leitos de CTI para pacientes com Covid-19, mas seis desses leitos estão ocupados. O Hospital Franciscano Nossa Senhora das Graças possui 20 leitos de CTI e 16 deles estão ocupados. O Hospital Covid-19 Retaguarda Gonçalense tem 15 leitos de CTI, com 10 ocupados.



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