Covid: Um ano depois, ainda nos preparamos para o pior

País ainda não encontrou anticorpos para enfrentar a tragédia de 250 mil mortes, desde o diagnóstico do primeiro caso, em São Paulo

Por Luiz Claudio Latgé


Covid, Ano II. Um ano do primeiro caso de Covid no Brasil. A data fechada costuma ser oportunidade para rever o que vivemos, falar de aprendizados, mudanças, do impacto da doença em nossas vidas, uma reflexão sobre o que aconteceu. O tempo oferece a oportunidade de analisar nossos erros, acertos, o nosso desempenho diante dos fatos, quando nos distanciamos da emergência. Mas não é o que acontece agora.


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Completamos um ano de Covid em meio ao agravamento da pandemia, diante da ameaça do colapso das redes de assistência médica e hospitalar no Brasil, sem que a vacina possa nos proteger. Não temos tempo de olhar para trás, ainda. Entramos num novo estágio da pandemia, com a multiplicação das variações do Coronavírus, uma delas surgida no Brasil, a P.1, muito mais contagiosas e mortais.


Como chegamos a este ponto, depois de ter um ano todo para conhecer a doença, saber como enfrentá-la, desenvolver vacinas? O que fizemos para ser o país com o pior desempenho diante da pandemia, nós que tínhamos a rede do SUS e um programa de vacinação invejado?


Um ano depois, estamos amedrontados, consumidos pela morte de 250 mil pessoas, desorientados pela criminosa incompetência dos homens que deveriam liderar o país na crise. Não completamos um ano de Covid; entramos no Ano II da pandemia.


O coronavírus



Um novo vírus amedronta o mundo, desde as primeiras notícias, na remota Wuhan, na China, em dezembro de 2019. O SARS-CoV-2, altamente contagioso e mortal. Na verdade, uma uma variação do Coronavírus, comum em animais silvestre. O novo corona surgiu do consumo de alimentos, até hoje o suspeito é um morcego, servido num mercado chinês. Transmitido pelo ar, como a gripe, mas capaz de provocar graves doenças respiratórias. E matar. Uma taxa de letalidade de 0,5%. A OMS acompanha. Sabe que se o vírus se espalhar pelo mundo, pode ser uma catástrofe. Os remédios não funcionam, até hoje se testa novas fórmulas e todas foram descartadas. A China constrói um hospital de campanha em tempo recorde, para 2 mil pessoas. Mais rápida ainda foi a lotação das UTIs. Na virada do ano, a doença está na Europa.


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A pandemia


A região mais rica da Itália é tomada pela Covid. O número de mortes em Milão fecha fronteiras e alerta o mundo. Pouco se sabe da doença, a melhor recomendação é o isolamento. Na China, foi rigoroso. Na Itália, foi desdenhado. Em março, a epidemia se espalha pela Europa e chega a todos os continentes. A Organização Mundial da Saúde decreta pandemia. Recomenda distanciamento, cuidados sanitários e, mais tarde máscaras. É preciso identificar os doentes para evitar as altas taxas de transmissão.


Teste, teste, teste, diz o etíope Tedros Adhanom, presidente da OMS. A testagem mostra que o problema é muito maior que os hospitais lotados. A Itália chega a registrar mil mortes por dia. Os números se agigantam. Nova York, a cidade mais cosmopolita, rica e bem equipada do planeta, é tomada pela doença. Não há mais dúvida sobre o tamanho da crise, o maior desafio da humanidade.


Sem comando


A chegada da doença ao Brasil aconteceu da forma que se esperava. Veio de avião, da Itália. Um paciente internado no Hospital Albert Einstein testa positivo. E nada do que podia ser feito para conter o avanço da doença foi feito.


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O Presidente Jair Bolsonaro disse que era "uma gripezinha" e uma coleção de sandices que fez com que merecesse o título de pior líder mundial no combate à Covid. Comprou toneladas de Cloroquina, anunciou em cadeia nacional que se encontrou a cura no vermífugo Anitta, criticou a "histeria" das medidas de isolamento, questionou a vacina que pode fazer a pessoa virar bicha ou jacaré e mais recentemente denunciou os danos causados pelo uso de máscaras.


