Fim de ano faz crescer procura de casas por temporada na Região Oceânica de Niterói

Espaços amplos com boa ventilação, contato com natureza e conforto são as prioridades na pandemia

Por Livia Figueiredo


Céu, sol, plantas: casas viram refúgios na pandemia / Foto: Reprodução da internet


Fique em casa. Não saia de casa. Trabalhe de casa. Os longos já nove meses de pandemia despertaram em muita gente a vontade de viver em casas de fato, com quintal ou jardim, ou cultivar pequenos espaços de prazer em apartamentos. Neste período, cresceu a procura por imóveis na Região Oceânica de Niterói, tanto para comprar como para alugar. Mas agora, com a proximidade do fim de ano, a disputa ainda está maior para aluguel por temporada. Já está difícil encontrar boas casas com bons preços em bairros como Camboinhas, por exemplo. Em alguns casos, há estadas contratadas para o fim de ano desde maio.


E quem procura não vive necessariamente em Niterói, mas também em outras cidades.

É o caso do casal Fernanda e Nestor Rodrigues, ambos na faixa dos 60 anos de idade e moradores de Copacabana, no Rio. Desde março, eles cumpriram à risca a recomendação de isolamento social para evitar o contágio por coronavírus. Mas já estava batendo um desespero, vontade de ficar mais perto da natureza, de mudar de ares. Por ser do grupo de risco, Nestor conta que não saía sequer para uma caminhada no calçadão de Copacabana, perto de casa. Mas aí veio o aniversário dele, em novembro, e o casal se deu de presente uma estada em Itacoatiara.


Pelo Airbnb, os dois alugaram uma casa no alto, de onde dava para ver sempre o mar, no canto direito de Itacoatiara, por uma semana.


- Foi a melhor coisa que nos aconteceu este ano, o melhor período. Depois de ver tanta tragédia pela TV, recolhidos num apartamento em Copacabana, acordar com a brisa, ficar vendo aquele mar lindo de Itacoatiara, mesmo sem ir à praia quando havia mais gente na areia... tudo isso nos deu mais energia de volta, até mais saúde, acho - diz Fernanda, que já recomendou o aluguel da casa por temporada para vários casais de amigos do Rio.


No segmento de locação, a procura por imóveis se intensificou: casas com cobertura, varanda e quintal revelaram uma alta procura e quase todas foram alugadas desde maio, segundo o diretor da imobiliária Self Adm. Casas para aluguéis de temporada como Airbnb também apresentaram alta demanda, ainda mais considerando o momento atual de proximidade com datas festivas de fim de ano, como o Natal e o Ano Novo.


Um jornalista que mora e trabalha no Rio há anos não pensou duas vezes na hora de planejar onde passar o Natal com a família. Como não dirige, a escolha foi Região Oceânica de Niterói. Melhor que ir para Búzios ou Costa Verde, diz ele, porque para Niterói dá para ir de táxi ou uber. Nilton José queria Itacoatiara, era sua primeira opção para alugar uma casa para a semana do Natal. Mas, depois de muito pesquisar no Airbnb, acabou optando por Camboinhas por causa do preço mais em conta.


- Não vejo a hora de chegar essa semana bendita, depois de tanto tempo trancado e trabalhando num apartamento de dois quartos no Rio, sem janela, sem vista. Serão os melhores dias do ano em Camboinhas. Só torço muito para que não haja aglomerações na praia e eu possa tomar meu sonhado banho de mar - disse Nilton.


A procura é grande e muita gente já alugou com antecedência. Começa a se notar até, segundo um corretor da região, o movimento comum em cidades que têm um turismo mais forte: moradores de casas da Região Oceânica vão para imóveis de parentes para aproveitar o alto preço dos aluguéis de temporada e ganhar um dinheiro extra em meio à crise.


Cresce procura também para comprar


Sindicatos de compra, venda e locação de imóveis comprovam a procura maior por casas e também por apartamentos mais arejados, de preferência com varandas. De acordo com o Sindicato de Habitação (SecoviRio), houve valorização de até 11% no valor do metro quadrado de casas em Camboinhas, área nobre da Região Oceânica, em relação ao mesmo período do ano passado. As regiões de Piratininga e Maravista também apresentaram um índice significativo de valorização com uma alta de 5,1% e 5%, respectivamente. Dos sete bairros analisados na região, Itacoatiara foi o único em que o metro quadrado desvalorizou, mas já estava num patamar alto.


Dados do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-RJ) apontam que essa procura foi elevada também porque até moradores da própria região, preocupados com a segurança, optaram por se mudar para condomínios fechados ou até mesmo para uma casa dentro de uma rua fechada. A valorização dos imóveis também se relaciona com os investimentos que estão sendo realizados em bairros como Piratininga e Camboinhas. Esse último, como maior destaque, por ser uma região atrativa devido à segurança e às praias.



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