Debate alerta que royalties não são para sempre e que Niterói precisa resolver problemas

Candidatos criticam Prefeitura na saúde, educação, saneamento e transportes; Axel Grael, do PDT, não compareceu

Candidatos a Prefeito durante debate na OAB de Niterói


O debate realizado pela OAB de Niterói com candidatos à Prefeitura foi morno e bem comportado, mas teve o mérito de chamar a atenção para o fato de que, embora Niterói tenha um orçamento privilegiado e um IDH invejável, os problemas ainda são muitos, na saúde, na educação, no meio ambiente, além de parecerem paralisados como o trânsito da cidade.


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Morno, em função das perguntas formuladas por uma banca de advogados, focadas de forma genérica nas áreas de gestão da cidade e que incluíam a aprovação da construção de um novo prédio para o Tribunal de Justiça. Bem comportado, pelas regras que evitavam o confronto e pelo controle rigoroso do tempo, que várias vezes interrompeu bruscamente os candidatos, e pela exigência de máscara até o momento dos candidatos usarem o microfone. E ainda foi prejudicado pela ausência dos candidatos do Prefeito Rodrigo Neves, Axel Grael (PDT), e do bolsonarista Allan Lyra (PTC).


Por causa da pandemia, o debate não teve público, e apenas assessores e jornalistas estavam presentes. Os candidatos permaneceram de máscara e responderam às perguntas sem sair da mesa. Antes, foram apresentados com um breve currículo, fornecido pelos próprios candidatos, pela sequência sorteada pelos organizadores.


Flávio Serafini, do PSOL, destacou a formação de professor da Fiocruz, a militância social e a trajetória política, deputado estadual mais votado de Niterói. Tuninho Fares, do DC, citou a sua atuação como servidor público, funcionário da Prefeitura de Niterói. Renata Esteves, do PMB, preferiu se apresentar como mulher de Rafael e mãe de Benjamin, advogada, empresária e coach. Felipe Peixoto, do PSD, por seu lado, lembrou a trajetória política desde os 9 anos, especialista em direito público e gestão, secretário de governo e vereador mais votado da cidade de Niterói, duas vezes no segundo turno na disputa pela Prefeitura. Juliana Benício valorizou a formação como gestora de educação e atuação em pesquisa e inovação. Sérgio Perdigão, do PSTU, foi sucinto: professor de história da escola Macedo Soares, no Barreto.


O primeiro tema foi a mobilidade. Ou a difícil mobilidade em Niterói, cidade apresentada como “o pior trânsito do Brasil.” A reorganização das linhas de ônibus e maior fiscalização dos transportes foi uma unanimidade. A integração e as tarifa social nas barcas, em Charitas, aparece nas propostas do deputado Flávio Serafini. Mas surgiram projetos de obras como metrô, VLT e até um trem suspenso que o delegado Deuler da Rocha anuncia para Icaraí. Sérgio Perdigão foi mais radical na solução: defende a criação de uma empresa pública, com a gestão dos trabalhadores. Como de resto defendeu para todos os setores.


A Saúde, em tempos de pandemia, foi outro tema atacado pelos candidatos - e que ficou sem a defesa do governo, pela ausência de Axel Grael. Apesar do reconhecimento de alguns acertos, como a abertura do Hospital oceânico, as críticas variaram, porque o governo abriu a cidade cedo demais, no entender de Flávio Serafini, e abriu tarde demais, para Deuler e Juliana Benício. Sérgio Perdigão criticou os candidatos que sustentam as ideias “irresponsáveis” e “genocidas” do Presidente Bolsonaro.


Os prejuízos causados pela pandemia na educação foi outro tema do encontro. Neste capítulo só apareceram críticas à gestão da Prefeitura, apesar do dinheiro investido nas escolas. As restrições variaram da qualidade das instalações, do preparo dos professores e da falta de uma política para dar acesso às crianças da rede pública a recursos digitais.


No meio ambiente, críticas à concessionária Águas de Niterói, promessas de maior controle do despejo de esgoto e alternativas para a coleta seletiva de lixo. O projeto da Orla de Piratininga mereceu apoio do candidato Felipe Peixoto, que prometeu terminar as obras anunciadas pela Prefeitura e tornar mais efetivo o controle da poluição. A candidata Juliana Benício, por seu lado, acha que o projeto precisa ser revisto. “Querem transformar a orla de Piratininga em uma Miami”, denunciou. Defende que primeiro sejam feitas as ações de despoluição para depois se pensar no plano urbanístico.


A pauta da OAB incluiu entre as questões uma pergunta sobre o apoio dos candidatos à construção de um novo tribunal para a Justiça Federal, no centro da cidade. Em campanha política, ninguém quer perder voto. E o projeto mereceu apoio de todos. Quase todos. Com reservas, no caso de Deuler da Rocha, que conseguiu dizer com alguma diplomacia que há outras prioridades na cidade. E a crítica de Sérgio Perdigão à justiça e à conduta dos advogados, citando de forma veemente o julgamento de Santa Catarina, que teria consagrado a tese do estupro culposo.


Nas considerações finais, o apelo de Serafini ao voto consciente pode se encaixar no discurso de todos os candidatos, diante do momento grave que o país vive, e das enormes desigualdades sociais que existem em Niterói. Ele lembrou, como outros, que Niterói tem um orçamento milionário, graças aos royalties do petróleo, mas alertou que isso não vai durar para sempre e que a cidade precisa aproveitar esse dinheiro para resolver, com eficiência, seus problemas na Saúde, educação e transportes, entre tantos.











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