A gestão errática atrapalhou o combate à doença. Desmontou a estrutura do Ministério da Saúde, entregue a um deputado médico, Luiz Henrique Mandetta, depois a um gestor de saúde privada, Nelson Teich, que não sabia o que era o SUS e, finalmente, a um general de alta patente e baixa qualificação, que sabe que "um manda e outro obedece". Interferiu na Anvisa e deixou o país sem vacinas. Foi preciso o Supremo Tribunal Federal entregar a gestão da crise a governos estaduais e prefeituras.


Não foi o único país liderado por um negacionista. Donald Trump chegou a recomendar, nos Estados Unidos, que se tomasse detergente. O Primeiro-Ministro Inglês Boris Johnson minimizou a doença, até contrair o vírus e ser internado. Mas nenhum país teve tantos ministros contaminados pela Covid, e deputados e até mesmo juízes.


O país ficou dividido entre a ciência e as fake news, como, a rigor, já estava desde 2018. Mas agora os danos apareceram. Empresários governistas criticavam as medidas de isolamento e o Brasil atravessou o ano sem que se provasse em nenhum estado, em nenhum município, a receita de lockdown por, pelo menos duas semanas, para quebrar a transmissão da Covid.


Desta forma, o país jamais saiu da emergência. Teve um pico da doença em maio, junho, julho, puxado pelas capitais, e uma segunda onda da doença, a partir de novembro, agora já disseminada por todo país, capitais e interior.


Nem a descoberta da vacina contra a Covid, num esforço das maiores instituições de pesquisa do mundo, corrigiu o rumo do combate à doença. As trapalhadas na gestão do Plano de Imunização sabotaram a esperança, deixando o país com a seringa na mão sem vacina para aplicar.


Chegamos às mil mortes por dia na primeira onda da doença, e apesar do alerta dos infectologistas, fevereiro bateria todos os recordes, com 1.582 mortes em 24 horas, no dia exato que a doença completava um ano. Em um ano, enterramos 251.661 mortos.


Niterói e o mundo


Niterói pareceu em alguns momentos se descolar da confusão nacional. O então Prefeito Rodrigo Neves estabeleceu desde cedo um plano de ação baseado na ciência - e constituiu um Comitê Científico formado por pesquisadores da UFF, UFRJ e Fiocruz para assessoramento da Prefeitura no combate à Covid. Niterói se preparou bem e quando se registrou a primeira morte na cidade - a primeira também no Brasil - dia 17, com causa confirmada dia 19, a cidade já tinha um plano (mais tarde o Ministério da Saúde identificaria casos anteriores, em 12 e 15 de março).


Atenta às medidas adotadas na China na Europa, a Prefeitura de Niterói promoveu a sanitização da cidade, recomendou isolamento e o uso de máscaras, mais tarde tornadas obrigatórias, comprou kits para testes e preparou a rede pública para o atendimento dos doentes, habilitando leitos e UTIs para a Covid. Orientação compartilhada com a rede privada.


Sistema drive-thru para testagem; segundo a Prefeitura, mais de 180 mil testes realizados


Em maio, foi a primeira cidade do Brasil a estabelecer um tipo lockdown. Comércio, bares, restaurantes, escolas, cinemas, teatros, parques, praias, tudo ficou fechado. Apenas serviços considerados essenciais funcionaram.


A Prefeitura apresentou um plano de combate à doença e estabeleceu um decreto de Transição Para o Novo Normal, que estabelecia restrições em função do risco de transmissão da doença. A cidade foi citada no Le Monde e reconhecida em diversos fóruns. O funcionamento do Hospital Oceânico mereceu o reconhecimento da população, de tal forma, que, na campanha eleitoral, todos os candidatos defenderam a manutenção do hospital além do contrato previsto até o fim do ano.


