Criatividade para entreter no lockdown. Mães contam como ajudam a ocupar o tempo dos filhos

Contação de histórias, ginástica funcional e outras ideias para ajudar a entreter a criançada durante medidas restritivas em Niterói


Por Gabriel Gontijo

Foto: Pixabay


Acostumadas com brincadeiras, agito e muita disposição por causa da natural energia que têm, as crianças são as que mais estão sofrendo com o período do isolamento social. E neste ano a situação se encontra bem difícil para elas pelo fato da semana santa ser justamente no período do lockdown decretado pela Prefeitura de Niterói, que vigora desde 26 de março e foi prorrogado até 11 de abril. Por isso, a dica para quem quiser aproveitar esse período brincando com a meninada e sem abrir mão da saúde é acompanhar as atividades na internet voltadas para esse público.


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Mãe de Murilo, de 2 anos, e Miguel, de 1, a escritora Roberta de Souza conta que cada filho tem um comportamento distinto. Além disso, durante o isolamento cada um manifesta interesse em uma atividade diferente, mesmo que ela procure passar a mesma dinâmica para os dois.


- O Murilo gosta muito que eu sente ao chão com ele para contar historinha. Já o Miguel é mais agitado, adora correr em cima do sofá, gosta de se pendurar em tudo. Daí para prender a atenção dos dois eu coloco músicas infantis no YouTube Kids, como Palavra Cantada. Mas tem um momento que eu paro com a televisão e coloco o que a gente chama aqui de "Horinha da Leitura", onde falo para eles sobre objetos e cores - conta Roberta, que é moradora do Fonseca, na Zona Norte de Niterói.


Moradora de Icaraí, na Zona Sul, Carolina Loureiro explica que o filho Caíque, de 8 anos, é muito agitado e que precisou pensar em coisas criativas para ajudar a passar o tempo de maneira produtiva. Quando as medidas passaram por relaxamento, no ano passado, ela o levava para passear de bicicleta e fazer trilhas, sempre de máscara. Mas agora tem feito outras coisas.


- Quando as medidas ficaram mais brandas, saía muito com ele de bicicleta, fazia trilhas, mas sempre de máscara e só eu e ele. Mas agora, com esse endurecimento, faço as lições de casa com ele e a gente realiza atividades práticas, como robótica, já que ele tem essa disciplina na escola. Outra coisa é uma ginástica funcional para crianças que uma amiga minha, professora de educação física, passa virtualmente. Ele ficou bem mais calmo depois dessas atividades - afirma Carolina.


Contação de histórias como opção de entretenimento


Uma atividade que pode ajudar a ocupar o tempo da criançada nesse período é a contação de histórias. Profissional do ramo com mais de 20 anos de experiência, Warley Goulart é integrante do grupo "Os Tapetes Contadores de Histórias". Ele conta que já observava uma mudança do perfil comportamental das crianças antes da pandemia, e que a chegada das mudanças restritivas apenas realçou algo que já vinha acontecendo.


- O grupo sempre se apoiou na ideia do presencial e artesanal. Mas vínhamos notando uma alteração no comportamento das crianças, que ficavam mais tempo no celular ou no tablet. Com isso, já estávamos fazendo apresentações virtuais há alguns anos e essa obrigatoriedade imposta pela pandemia de nos relacionarmos virtualmente fez com o que o nosso grupo compreendesse melhor essa nova geração de crianças. E, com isso, conseguimos nos aproximar mais deles.


Com apresentações virtuais feitas na Biblioteca Parque, no Centro de Niterói, o grupo está com a mostra "Peraltagens" até o dia 8 de abril através do site youtube.com/tapetescontadores. Goulart também conta de que forma o grupo se adaptou a essa linguagem virtual para fazer com que as crianças mantivessem a atenção durante as atividades online.


- Precisamos ter uma atenção especial a aplicativos como Zoom, Streamyard e WhatsApp, pois graças a essas ferramentas a gente consegue entender como as crianças estão ambientadas com esses meios. Outra coisa é que também observamos como a forma que alguns youtubers infantis lidam com a câmera e com a edição, pois isso nos ajuda muito a como compreender o ritmo que essa geração infantil atual tem - explica o contador de histórias.