Durou até agosto, 25 de agosto. Desta data em diante, o Prefeito Rodrigo Neves deixaria de seguir as orientações do Comitê Científico para ceder à pressão de empresários que queriam a reabertura das atividades econômicas. Promoveu até uma apressada e desordenada volta às aulas que seria proibida pela justiça. Em setembro e outubro, mesmo sem conseguir sair do estágio de alerta Máximo Amarelo 2, determinado pelo número de novos casos, internações e mortes, a Prefeitura já tinha deixado de se guiar pelo decreto do novo normal para retomar atividades que só deveriam ser reestabelecidas com maior controle da doença.


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Apesar do discurso oficial dizer que a doença estava controlada na cidade, a Covid nunca esteve sob controle, permaneceu num "platô", estável porém ainda considerado alto pelos epidemiologistas. O Prefeito não voltaria a convocar o Comitê Científico até o fim do seu mandato. Ganhou a eleição em novembro em primeiro turno, com 62,56% dos votos, elegeu Axel Grael. A Secretaria de Saúde ainda demorou algum tempo até informar, em dezembro, que a doença havia alcançado novo pico, em novembro. Naquele momento, as internações na rede privada chegaram a ocupar 88% dos leitos e 94 das UTIs reservadas para pacientes com Covid.


Quando o novo Prefeito, Axel Grael, assumiu o governo, mantendo boa parte do secretariado da gestão anterior, a Covid já tinha registrado em novembro e dezembro o maior número de mortes da pandemia - cerca de 25% do total, até então. Pelos número da Prefeitura, Niterói registrou até o momento 818 mortes.


A salvação, nos hospitais


Um conforto para o morador de Niterói foi o trabalho dos profissionais de saúde, e a eficiência da rede hospitalar. Os números de casos registrados na cidade não foram diferentes, proporcionalmente, dos que se verificou no Rio, em Caxias ou São Gonçalo. Mas a taxa de letalidade da doença foi bem mais baixa que a de boa parte dos municípios do estado. Resultado direto do trabalho da infraestrutura de Saúde.


Niterói integra o SUS desde o início do programa, e tem papel de liderança, na Região Metropolitana II, que inclui São Gonçalo, Itaboraí e Maricá, entre outros. Tem a maior proporção de hospitais, clínicas, postos de saúde e médicos do Estado, fora da capital. E tem a UFF. A parceria da universidade, construída pelo reitor Antônio Claudio Nóbrega, ajudou a cidade a atravessar a pandemia. Niterói participou de pesquisas, fóruns científicos, se juntou aos testes para o desenvolvimento da Coronavac, trabalhou com a Fiocruz... Agora mesmo, a UFF pesquisa o sequenciamento das novas mutações do vírus, um passo fundamental para testar e acompanhar a evolução da doença.


Profissionais de Saúde foram reconhecidos pela dedicação no combate à Covid, mesmo correndo riscos enormes

Paciente curado da Covid coloca mais uma fita na grade do Hospital Oceânico


Um reconhecimento que a cidade soube dar aos profissionais que atuaram na linha de frente. Pelo menos 50 morreram na cidade. Os hospitais - os públicos, como o Carlos Tortelly e o Oceânico, dedicados à Covid, e os particulares - oferecerm algumas das imagens mais comoventes da pandemia, com a dedicação dos profissionais que levavam até a porta cada um dos doentes que deixava a UTI e a Covid para trás.


A vida na pandemia


A cidade deserta mostrava o tamanho do problema. A economia estava parada. As pessoas trabalhavam de casa, quando o home-office era possível. O comércio fechado viu produtos se perderam no mofo. Bares e restaurante de portas cerradas. A vida se transformava - e ninguém, então poderia prever que tudo mudaria tanto e por tanto tempo.


O Brasil se rendeu aos serviços essenciais e ao delivery. E na medida que o tempo foi passando e as restrições se prolongaram as pessoas foram estabelecendo uma nova maneira de tocar a vida. Termômetros na porta, máscara, álcool gel, serviços de entrega. O entregador se tornou nosso melhor amigo. A solidariedade socorreu quem estava em grupos de risco. O comércio aprimorou os serviços de entrega. Os restaurantes aperfeiçoaram as embalagens. Criaram serviços novos e produtos, o drive thru do chopp foi um deles. Os shoppings montaram centrais de entrega. Os cinemas tentaram tudo, drive-in, sessões a céu aberto, exibições privadas.


O comércio reabriu com controle de lotação e medidas sanitárias. Salvação é serviço de entregas


A praia ficou diferente. Mas aprendemos a viver melhor a cidade. Sem a mesma liberdade de antes para pegar a ponte e ir para o Rio, sem poder viajar para longe, muitos moradores passaram a conhecer melhor a cidade. As trilhas se tornaram um programa concorrido, mesmo com hora marcada. E o por do sol sempre foi a melhor notícia do dia.


Respirando por aparelhos


O Brasil viveu neste período por aparelhos, assim como os doentes da Covid apresentam dificuldade para respirar. A economia parou. O Governo Federal demorou a articular políticas públicas.


A Prefeitura de Niterói saiu na frente e produziu programas de suporte aos moradores, como o Renda Básica, e para empresas, como o Supera e o Supera Mais. Enquanto o Rio de Janeiro assistiu ao fechamento de lojas e restaurantes que representavam muito da cultura e da história da cidade, Niterói conseguiu preservar boa parte de seus serviços.

Mesmo assim perdeu muitos empregos e centenas de lojas faliram, especialmente no Centro e em Icaraí.


Foi um dos principais pontos da campanha do governo. Prolongar os benefícios até a descoberta de uma vacina. No Governo Federal o auxílio foi pequeno e durou pouco tempo. Só agora, diante da pressão da sociedade, será retomado, com abono de R$ 250. Aqui, está perto de completar um ano e o Prefeito Axel Grael procura recursos para prolongar até a aplicação da vacina. Nas contas da Prefeitura, a descoberta de uma vacina nos deixaria perto da retomada. Ninguém poderia esperar a trapalhada federal na compra da vacina e uma campanha frustrante de imunização.


Isolamento e relaxamento


Responsabilidade e relaxamento andaram se estranhando como a cruz e a caldeirinha. Como a ciência e Bolsonaro. A quarentena se prolongou demais, gerou impaciência. No lockdown, Niterói chegou a ter um nível de isolamento acima de 60%. Em setembro, estava em torno de 40%. Mas bastava um dia de sol para as praias lotarem. Foi preciso estabelecer bloqueios, algumas vezes, para conter o público nas praias da Região Oceânica. Bares e restaurantes também atropelaram os limites de distanciamento e quando a Prefeitura voltou a autorizar música ao vivo, parecia que tudo estava liberado.


Niterói nunca chegou a registrar os flagrantes de aglomeração da Dias Ferreira, no Leblon, ou da praia de Ipanema, mas teve seus momentos de transgressão, especialmente em moradores que insistiam em andar sem máscara na cidade. A máscara caindo no queixo foi uma das cenas mais recorrentes da cidade.


A permanência da pandemia suspendeu o réveillon e o carnaval. Muitas cidades adotaram falsas medidas de proteção, como o Governador de São Paulo João Dória, que fechou o estado no fim do ano. Dia 25 de dezembro, depois de intenso movimento de compras, e dia 1 de janeiro, depois das festas de Ano Novo. A pesquisadora Margareth Dalcomo previa, então, que sem respeito ás normas de proteção durante o verão, teríamos "um triste janeiro". Na verdade, a tristeza invadiu fevereiro também e já estamos entrando em março.


Ano eleitoral


Há quem diga que a campanha eleitoral foi a maior responsável pelo aumento do número de casos e mortes em dezembro. Provavelmente não foi apenas a campanha. Desde setembro, havia a sensação de que a doença estava sob controle e a Prefeitura estimulava esta ideia, nas transmissões do Prefeito e nas falas repetidas do Secretário de Saúde, Rodrigo Oliveira.


A retomada precipitada das atividades não deixou que a cidade jamais tivesse menos de 400 novos casos da doença por semana. No mapa desenhado pela própria Prefeitura, o número se encaixa na classificação de risco máximo. Da mesma forma, o registro de mortes se manteve em torno de acima de 12 por semana, um índice ainda muito elevado.


Quando a cidade começou a abrir e a campanha ganhou as ruas, as aglomerações começaram a aparecer, sobretudo em Icaraí. O desfile do Deputado Federal Carlos Jordy, com seu candidato a Prefeito, Alan Lyra, atravessando o bairro sem máscara foi uma expressão do que a cidade viveu naqueles dias.


Bolsonaristas na campanha eleitoral, em Icaraí


Mas não foram os únicos a descumprir as normas de isolamento. No final da campanha, Rodrigo Neves, Axel Grael, a mulher dele, Christa, e a Secretária de Fazenda Giovanna Vícter estavam com Covid.


A melhor notícia, a vacina


A melhor notícia no combate à Covid veio no fim do ano, com a descoberta de vacinas eficientes para o combate ao Coronavírus. Indisfarçável a emoção dos profissionais de saúde e idosos que receberam a imunização. Uma imagem de enorme esperança de que a vida poderia voltar ao normal. A melhor resposta da ciência. Um esforço monumental, em menos de um ano, o mundo conta com pelo menos meia dúzia de imunizantes eficazes contra a doença.


A vacina chega ao Rio, festejada


No Brasil, apesar da ação desastrosa do Ministério da Saúde, foram estabelecidos acordos para a compra e produção no país de duas vacinas: a Coronavac, chinesa, que foi testada em Niterói, entre outras cidades, e será produzida pelo Instituto Butantan, em São Paulo, e a Oxford/AstraZeneca, que vai ser fabricada pela Fiocruz. Nos últimos dias, a Anvisa também licenciou a vacina da Pfeizer, usada nos Estados Unidos e na Europa, mas que ainda não foi encomendada pelo Governo Brasileiro.


O Brasil também participa do consórcio internacional Covax Facility, organizado pela OMS. É um retrato eloquente da gestão da crise pelo governo Bolsonaro. O pais poderia ter até 60 milhões de doses da vacina, com preço e prazo facilitados, mas preferiu "exercer o direito" de comprar apenas 10 milhões de doses da vacina.


O resultado é que a campanha nacional de imunização começou sem um plano - e pior, sem vacina. Várias cidades tiveram que parar a vacinação com doentes na fila nos postos de saúde, por falta de vacina. Niterói, entre eles. A ser mantido o ritimo, a vacinação no Brasil ai se estender até 2022.


A nova ameaça


A vacinação nem bem começou e o Brasil enfrenta uma nova ameaça, o surgimento de mutações do Coronavírus, mais contagiosas e mortais, já identificadas no Rio de Janeiro e muitos outros estados. A mais preocupante delas, para nós, é a P.1, a variante brasileira, descoberta em Manaus.


A presença da nova versão do Coronavírus foi responsável pelo rápido aumento do número de casos na cidade, cenas dramáticas de hospitais lotados, falta de oxigênio e valas abertas na terra para sepultar os mortos.


Ainda não é possível avaliar se as mutações da doença serão sensíveis à vacina. Na África do Sul, a mutanção encontrada lá é resistente a vacina Oxford/AstraZena e o país devolveu milhares de doses de vacina que estavam compradas.


Nos últimos dias, o aumento dos casos de Covid assustou no Norte e no Sul do país, com hospitais lotados em diversas cidades. O Rio de Janeiro, que há uma semana estava em situação de risco baixo, nesta quinta-feira (25) apresentava uma ocupação de 84% das UTIs reservadas para doentes e Covid na rede hospitalar.


Em Niterói, os números se mantêm estáveis. Mas na última semana houve um aumento de 30% na ocupação dos hospitais. O Secretário de Saúde, Rodrigo Oliveira, anunciou na reunião do Gabinete de Crise que Niterói "precisa se preparar para o pior" e estudar medidas de proteção e ampliar o número de quartos e UTIs para pacientes de Covid.


O Brasil completa um ano de pandemia da mesma forma que estava em março do ano passado: ... se preparando para o pior.